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Arquipelago de Origem:
Sri Lanka - Ceilão
Data da Peça:
1925-00-00
Data de Publicação:
10/04/2020
Autor:
Fotógrafo do antigo Ceilão
Chegada ao Arquipélago:
2020-04-10
Proprietário da Peça:
The National Archives UK
Proprietário da Imagem:
The National Archives UK
Autor da Imagem:
Fotógrafo do Ceilão
Don Arthur de Silva Wijesinghe Siriwardena e a sua guarda pessoal de lascarins, 1925 (c.), Pavilhão do Governo de Ceilão, Kandy, Sri Lanka

Categorias
    Descrição
    The Sinhalese guard of honour in attendance in the Padikara Mudali Nanayakkara Rajawasala Appuhamilage Don Arthur de Silva Wijesingha Siriwardana
    Don Arthur de Silva Wijesingha Siriwardana (1889-1947)
    Don Arthur de Silva Wijesinghe Siriwardena e a sua guarda pessoal de lascarins, 1925 (c.), Pavilhão do Governo de Ceilão, Kandy, Sri Lanka.
    The National Archives UK (CO 1069-575-27)
    Ceylon Government Pavilion, Kandy, Sri Lanka

    O termo lascarim evoluiu, quer no espaço quer no tempo, mas sendo geralmente aceite que designava os mercenários de origem persa, indiana ou africana. De acordo com o doutor Sultan Al-Qasimi [1], tal palavra deriva de lascar, em árabe askar, que significa "guarda" ou "soldado", nomeando, assim quer um soldado quer um marinheiro local. Nos dicionários portugueses o significado torna-se, logicamente, mais específico, designando um soldado da Índia ou do Ceilão, em cingalês, "laskirigngna", com origem que recua ao persa laxhkari, ou talvez ao aramaico. Laskar na língua persa significa "exército" e na Índia, "força militar", pelo que ao longo do século XIX passou a indicar simplesmente elementos de recrutamento local, que no Ceilão se mantiveram até aos meados do XX, como guarda pessoal e cerimonial.
    Lascarim aparece referido por Fernão Lopes de Castanheda, logo por 1538, para os soldados locais [2], tal como por D. João de Castro, em 1540 a 1541, no Roteiro do Mar Roxo, informando que os melhores procediam da Etiópia [3]. O Dicionário da Língua Portugueza de Rafael Bluteau, regista lascarim como marinheiro que levava a mulher e os filhos com ele [4], aspeto que parece de alguma forma confirmado no códice Casanatense, onde um soldado aparece acompanhado de uma mulher, que lhe oferece uma planta, talvez uma flor ou uma especiaria, sob o título “Lascarins do Reino de Cambaia[5]. A designação acompanhou os tempos, passando aos holandeses como “Lascorijne”, depois, aos ingleses, como “Lascariin”, “Lascarine” ou “Lascoreen”, etc., sempre como referência a tropas contratadas anteriormente pelos portugueses no século XVI, quando já haviam passado séculos, embora restringindo os ingleses o termo ao antigo Ceilão, hoje Sri Lanka.
    As palavras lascarim e lascaris foram e são também usadas como nome de família, inclusivamente, no Brasil. A referência mais antiga deve ser a princesa bizantina Vataça Lascaris, que chegou a Portugal em 1282, como dama de companhia da rainha Isabel de Aragão, de quem ainda era família e cuja arca tumular, datável de 1336, ano do seu falecimento e decorada com três águias bicéfalas, subsiste na sé velha de Coimbra.

    [1] Al-Qasimi, Sultan bin Muhammad, Power Struggles and Trade in the Gulf 1620-1820, Sharjah, Al Qasimi Publications, 2013, p. 20.
    [2] Castanheta, Fernão Lopes de, História dos Descobrimentos e Conquista da Índia pelos Portugueses, 9 vols, Coimbra, Impresa da Universidade, 924-1933, vol. II, p. 57 e vol. IV, p. 83:
    [3] Roteiro do Mar Roxo de Dom João de Castro, 1540, fac-simile do códice da British Library, Ms. Cott. Tib. DIX, Londres, com introdução de Luís de Albuquerque, Lisboa, Inapa, 1991;
    [4] Bluteau, Rafael, Dicionário da Língua Portugueza, vol. II, Lisboa, Oficina de Simão Tadeu Ferreira, 1789, p. 9.
    [5] Codex Casanatense 1889, pp. 87-88, Biblioteca Casanatense, Roma, Fl. 68. Cf. Imagens do Oriente no Séc. XVI. Reprodução do Códice Português da Biblioteca Casanatense, apresentação e notas de Luís de Matos, Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1985.