Image
Arquipelago de Origem:
Freguesia da Sé (Funchal)
Data da Peça:
1944-03-15
Data de Publicação:
17/01/2024
Autor:
Foto Figueiras
Chegada ao Arquipélago:
2024-01-17
Proprietário da Peça:
Museu de Fotografia da Madeira, Atelier Vicente's
Proprietário da Imagem:
ABM/ARM
Autor da Imagem:
Foto Figueiras
Emigrantes para Curaçau junto da agência Teixeiras & Co. da Rua das Murças no Funchal, 15 de março de 1944, ilha da Madeira

Categorias
    Descrição
    Emigrantes para Curaçau junto da agência Teixeiras & Co da Rua das Murças no Funchal
    Fotografia de Álvaro Nascimento Figueira (1885-1967), Foto Figueiras, 15 de março de 1944.
    Museu de Fotografia da Madeira-Atelier Vicente's, PHF 1256, em depósito na DRABM
    A Madeira e os Ventos da Emigração, exposição coordenada por Sara Moura e Filipe dos Santos, Museu de Fotografia da Madeira, Atelier Vicente's,
    Átrio interior do edifício do Governo Regional, 2023 e 2024
    Avenida Arriaga, Funchal, ilha da Madeira.

    Ao longo dos séculos, a Emigração sempre esteve presente no imaginário e na vida dos madeirenses e dos porto-santenses, que olhavam o oceano como um mar de oportunidades. Também no século XX foram muitos os que partiram em busca de novos mundos, novas realidades e melhores condições de vida, numa aventura que não se apresentava fácil, e em que as despedidas eram marcadas pela incerteza do regresso. Atravessaram mares, conheceram tempestades, percorreram terras distantes, com coragem, resistência e, claro, muita saudade. Nos tempos idos, a vida de muitos emigrantes em terras longínquas contínua a ser um mistério. Muitos chegavam às Américas, a África, e não mais voltavam. Outros tantos mantinham o contacto, escreviam, enviavam cartas com dinheiro para casa. Outros enviavam as "cartas de chamada", através das quais chamavam a mulher e os filhos para as novas terras de acolhimento.
    As décadas de 50 e de 60 provocaram uma profunda alteração das estruturas produtivas nacionais, num processo crescente, mas quase que aparentemente invisível. Sem ser de início muito percetível, houve uma perfeita debandada dos campos, que progressivamente se despovoaram. Em relação à Madeira, as populações rurais dirigiram-se primeiro para o Funchal e daí emigrando para novos destinos, como a Venezuela, a África do Sul, o Canadá e a Austrália, assim como, com o apoio estatal, para o Brasil e as colónias de África. No entanto o principal destino era indubitavelmente a Venezuela, registando o Boletim da Junta de Emigração, que em 1960 havia cerca de 40.000 portugueses ali, na quase totalidade de origem madeirense.
    A Junta da Emigração, estrutura criada em 1947, passou a controlar de muito perto todo este movimento, que se saldava depois por uma importante quantidade de divisas entradas em Portugal. O quantitativo de cerca de 4.000 trabalhadores que após a II Grande Guerra foram para Curaçau, por exemplo, fez entrar na Ilha cerca de um milhão de contos, para além de inúmeras pensões de reforma nos anos seguintes da década de 60. Só em 1959, teriam entrado 66.000 contos. Na década de 60 declinou a emigração para Curaçau, quando a Venezuela passou a ter as suas refinarias de petróleo. Regressaram assim à Madeira a maior parte dos trabalhadores emigrados, com as suas economias, mas passando alguns para aquele último país.