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Arquipelago de Origem:
Funchal
Data da Peça:
1912-03-00
Data de Publicação:
01/04/2024
Autor:
João dos Reis Gomes
Chegada ao Arquipélago:
2024-04-01
Proprietário da Peça:
ABM
Proprietário da Imagem:
Imprensa Académica/ABM
Autor da Imagem:
Imprensa Académica/ABM
Guiomar Teixeira por J. Reis Gomes, Funchal, Heraldo da Madeira, 1912, ilha da Madeira

Categorias
    Descrição
    Guiomar Teixeira por J. Reis Gomes
    (1869-1950)
    Funchal, Oficinas do Heraldo da Madeira, 1912.
    Fotografia pub. Paulo Miguel Rodrigues, in Teatro Municipal de Baltazar Dias, Funchal, Imprensa Académica, abril de 2019, p. 159.
    Funchal, ilha da Madeira.

    Em 1913 teve o Teatro Funchalense as várias representações da peça do capitão João dos Reis Gomes, intitulada Guiomar Teixeira, sendo introduzido pela primeira vez o cinema como apoio a ação representada. Esta peça tinha por base a novela histórica A Filha de Tristão das Damas, que o autor publicara em 1909, logo noticiada em Lisboa, como então a versão para teatro. Entraram em cena elementos da família Reis Gomes, como o próprio autor, tal como da família do capitão Alberto Artur Sarmento (1878-1953), para além de outras personalidades da principal sociedade funchalense. Os trajos da época e os adereços foram desenhados pelo antigo diretor da Escola Industrial do Funchal, professor Cândido Pereira (1872-c. 1935), já então no continente e a execução do cenário foi encomendada em Madrid. A representação desta peça tem sido considerada um dos pontos altos da cultura madeirense, sendo a primeira vez que a nível nacional e em teatro, se utilizaram efeitos especiais com base no cinema. Marca também esta peça o início duma época de revivalismo histórico, que teria o seu apogeu em 1922, com as Comemorações do V Centenário do Descobrimento da Madeira e onde a peça voltou a ser reposta. O êxito da peça foi tal, que logo nesse ano foi convidada a Companhia Dramática Italiana, Vitaliani-Duse para se deslocar uma vez mais ao Funchal e repor a peça então em italiano, o que veio a acontecer em 1914, então como La Figlia dei Vice-Ré.
    João dos Reis Gomes (Fx. 5 jan. 1869-Id. 21 jan. 1950), oficial de Artilharia e escritor, interessou-se, sobretudo, pelo teatro, de que recolheu um importante acervo fotográfico e bibliográfico na sua Quinta Esmeraldo, a São Martinho, onde faleceu, infelizmente, parcialmente perdido com o seu falecimento, dado se encontrar no andar térreo e a propriedade ter ficado muitos anos inabitada. Frequentou as Escolas do Exército e Politécnica e foi oficial de Artilharia, onde foi promovido a major em 1916. Foi comandante da bateria de Guarnição da Madeira e Inspetor do Material de Guerra, reformando-se com esse posto. Licenciado em Engenharia Industrial, lecionou as disciplinas de Ciências, de 1900 a 1928 no Liceu do Funchal e, de 1928 a 1939, na Escola Industrial e Comercia de António Augusto de Aguiar, da qual foi diretor. Jornalista e escritor, foi fundador e redator efetivo do Heraldo da Madeira, distinguindo-se pelas suas críticas teatrais e sendo um profundo conhecedor dos assuntos desse meio, foi um dramaturgo de mérito, além de novelista, contista, crítico e filósofo de arte. Sócio correspondente da Academia de Ciências de Lisboa (classe de Letras) e oficial e comendador da Ordem de Santiago do Mérito Científico, Literário e Artístico, teve também reconhecimento fora do país, sendo membro de honra da Federação das Academias de Letras do Brasil e oficial da Academia de França.