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Arquipelago de Origem:
Fonte, José Lemos Silva, ilha da Madeira
Data da Peça:
2022-00-00
Data de Publicação:
01/04/2022
Autor:
Chegada ao Arquipélago:
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Autor da Imagem:
Fonte, José Lemos Silva, ilha da Madeira

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    Descrição
    Fonte
    Fotografia de José Lemos Silva, ilha da Madeira

    Pena de água
    .
    Antes da entrada em vigor do «sistema métrico decimal», as quantidades ou os fluxos de água que se mediam os caudais das nascentes, fontes, levadas, etc., tinham por unidade a «pena» [1]. Uma «pena de água» é um cálculo ou medida, que se exprime pela quantidade de água necessária para encher 1 litro no espaço de 1 minuto [ou 60 segundos]. Uma «pena de água» era subdividida, em «meias penas» [1 litro em 2 minutos] e em «quartos de pena» [1 litro em 4 minutos]. No abastecimento doméstico em regra [!?] eram vendidas aos «quartos de pena», na sua maioria. Assim, cada «pena de água» correspondia a um rendimento diário de cerca de 1440 litros se o caudal fosse ininterrupto [24 h X 60 l/h]. Por outro lado, oito penas correspondiam a um «anel» [ou «anel de água»] e, dezasseis «anéis» equivaliam a uma «manilha» [2]. Uma «manilha» era um determinado caudal de água a sair num orifício com um palmo de circunferência [cerca de 22cm].
    Antigamente, a medida [ou cálculo] do caudal das levadas era denominado de «telha» [3], o equivalente a cerca de 300 «penas» [300 litros por minuto ou de 5 litros por segundo]. Presentemente, os novos canais são subdivididos em «levadas ou regadeiras» [também conhecidos por «braços de água»] que medem um caudal de cerca de 900 penas [900 litros por minuto ou 15 litros por segundo], que correspondem a cerca de três «telhas».
    (José Lemos Silva, março de 2022)
    [1] «Pena de água, medida usada em partilhas de água, da grossura aproximada de uma pena de pato. (Lat. penna).» In: FIGUEIREDO, Cândido de [1913], «Novo Diccionário da Língua Portuguesa», p. 1513.
    [2] «Que a medida das aguas se faz por manilha, annel e penna, contendo cada manilha 16 anneis, e cada annel 8 pennas.» In: MENEZES, Servulo Drummond, [1850], «Secretário Geral do Governo Civil do Funchal» - «Uma Epoca Administrativa da Madeira e Porto Santo, a Contar do dia 7 de outubro de 1846», vol. 2.º, Funchal, Tipografia Nacional, p. 60.
    [3] […] «A Levada da Azenha é assim chamada pelo facto de passar no açude da primeira azenha do Caniço, construída na margem direita da Ribeira do Caniço, a cerca de duas centenas de metros do povoado, à beira do Caminho do Concelho de Santa Cruz para o Funchal. Começa no fundo da Nogueira pela captação das águas de estio da Ribeira do Caniço aqui chamada Ribeira do Boi.» […] «No Verão tem o caudal de uma telha de água, pouco mais de 300 penas, reforçada com outra meia telha avultada que traz a Levada do Pico do Arvoredo que se lhe vem juntar na Ribeira do Caniço, acima do actual moinho da Vitória. Em finais do século passado foi registada na Conservatória da antiga Comarca Oriental do Funchal e depois na Conservatória do Registo Predial da Comarca de Santa Cruz, sob o nº 496- LO 8- 4, fls. 27 4 e nº 492, LO 37, fls. 124vº respectivamente. Em 1921, uma hora de água da Levada da Azenha valia entre 50 a 100 escudos.» In: RIBEIRO, João Adriano, FREITAS, José Lourenço de Gouveia e FERNANDES, José Baptista (1995), «Moinhos e Águas do Concelho de Santa Cruz», Câmara Municipal de Santa Cruz, p. 80.