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Arquipelago de Origem:
Porto
Data da Peça:
2021-09-29
Data de Publicação:
30/09/2021
Autor:
Vários
Chegada ao Arquipélago:
2021-09-30
Proprietário da Peça:
João Carita
Proprietário da Imagem:
João Carita
Autor da Imagem:
João Carita
Eléctrico frente às Igrejas das Carmelitas e da Ordem Terceira do Carmo, 2021, Porto, Portugal

Categorias
    Descrição
    Elétrico frente às Igrejas das Carmelitas e da Ordem Terceira do Carmo (primeiro plano).
    Mestre local, 1619 e José de Figueiredo Seixas (c. 1710-1773), c. 1756
    Fotografia de João Carita, 29 de setembro de 2021.
    Porto, Portugal

    As igrejas do Carmo e das Carmelitas parecem uma só, mas têm histórias muito diferentes. Ficam lado a lado, separadas por uma casa estreita, que chegou a ser habitada e que dá acesso à torre sineira. No entanto, para lá chegar, é necessário subir três andares e passar por cima da abobada da igreja das Carmelitas. A Igreja das Carmelitas foi a primeira a ser construída e fica junto ao antigo Convento de Nossa Senhora do Porto (atual quartel da GNR). É uma igreja do século XVII, com uma fachada clássica, mas um interior riquíssimo, em talha rococó portuense. Foi a primeira casa dos monges da ordem das Carmelitas Descalças. A primeira pedra foi lançada a 5 de Maio de 1619 e a obra ficou concluída em 1622. A Igreja do Carmo é mais recente, datando da segunda metade do século XVIII. Assim, o estilo rococó (caracterizado por uma enorme profusão de detalhes decorativos) está bem mais patente, tanto na arquitetura exterior como no interior. Os azulejos que cobrem a fachada lateral foram colocados em 1912. São da autoria de Silvestre Silvestri e são alusivas ao culto de Nossa Senhora.
    José de Figueiredo Seixas é quem mais de perto segue a lição de Nicolau Nasoni. Como Nasoni, iniciou a sua carreira como pintor, trabalhando com ele desde a década de 1730 e falecendo no mesmo ano do seu mestre — 1773. O seu interesse pela teoria está patente na tradução da segunda parte do tratado de perspectiva de André Poso, que efectua em 1732, e no Tratado da Ruação, redigido já no final da sua trajectória artística, em que inflecte para propostas de teor racionalista decorrentes do novo programa urbanístico que se processava no Porto. Além de vários trabalhos que executou para esta cidade, Figueiredo Seixas foi encarregado de traçar o risco para a igreja da Ordem Terceira do Carmo, dedicada a Santa Teresa, que se ergueria paredes meias com a seiscentista igreja dos Carmelitas. A planta nada tem de notável, pois segue o esquema habitual de ampla nave rectangular destinada a receber retábulos de talha, mas a fachada surge intimamente vinculada ao estilo de Nasoni, acusando muitos pontos de contacto com a igreja da Misericórdia. Aí podemos observar grinaldas, anjos sentados, jarras e estátuas, isto é, o mesmo vocabulário ornamental aprendido com o seu mestre. No entanto, as cornijas de linhas ondulantes acentuam o ritmo ascensional, que aqui toma características pessoais. De resto, a intervenção de Nasoni nesta fachada é conhecida, pois Seixas concebera uma varanda de balaústres a toda a largura da frontaria, que foi reprovada por mestre Nicolau em 1762, aconselhando a que a mesma se limitasse ao espaço correspondente às duas janelas e nicho central, o que realmente aconteceu (texto de Pedro Dias).
    Pub. in Marcos da Arte Portuguesa, Pub. Alfa, Lisboa, 1986, n.º 96.