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Arquipelago de Origem:
Portugal
Data da Peça:
1400-00-00
Data de Publicação:
19/03/2021
Autor:
Não identificado
Chegada ao Arquipélago:
2021-03-19
Proprietário da Peça:
Não identificada
Proprietário da Imagem:
Não identificado
Autor da Imagem:
Não identificado
Estela de cavaleiro da Ordem de Cristo, 1300 a 1400, Museu Nacional de Arqueologia, Lisboa, Portugal.

Categorias
    Descrição
    Estela de sepultura de cavaleiro da Ordem de Cristo.
    Pedra esculpida, 1300 a 1400 (c.)
    Fotografia de 25 de outubro de 2019.
    Museu Nacional de Arqueologia, Lisboa, Portugal.

    Uma Estela é um monumento, um memorial de pedra, que serve para lembrar alguém ou algum momento importante e, neste caso, por certo, trata-se de um monumento funerário, a avaliar pelo espigão, que teria sido cabeceira de uma sepultura. O seu formato superior discoide e com símbolo cruciforme, uma ‘Cruz Pátea’, pouca definida, com os extremos dos braços arredondadas, parece associado aos antigos monges-cavaleiros ‘Templários’, da Idade Média, os quais, em Portugal, deram origem à Ordem de Cristo.
    Face à extinção dos Templários, o rei D. Dinis (1261-1325) fundou a Ordem de Cristo, como continuadora da Ordem do Templo, confirmada em Avignon pelo então papa João XXII, através da bula Ad ea exquibus de 14 de março de 1319. Assim, todos os cavaleiros e bens da primitiva Ordem foram transferidos para a nova Ordem de Cristo, que assentou a sua sede no castelo de Castro Marim, no Algarve, na fronteira com a Andaluzia e em apoio ao reino de Sevilha, reconquistado em 1248. Em 1357, na sequência da batalha do Salado, de 1340, que assegurou o domínio cristão na área, a sede foi transferida para Tomar, regressando ao ponto de partida. Com a transferência dos bens para a Ordem de Cristo, os Templários viram garantida a continuação da sua atividade. Registe-se que, de certa forma, nada diferenciava a Ordem de Cristo da antiga Ordem do Templo. Nem mesmo o seu nome: Ordem de Cavalaria de Nosso Senhor Jesus Cristo (Ordo Militiae Jesu Christo), que equivale ao nome original da Ordem do Templo: Ou Comilitionum Christi, isto é, Cavaleiros de Cristo, conforme reza o prólogo à Regra templária, redigido no Concílio de Troyes. O hábito, inclusivamente, permaneceu o mesmo e a própria insígnia, a cruz potenteada, recebeu apenas uma ligeira alteração, com o seu interior preenchido por uma cruz grega, branca. Mais tarde, os extremos da cruz vão ser modificados, transformando-se a cruz pátea, arredondada, na atual Cruz de Cristo, que assume, simbolicamente, com D. Manuel, governador da Ordem, um valor idêntico ao da insígnia real (o escudo de Portugal) e ao do seu corpo de empresa (a esfera armilar).
    A Ordem de Cristo refundou assim a Ordem do Templo e, de entre todos os casos de manutenção dos bens templários e de continuação da sua vocação, este terá sido, porventura, em toda a Europa, o caso mais singular de reencontro da vocação inicial com os novos tempos da Alta Idade Média e, depois da Idade Moderna. Com a nomeação de D. Gil Martins como mestre, igualmente mestre da Ordem de Avis, foi-lhe dada como regra a cisterciense, aspeto que séculos antes já se aflorara na fundação da inicial Ordem dos Templários, sendo superior espiritual da Ordem de Cristo o abade de Alcobaça, definindo Gil Martins que, depois da sua morte, os novos monges elegessem um seu mestre próprio. A 11 de junho de 1321, um capítulo reunido em Tomar adotou então a regra da Ordem de Calatrava, o que resolvia quaisquer matérias de pendência espiritual e de obediência, mantendo-se na esfera da cavalaria. Depois do exercício de 7 mestres da Ordem até 1417, o cargo de mestre passou a ser desempenhado pelos dignitários da Casa Real por nomeação depois com aval papal, passando a ostentar o título de Governadores e Administradores.