Fernão Ornelas de posse da Câmara, Re-Nhau-Nhau, n.º 174, Ano VI, Funchal, 19 de janeiro de 1935, ilha da Madeira
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Descrição
Fernão Ornelas de posse da Câmara.
Desenho de João Ivo Ferreira (1910-1980), in Re-Nhau-Nhau, n.º 174, Ano VI, Funchal, 19 de janeiro de 1935, capa.
Exemplar da Biblioteca Municipal do Funchal, ilha da Madeira.
Fernão Manuel de Ornelas Gonçalves (Funchal, 14 jun. 1908; Lisboa, maio 1978). Filho do médico Dr. Fernão de Sousa Gonçalves e de Gabriela de Ornelas, frequentou o Liceu do Funchal e a Faculdade de Direito de Lisboa, sendo nomeado subdelegado do Procurador da República em 17 dez. 1932 e vindo a ser Presidente da Comissão Administrativa da Câmara Municipal do Funchal de 12 Jan. 1935 a 22 Out. 1946, somente com 27 anos, desenvolvendo uma espantosa actividade que se tornaria lendária. Seria depois director do Banco da Madeira, em Lisboa, integraria o Conselho da Administração da Caixa Geral de Depósitos, da Hidroeléctrica do Cavado e do Banco Pinto & Souto Maior. Quando na sequência do pronunciamento do 25 de Abril se instituiu a Autonomia Regional, ainda foi sondado em Lisboa para aceitar o lugar de Ministro de República, mas as suas condições de saúde já não o permitiram.
O periódico humorístico Re-Nhau-Nhau teve o primeiro número a 20 dez. 1929, com direção de Gonçalves Preto (1907-1971) e editou-se até aos anos 70 e inícios de 80, atravessando todo o período do Estado Novo. Acompanhou, assim, entre outros aspetos da vida política madeirense, a atuação da vereação de Fernão Ornelas (1908-1978), caricaturando-o de calções e de triciclo, dada a sua pouca idade ao tomar conta da Câmara, mas render-se-ia, depois à sua atuação, colocando-o ao colo do Zé madeirense, com a legenda de que “bem o merece”, quando se configurava o seu afastamento, acrescentando: O Dr. Fernão Ornelas, que já passou por esta página de variadíssimas formas, de triciclo, de automóvel, de avião, de tanque bombardeiro, etc., hoje passa ao colo do respetivo Zé como filho amado da nossa família municipal (Funchal, 10 out. 1946).
O principal criador da figura de Fernão Ornelas neste periódico foi depois o desenhador civil Paulo Sá Braz (1919-2003), quer como caricaturista, quer como gravador. Com o falecimento de Gonçalves Preto, a empresária Maria Mendonça (1916-1997) assumiria a direção, em 1971, mas sem a colaboração daquele ilustrador, que passou a colaborar com o depois célebre Comércio do Funchal (1967-1975) e empresária que ainda compraria o título, mas que poucos anos o conseguiria publicar, sendo o último número oficial de 20 dez. 1977, embora com números pontuais até 29 set. 1981. Paulo Sá Braz ainda viria colaborar depois num novo Re-Nhau-Nhau dado como (Nova Série), A História Alegre da "Madeira Nova", onde aparece também um caricaturista de traço muito semelhante, Alírio Sequeira, que assinava Toríbio, periódico que se publicou entre 1996 e 1997, sensivelmente, quase clandestino, em fotocópias, não resistindo, assim também muito tempo.