Grupo Folclórico da Casa do Povo da Camacha, Quinta da Camacha, 2015 (c.), ilha da Madeira.
Categorias
Descrição
Grupo Folclórico da Casa do Povo da Camacha.
Fotografia de 2015 (c.).
Pub. por Luís Rocha, Funchal Notícias.net de 1 de novembro de 2025, devendo ter a mesma data e origem da publicada muito semelhante por Nelson Veríssimo, “Freguesias da Madeira: Camacha”, 21 de setembro de 2025.
Quinta da Camacha, ilha da Madeira.
O Grupo Folclórico da Casa do Povo da Camacha foi fundado em março de 1948 com o objetivo de representar a Madeira e Portugal no Concurso Internacional de Danças de Madrid, em Espanha, evento em maio desse ano, em que foi agraciado com o 2º lugar na modalidade de Danças Mistas. O dia 1 de novembro foi a data escolhida para a celebração do seu aniversário. O seu primeiro diretor artístico foi Carlos Maria dos Santos (1893-1955), etnógrafo que realizou inúmeras recolhas sobre as músicas, danças, trajes e costumes de todo o arquipélago da Madeira contribuindo de forma muito relevante para a projeção deste Grupo dentro e fora do país. Graças ao grande número de homens e mulheres que passaram pelo Grupo Folclórico da Casa do Povo da Camacha, a sua atividade permaneceu ininterrupta desde 1948, fazendo dele o mais antigo grupo de folclore na Região Autónoma da Madeira.
No século XIX e nos princípios do seguinte, a Camacha atraiu portugueses e estrangeiros endinheirados que construíram quintas para residirem no verão. Destruídas ou arruinadas as quintas, a Camacha deixou de ser hoje lugar de veraneio. As vilegiaturas pertencem ao passado. A tradição oral aponta, e uma escultura de Amândio de Sousa (1934-2021), de 1969, regista, que, no ano de 1875, se jogou futebol, pela primeira vez em Portugal, na Achada, por iniciativa de Harry Hinton (1857-1948), nas imediações da quinta do seu pai. A obra de vimes e as flores foram, no século XX, produtos de referência desta freguesia, muito apreciados pelos turistas. Algumas camacheiras requereram, inclusivamente, na Alfândega do Funchal, licença de bomboteira, para poderem vender flores a bordo dos navios que ancoravam no Funchal. Em 1933, a Câmara do Funchal determinou que as floristas, com atividade na cidade, deveriam vestir-se de acordo com suposta tradição (saia listada colorida, camisa branca, capa e colete vermelho, debruados de verde, carapuça azul e bota chã). Esta indumentária veio a ser vulgarmente denominada como o traje das camacheiras e até, impropriamente, de regional.