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Arquipelago de Origem:
Freguesia da Sé (Funchal)
Data da Peça:
1937-00-00 00:00:00
Data de Publicação:
23/10/2021
Autor:
Não identificado
Chegada ao Arquipélago:
2021-10-23
Proprietário da Peça:
ABM/ARM
Proprietário da Imagem:
ABM/ARM
Autor da Imagem:
Não identificado
Grand Café, Hotel Golden Gate e Delegação de Turismo da Madeira, fotografia de 1937 (c.), Funchal, ilha da Madeira.

Categorias
    Descrição
    Grand Café, Hotel Golden Gate e Delegação de Turismo da Madeira.
    Fotografia classificada de 1937.
    Coleção ABM, PER+1228
    Avenida Arriaga, frente à Entrada da Cidade e futura Avenida Zarco.
    Funchal, ilha da Madeira.

    No edifício Golden Gate, nos finais do século XIX, já funcionava um café, mas não identificado e, para o lado do mar, também funcionava o então Hotel Central. A data de 1841 para a fundação deste café, é, assim, excessiva, embora já funcionasse em 1910, de acordo com o Roteiro/Guia do Funchal dos Irmãos Trigo, n.ºs 6 e 7 da Entrada da Cidade (p. 32). Nessa data, sobre o Golden existia o Novo Clube Restauração, com entrada pelo n.º 12, “com um bom gabinete de leitura, diversos jogos e um magnífico salão restaurante” (p. 33). No edifício para o lado do mar existia o Grande Hotel Central, Entrada da Cidade, n.ºs 3 e 5, “dispondo de excelentes acomodações para 56 hóspedes. Não possui jardim, mas tem uma magnífica e espaçosa varanda sobre a avenida da Entrada da Cidade onde, na estação de verão, são servidos refeições e refrescos aos seus hóspedes” (Idem, p. 26). Mais se informava, em 1910, que aquele hotel tinha “como anexos diversos estabelecimentos onde os hóspedes e o público podem recrear-se e adquirir pequenas lembranças da Madeira, como o ‘Madeira Bazar’, ‘Bazar Brasileiro’ e ‘Café do Rio’” (p. 27).
    Por 1921, entretanto, já ali funcionava o Hotel Golden Gate, mas em edifício de um só andar, com restaurante, o café e a casa de bilhares, mais tarde. Em 1928, a Câmara Municipal do Funchal, permite à empresa de João Carlos Aguiar & Cª, proprietária do Golden Gate, ocupar metade do passeio da futura avenida Gonçalves Zarco, então ainda Entrada da Cidade, o que já acontecia para o Passeio Público, hoje Avenida Arriaga, ali funcionando o Bazar Brasileiro, para a então Praça da República. Deve datar desta época a ampliação para mais um andar, passando a utilizar a designação de Grande Hotel Golden Gate, sendo já local de reuniões políticas, onde se prepara a Revolta da Madeira de 1931 e tertúlias literárias, como a do Cenáculo. Em 1931 já disponha de toldos no primeiro andar, sinal de ali funcionar também café e restaurante.
    Em 1933, entretanto, Ferreira de Castro (1898-1974), no romance Eternidade, escreveria: “Aquele ângulo do Funchal era entre as esquinas do Mundo, dos mais dobrados pelo espírito cosmopolita do século”, transcrição inaugurada com medalhão de bronze do autor, em 2001, trabalho do escultor Ricardo Velosa (1947-). A 28 de maio de 1934 seria inaugurada, quase em frente, a grande estátua de Zarco do escultor Francisco Franco (1885-1955), executada entre 1924 e 1927, pelo que, em 1937, se iniciam as obras de alargamento da parte antiga virada à avenida Gonçalves Zarco, que tornariam o local ainda mais cosmopolita, situação que se manteve nos anos seguintes, tendo todo o edifício sido reconstruído por 1950, com arranjos interiores na década seguinte, mas deixando de funcionar como hotel depois de 1974 e sendo ocupado por secretarias do Governo Regional, mas mantendo o café e o restaurante. Em 1998, o grupo Regency Hotels & Resorts, sob a orientação do arquitecto Diogo Lima de Mayer (1954-), ainda procedeu a importantes obras no espaço. Passando por diversas mãos, entretanto, o Café Golden Gate acabou por encerrar a 3 ago. 2014 devido à insolvência da sociedade que o explorava, a Santolido. O emblemático Café Golden Gate foi depois vendido em hasta pública, em nov. 2016, por 4,748 milhões de euros, numa operação conduzida pelo Governo Regional da Madeira, após entendimento com o proprietário, o Millennium BCP. Reabriu, de novo, a 1 jul. 2017.