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Arquipelago de Origem:
Terceira (Açores)
Data da Peça:
1922-00-00
Data de Publicação:
28/09/2023
Autor:
Mestre local
Chegada ao Arquipélago:
2023-09-28
Proprietário da Peça:
Irmandade do Espírito Santo da Serreta
Proprietário da Imagem:
Privado
Autor da Imagem:
Privado
Império do Espírito Santo da Serreta, 1922, Angra do Heroísmo, ilha Terceira, Açores.

Categorias
    Descrição
    Império do Espírito Santo.
    Alvenaria de pedra rebocada e pintada, 1922.
    Fotografia de 2020 (c.)
    Serreta, Angra do Heroísmo, ilha Terceira, Açores.

    O município de Angra do Heroísmo conta com um total de 45 impérios construídos entre 1670 a 1998, a arquitetura é muito semelhante entre todos normalmente quadrangulares ou retangulares e com apenas um piso, embora alguns possam ter cave. Alguns deles incluem um edifício anexo designado por despensa, aqui é guardado o pão, carne e vinho utilizados nas festividades locais.
    Ao longo do século XIX, um aspeto algo festivo e de grande impacto visual, fora dos normais padrões do gosto continental europeu, aparece nas ilhas centrais açorianas: os Impérios do Divino Espírito Santo, sendo assim todos reconstruidos nesse e no século seguinte. Este especial tipo de culto de caráter assistencial e de solidariedade, tenazmente independente das estruturas oficiais da Igreja Católica, teria sido comum no continente europeu, mas não sobreviveu ali à centralização determinada pelo Concílio de Trento (1545-1563), mantendo-se nas ilhas dos Açores e da Madeira, embora aqui sem os Impérios e na dependência das paróquias, provavelmente, pela sua situação de periferia e, também, pelas dificuldades dos vários prelados eleitos no continente em imporem localmente a sua autoridade, quando somente possuíam quadros locais para o fazer.
    Com a emigração de casais madeirenses e açorianos para o povoamento de Santa Catarina em meados do século XVIII, esta zona passou então a consagrar uma muito especial devoção à Festa do Divino, mas que já conhecia alguma expressão, inclusivamente, no Rio de Janeiro, como regista Jean-Batiste Debret (1768-1848) por 1830, como, entre outras, “Festa do Divino Espírito Santo no Rio de Janeiro”, litografia pub. in Voyage Pittoresque et Historique au Brésil, ou séjour d´un artiste française au Brésil, depuis 1816 jusqu´en en 1831 inclusivement, Paris, 1834 a 1839. A partir do do século XIX, em princípio, especialmente na ilha Terceira, difunde-se nos impérios, nome das sedes das irmandades do Divino, onde se guardam e expõem os elementos deste culto, nomeadamente, a coroa e o cetro, o estandarte e as varas, um tipo de arquitetura francamente festiva e sem paralelo no continente europeu e na restante arquitetura açoriana. Sendo estes eventos, essencialmente, pagos por “festeiros”, embora sob o controlo da irmandade local, mas festeiros muitas vezes emigrantes e, nos meados do XIX, no Brasil, tudo leva a crer que estejamos perante um tipo de gosto veiculado por esses emigrantes. Parece, assim, que uma arquitetura vernacular brasileira, a que não era estranho o gosto pelo exótico e pelo orientalismo, chegou aos Açores pela mão de emigrantes brasileiros e com a sua necessidade de afirmação local.