Image
Arquipelago de Origem:
Freguesia da Sé (Funchal)
Data da Peça:
1924-06-24
Data de Publicação:
24/08/2020
Autor:
Fotografia Vicentes
Chegada ao Arquipélago:
2020-08-24
Proprietário da Peça:
ABM/ARM
Proprietário da Imagem:
ABM/ARM
Autor da Imagem:
Fotografia Vicentes
Fernando Clairouan com viola de 9 cordas, Funchal, 24 junho 1924, ilha da Madeira

Categorias
    Descrição
    Fernando Clairouan com viola de 9 cordas
    (1897-1962)
    Pormenor da fotografia com o sexteto Passos Freitas: Fernando Clairouin, Florêncio Abreu, Carlos de Gouveia, Manuel Pereira Júnior, Carlos Gonçalves e Roldão Abreu
    Fotografia Vicentes de 24 de junho de 1924 (VIC 20252), Funchal, ilha da Madeira

    Guitarrista e compositor, Fernando Clairouin (1897-1962) foi responsável pela direção e regência do Sexteto Dr. Passos Freitas. O grupo realizou uma digressão a Paris e Londres em 1928 e nesse âmbito gravou um conjunto de discos para a sociedade His Master Voice e atuou na BBC. Na edição de 19 de abril de 1928 o Diário de Notícias anunciou a partida do Sexteto Passos de Freitas no dia 16, para França e Inglaterra, a bordo do navio Ceylan com finalidade de realizar “uma serie de concertos”. Os espetáculos tiveram início em julho de 1928. Deste grupo musical faziam parte Fernando Clairouin, Florêncio Abreu, Carlos de Gouveia, Manuel Pereira Júnior, Carlos Gonçalves e Roldão Abreu (Paulo Esteireiro, 2008).
    Em 17 de maio de 1928, o Sexteto Dr. Passos Freitas, embarcou no navio “Ceylan”, para uma tournée artística com destino a Inglaterra e França. A viagem viria a ser extremamente bem-sucedida, resultando na gravação de vários discos para a Sociedade «His Master’s Voice», numa época em que ter gramofones era um luxo de poucos e a gravação de discos um sonho quase impossível para os músicos madeirenses. Em 23 desse mês, o grupo desembarcava em Inglaterra. A viagem não serviu apenas para os habituais enjoos, tendo o grupo aproveitado para tocar em algumas ocasiões a bordo. O Diário de Notícias de 27 de maio noticiava mesmo que o Sexteto havia atuado diversas vezes a bordo do “Ceylan”, sendo «sempre aplaudidíssimo», o que demonstra bem a boa aceitação do público ao grupo ou pelo menos a grande amizade nutrida pelo redator do Diário.
    A chegada a Inglaterra levanta-nos algumas questões interessantes. Quem os esperava em Londres? E como surgiu a oportunidade de realizar esta tournée a um dos principais centros europeus? A solução mais provável é a que aponta para alguns contactos ingleses que o grupo terá realizado nos hotéis do Funchal, nas suas atuações em concertos de caridade. Deste modo, algumas famílias aristocráticas inglesas, que passaram férias no Funchal e que ouviram o grupo a atuar ainda na Madeira, terão criado laços de afeto com elementos do grupo e, consequentemente, convidado o Sexteto para a realização de concertos em Londres. Já na capital britânica, o grupo realizou então alguns concertos em salões aristocráticos, tendo ainda sido apoiado por D. Manuel de Bragança (o último rei de Portugal, exilado então em Londres), que auxiliou o sexteto na realização de dois concertos públicos, de grande envergadura, num dos maiores “music-halls” de Londres (embora desconheçamos qual).
    Nesses concertos, o grupo voltou a agradar ao público, de tal modo que foi convidado por elementos da companhia de gramofones «His Master’s Voice» para gravar alguns dos números do seu programa. O convite acabou mesmo por se concretizar e, no dia 13 de junho, o Sexteto gravou 12 discos, segundo informações da época, embora atualmente só tenhamos conhecimento do paradeiro de 5 deles. Convém salientar que os discos em 1928 não eram como nos nossos dias e que cada um continha apenas a gravação de duas músicas. Logo, 5 discos equivalem a 10 músicas (é possível que tenha havido alguma confusão e o grupo tenha gravado apenas 12 músicas, logo 6 discos, e não 12 discos). O grupo musical liderado por Fernando Clarouin durou cerca de 40 anos, embora com formações diferentes (ora quinteto, ora septeto, ora sexteto, ora octeto...). Curiosamente, embora seja praticamente certo que na viagem a Inglaterra e França só terão ido seis elementos, com base nas notícias dos Diários da época e do jornal parisiense “L’Estudiantina” (que contém inclusivamente uma foto do sexteto), nos discos a autoria é remetida para o «Septêto Passos Freitas sob a direção de Fernando Clarouin». Um mistério que fica para aprofundar noutra ocasião. (Paulo Esteireiro)