Entrevista com a autora da estátua da Madre Virgínia, Pedras Vivas/JM, n. 66, Funchal, 6 de fevereiro de 2022, ilha da Madeira
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Descrição
Entrevista com a autora da estátua da Madre Virgínia
(1860-1929),
"Fiquei muito sensibilizada" com a figura da Madre Virgínia
Escultura de bronze, 2,30 m., de Maria José de Brito.
Padre Gizelo Andrade in Pedras Vivas/JM, n. 66, 6 de fevereiro de 2022
Funchal, ilha da Madeira
Madre Virgínia, nascida Virgínia da Silva, foi uma católica, freira da Ordem de Santa Clara e mensageira do Imaculado Coração de Maria. Nasceu no Lombo dos Aguiares, a 24 de outubro de 1860 e faleceu a 17 de janeiro de 1929. A estátua de bronze, com 2,30 m. de altura, da autoria da escultora Maria José de Brito e foi adquirida pela Associação Madre Virgínia.
Na ocasião da inauguração da estátua, 17 de janeiro de 2022, o presidente da Câmara Municipal do Funchal, Pedro Calado, admitiu estar a viver “um dia histórico para o Funchal, para a freguesia de Santo António e para a Madeira”, lembrando que a Madre Virgínia foi um “exemplo de dedicação à causa social, tendo dedicado a sua vida à causa dos mais desfavorecidos”. O seu processo diocesano de canonização, terminou a 2 de outubro último e encontra-se bem encaminhado. O autarca frisou que “uma vida sem fé é uma vida pobre, mas a fé sem obras ainda mais pobre fica” sublinhando que com a cerimónia de hoje, a CMF quis transmitir à população “que estamos todos juntos por uma causa, o trabalho pelo próximo, o trabalho pelos mais desfavorecidos e o trabalho pelo reconhecimento deste grande exemplo de vida que nos tem de manter a todos”.
Presente na cerimónia, o Bispo do Funchal, D. Nuno Brás referiu que “o Funchal presta homenagem a uma das suas filhas mais ilustres, que teve a coragem de lutar pelos direitos de Deus e pelos direitos do Homem”. A cerimónia contou ainda com as presenças do bispo emérito D. Teodoro de Faria, do Presidente da Assembleia legislativa da Madeira, José Manuel Rodrigues e do Presidente do Governo Regional da Madeira, Miguel Albuquerque. Por questões de segurança, o acesso pedonal ao interior da rotunda não será permitido, tendo a Câmara Municipal criado uma zona de ‘contemplação’, através do alargamento do gaveto da Rua do Campo do Marítimo com o Caminho da Igreja, o qual passa a dispor de mobiliário urbano adequado à sua funcionalidade, nomeadamente bancos, papeleiras e placa toponímica (Emanuel Silva, funchal notícias.net, 17 jan. 2022)
Madre Virgínia Brites da Paixão (Lombo dos Aguiares, 24 out. 1860-ib., 24 out. 1929), nascida Virgínia da Silva, foi uma católica, freira da Ordem de Santa Clara e mensageira do Imaculado Coração de Maria. Aos 15 anos de idade confiou em sua orientação espiritual ao padre Ernesto João Schmitz (1845-1922) e, aos 16, ingressou no mosteiro de Nossa Senhora das Mercês, no Funchal, onde professou, aos 21 anos, em 1 nov. 1881, escolhendo o seu nome em homenagem à madre Brites da Paixão (c. 1632-1733), filha natural do 6.º morgado do Caniço, Aires de Ornelas e Vasconcelos (1620 -1689), que lhe teria oferecido a célebre imagem do Senhor da Paciência com quem a irmã falava como se fosse viva, segundo a tradição dos mosteiros das Mercês e, depois, de S.to António do Lombo dos Aguiares. Com o encerramento dos mosteiros pela I República, a partir de 1911 volta à casa dos pais, no Lombo dos Aguiares e, a partir de 1913, regista uma série de visões, que comunica ao seu confessor, padre João Prudêncio da Costa (), em que Jesus, sob a forma de Sagrado Coração, lhe pede para se tornar mensageira do Imaculado Coração de Maria, correndo ainda hoje o seu processo de beatificação. Com o falecimento da madre Virgínia da Paixão, em odor de santidade, a 17 de janeiro de 1929, na área da sua casa foram reunidas as imagens de devoção com que as Irmãs tinham vindo do encerrado convento das Mercês e nasceria, algumas décadas depois, o pequeno convento de Santo António do Lombo dos Aguiares, dentro da primeira regra de clausura de Santa Clara.
Maria José Nunes de Brito é doutorada em Belas Artes pela Universidade Clássica de Barcelona e Licenciada pela Faculdade de Belas Artes de Lisboa. Desde 2006 tem-se dedicado às Artes Plásticas quase a tempo inteiro, mantendo, no entanto, algumas incursões no ensino das Artes. São de referir as exposições individuais de Pintura em 2006, 2007, 2008, 2009 e 2010, e a sua participação em coletivas, elevando-se às centenas. É, no entanto, na Escultura, sua área de formação académica, que detém o maior número de obras públicas, sendo de realçar os bustos do dono das Caves D. Teodósio, do Padre Américo e do Dr. António Fortuna. Tem duas esculturas de grande porte: “Apelo à Leitura”, que se encontra à porta da Biblioteca do Instituto Politécnico da Guarda, e “Mão Ganhadora”, que se encontra no relvado da Escola Superior de Tecnologia do Barreiro.