Image
Arquipelago de Origem:
Funchal
Data da Peça:
1974-11-17
Data de Publicação:
02/11/2025
Autor:
Governador Civil do Funchal
Chegada ao Arquipélago:
2025-11-02
Proprietário da Peça:
ABM
Proprietário da Imagem:
ABM
Autor da Imagem:
ABM
Informação do Governo do Distrito sobre a Campanha de Dinamização Cultural do M.F.A. na Madeira, Diário de Notícias, Funchal, 17 de novembro de 1974, ilha da Madeira.

Categorias
    Descrição
    Informação do Governo do Distrito Autónomo do Funchal sobre a reunião da Campanha de Dinamização Cultural e Esclarecimento Cívico do M.F.A. na Madeira
    Diário de Notícias, Funchal, direção de J. M. Paquete de Oliveira (1936-2016), 17 de novembro de 1974, p.1.
    Arquivo Regional da Madeira, Coleção de Jornais, DN, Funchal, ilha da Madeira.

    No período que se seguiu à Revolução do 25 de Abril de 1974, foram delineados diversos programas de natureza pública e privada que procuraram elevar a condição social, económica e cultural dos portugueses, como as Campanhas de Dinamização Cultural e Ação Cívica do Movimento das Forças Armadas (MFA), o Serviço Cívico Estudantil, etc. Assumindo-se como força libertadora de uma população reprimida durante quase 50 anos de ditadura, o MFA, com a colaboração da Direção Geral da Cultura Popular e Espetáculos, promoveu e organizou as Campanhas de Dinamização Cultural: «era preciso explicar ao povo português o programa do MFA» (Manuel Begonha, 1943-). Partilhava-se então a convicção de que, através das Campanhas de Dinamização Cultural, as populações locais poderiam ver as suas necessidades atendidas e, simultaneamente, seriam chamadas a aderir ao projeto revolucionário em curso e a estreitar a sua relação com as Forças Armadas, até então vistas como parte do aparelho repressivo do Estado Novo. O programa das campanhas de Dinamização Cultural foi criado a partir de junho, por iniciativa do general Francisco da Costa Gomes (1914-2001) e apresentado a 23 de outubro de 1974, na vigência do 3º Governo Provisório, chefiado por Vasco Gonçalves (1921-2005), no Palácio Foz, em Lisboa. Seria coordenado pela Comissão Dinamizadora Central (CODICE), uma estrutura da 5ª Divisão do Estado Maior das Forças Armadas, em colaboração com a Direção Geral da Cultura e Espetáculos. Uma das primeiras ações teve lugar logo em novembro no distrito da Guarda, com cadetes da Academia Militar.
    Em novembro equacionava-se também a extensão aos Açores e à Madeira, tendo uma delegação chegado ao Funchal e feito logo reunião no domingo, dia 18, apresentando o elenco da futura comissão do Funchal. Deslocaram-se à ilha da Madeira 3 membros da Comissão Dinamizadora Central, major Carlos Eduardo Cação da Silva (), 1.º tenente da Armada Gastão Alexandre Pessoa Guerreiro (1944-2008) e capitão Francisco Faria Paulino (1945-), tal como o eng. Vasco Pinto Leite (1936-), diretor-geral dos Espetáculos e Cultura Popular. A comissão local determinada nessa manhã no Palácio de São Lourenço por voto secreto entre oficiais do quadro e milicianos, tal como de sargentos, era constituída pelos capitães Câmara Rodrigues e José Manuel Reboredo Coutinho Viana (1946-), aspirante Albano Manuel Montenegro Bessa Monteiro (1949-) e o capitão Rui Carita (1946-). Foram ainda eleitos nessa manhã para fazerem parte da comissão o capitão José Jorge Frutuoso da Silva (1922-1982), o pintor Jorge Marques da Silva (1936-2022) e José Júlio Caldeira Leal. O objetivo deste programa era fortalecer a aliança entre o Povo e o MFA, assumido como um movimento libertador. As Campanhas de Dinamização Cultural e Ação Cívica do MFA foram idealizadas para serem uma ferramenta no fortalecimento desta relação que condensava os ideais da fação progressista do MFA. O seu programa apontava várias linhas a abordar no contacto com as populações – a luta antifascista, o programa do MFA, o apoio às Forças Armadas, a isenção partidária e a análise e discussão da problemática nacional. Mas todos estes problemas deviam ser abordados com “inteligência política”, considerando “que cada comunidade possui uma cultura própria que não deve ser agredida. Pretende-se levar informação e estabelecer um diálogo que permita a participação no processo de democratização em que o País se encontra envolvido a partir dos problemas efetivamente vividos por essa comunidade”.