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Arquipelago de Origem:
Belém
Data da Peça:
1870-00-00
Data de Publicação:
01/02/2021
Autor:
Bambois e Cinatti
Chegada ao Arquipélago:
2021-02-01
Proprietário da Peça:
Museu de Marinha
Proprietário da Imagem:
Rui Carita
Autor da Imagem:
Rui Carita
Fachada poente do edifício do Museu de Marinha, mosteiro dos Jerónimos, José Cinatti e A. Rambois, 1869, Belém, Lisboa, Portugal

Categorias
    Descrição
    Fachada poente do edifício do Museu de Marinha, mosteiro dos Jerónimos.
    Reconstrução de Giuseppe Cinatti (1808-1879) e Achille Rambois (1810-1882), 1869.
    Fotografia de 11 de julho de 2020.
    Complexo do mosteiro dos Jerónimos, Belém, Lisboa, Portugal.

    A Casa Pia de Lisboa, fundada em 3 de julho de 1780 e instalada no Castelo de São Jorge, transitou para a zona monacal do Mosteiro dos Jerónimos após a extinção das ordens religiosas, não sem antes ter passado pelo Convento do Desterro. Fez-se sentir de imediato a necessidade de obras e, após a nomeação para provedor de José Maria Eugénio, em 1855, os trabalhos arrancaram sem qualquer projeto-base. A sua posição, na continuidade da igreja dos Jerónimos, que resistira ao terramoto de 1755, a permitir uma fácil comparação, obrigava a sério estudo e, embora o manuelino devesse ser utilizado, o arquiteto, sem servilismo, tinha de levar em conta a harmonia do conjunto. No entanto, as obras progrediram sempre um pouco ao sabor dos ventos, dirigidas ora por uns ora por outros, até que, cerca de 1867, o provedor, arbitrariamente, as entregou a Bambois e Cinatti, dupla de cenógrafos do Teatro de São Carlos. Aproveitaram algo do que estava feito e riscaram um corpo central que atingia oitenta metros de altura, formado por três partes distintas que se sobrepunham ou encastelavam. Mas não se saíram bem e em 18 de dezembro de 1878, poucos dias após ter sido colocada no nicho que sobrepujava o janelão a estátua da Caridade, cinzelada por Simões de Almeida, verificou-se a derrocada dessa zona,
    Uma onda de protesto se levantou por todo o país e O Conimbricense, por exemplo, ao noticiar a catástrofe, que roubou a vida a oito operários, escrevia não causar admiração o acontecido, uma vez que a obra era dirigida por «um simples empreendedor de trabalhos». A verdade é que a construção ora avançava ora paralisava, e em 1895 ainda se abriu um concurso a fim de serem apresentadas propostas tendentes à sua conclusão, mas, apesar disso, acabou por ser utilizada uma verdadeira solução de compromisso (Pedro Dias). Pub. in Marcos da Arte Portuguesa, Pub. Alfa, Lisboa, 1986, n.º 108