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Arquipelago de Origem:
Belém
Data da Peça:
1880-00-00
Data de Publicação:
25/06/2020
Autor:
Vários
Chegada ao Arquipélago:
2020-06-25
Proprietário da Peça:
Instituto do Património
Proprietário da Imagem:
Rui Carita
Autor da Imagem:
Rui Carita
Fachada principal do Mosteiro dos Jerónimos, 1880 (c.), Belém, Lisboa, Portugal

Categorias
    Descrição
    Fachada principal do Mosteiro dos Jerónimos.
    Reposição e reconstrução de 1880 e seguintes.
    Fotografia de 23 de junho de 2020.
    Museu de Marinha e Museu Nacional de Arqueologia, Belém, Lisboa, Portugal.

    A Casa Pia de Lisboa, fundada em 3 de julho de 1780 e instalada no Castelo de São Jorge, transitou para a zona monacal do Mosteiro dos Jerónimos após a extinção das ordens religiosas, não sem antes ter passado pelo Convento do Desterro.
    Fez-se sentir de imediato a necessidade de obras e, após a nomeação para provedor de José Maria Eugénio, em 1855, os trabalhos arrancaram sem qualquer projeto-base. A sua posição, na continuidade da igreja dos Jerónimos, que resistira ao terramoto de 1755, a permitir uma fácil comparação, obrigava a sério estudo e, embora o manuelino devesse ser utilizado, o arquiteto, sem servilismo, tinha de levar em conta a harmonia do conjunto. No entanto, as obras progrediram sempre um pouco ao sabor dos ventos, dirigidas ora por uns ora por outros, até que, cerca de 1867, o provedor, arbitrariamente, as entregou a Bambois e Cinatti, dupla de cenógrafos do Teatro de São Carlos. Aproveitaram algo do que estava feito e riscaram um corpo central que atingia oitenta metros de altura, formado por três partes distintas que se sobrepunham ou encastelavam. Mas não se saíram bem e em 18 de dezembro de 1878, poucos dias após ter sido colocada no nicho que sobrepujava o janelão a estátua da Caridade, cinzelada por Simões de Almeida, verificou-se a derrocada dessa zona,
    Uma onda de protesto se levantou por todo o país e O Conimbricense, por exemplo, ao noticiar a catástrofe, que roubou a vida a oito operários, escrevia não causar admiração o acontecido, uma vez que a obra era dirigida por «um simples empreendedor de trabalhos». A verdade é que a construção ora avançava ora paralisava, e em 1895 ainda se abriu um concurso a fim de serem apresentadas propostas tendentes à sua conclusão, mas, apesar disso, acabou por ser utilizada uma verdadeira solução de compromisso (Pedro Dias). Pub. in Marcos da Arte Portuguesa, Pub. Alfa, Lisboa, 1986, n.º 108