Flandres, Notas e Impressões, Manuel da Costa Dias, Lisboa, Imprensa Libânio da Silva, 1920, Portugal.
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Manuel da Costa Dias (1883-1930), Flandres, Notas e Impressões, Lisboa, Imprensa Libânio da Silva, 1920, Portugal.
Manuel da Costa Dias (Ponta do Pargo, 18 out. 1883; Lisboa, 24 jul. 1930), militar, professor, político, intelectual e escritor madeirense, casou com D. Helena Ribeiro Costa Dias, de quem teve dois filhos. Na juventude, entretanto, frequentou o Seminário Diocesano do Funchal e o Liceu do Funchal. Mais tarde, já no continente, frequentou o Instituto Industrial e Comercial do Porto e a Escola do Exército. Como militar, iniciou a carreira em 1903 e, mais tarde, prestou serviço em Angola, em 1910, como colaborador do governador do Huíla, o Cor. João de Almeida, e, em 1915, numa expedição do Gen. Pereira de Eça, onde desempenhou as funções de chefe dos serviços administrativos de Humbe e Cuamato. Participou ainda na Primeira Guerra Mundial, tendo terminado a carreira militar com o posto de major. Como professor, foi lente proprietário da Nona Cadeira do Exército da Escola de Guerra e das cadeiras de Política Económica Colonial e Direito Aduaneiro Colonial da Escola Superior Colonial. Na qualidade de lente da Escola Superior Colonial, participou do Conselho do Comércio Externo, que funcionava no Ministério dos Negócios Estrangeiros. Fez parte da Delegação Portuguesa à Comissão das Reparações em Paris e à Comissão Executiva da Conferência da Paz, de 1919, para a obtenção das reparações alemãs por prejuízos em África anteriores à declaração de guerra. Foi deputado pela Madeira nas legislaturas de 1915 e 1925. Enquanto deputado,
encontramo-lo a integrar, em 1916-1917, a Comissão de Finanças e a Comissão do Orçamento e a apresentar uma proposta de lei sobre a organização das milícias coloniais. Na legislatura de 1925, apresenta, no âmbito da Comissão do Comércio e Indústria, um relatório sobre o novo regime de fabrico e comércio de tabacos em Portugal. Teve igualmente uma extensa colaboração com a imprensa de Lisboa e do Funchal, tendo redigido, enquanto aluno do Liceu do Funchal, o jornal republicano O Democrata. De entre as obras que escreveu, destacam-se: Campanha contra Soult, conferência, de 1909; As Subsistências no Exército Aliado Anglo-Luso quando da Guerra Peninsular, conferência proferida em dezembro de 1909 e publicada no mesmo ano pela Imprensa Nacional; Colonização dos Planaltos de Angola, de 1913; A Guerra-Peninsular de 1807-1811, de 1913, e Administração Militar: Resumo as Principais Disposições Regulamentares em Portugal sobre os Seus Diferentes Serviços em Tempo de Paz, de 1918. Esta última obra conheceu quatro edições, sendo a quarta de 1924. Escreveu ainda, como memória da Primeira Guerra Mundial, em que participou, o livro Flandres, com edição de 1920. Manuel da Costa Dias foi condecorado com várias medalhas de campanha em África e Flandres, nomeadamente de Bom Comportamento, de Bons Serviços dos Aliados, de Solidariedade do Panamá e Cruz de Guerra, e pela sua participação e desempenho na Batalha de La Lys, em abril de 1918. Foi ainda comendador das ordens de Santiago, Avis e Cristo.
Obras de Manuel da Costa Dias: As Subsistências no Exército Aliado Anglo-Luso quando da Guerra Peninsular (1909); Campanha contra Soult (1909); A Guerra-Peninsular de 1807-1811 (1913); Colonização dos Planaltos de Angola (1913); Administração Militar: Resumo das Principais Disposições Regulamentares em Portugal sobre os Seus Diferentes Serviços em Tempo de Paz (1918); Flandres (1920). Bibliog.: CLODE, Luiz Peter, Registo Bio-Bibliográfico de Madeirenses. Sécs. XIX e XX, Funchal, Caixa Económica do Funchal, 1983; PORTO DA CRUZ, Visconde do, Notas & Comentários para a História Literária da Madeira. 3.º Período: 1910-1952, vol. 3, Funchal, Câmara Municipal do Funchal, 1953. (Pedro Caridade de Freitas, DEM 4)