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Arquipelago de Origem:
São Pedro (Funchal)
Data da Peça:
1799-00-00
Data de Publicação:
13/10/2026
Autor:
Nicolau Ferreira
Chegada ao Arquipélago:
2026-10-13
Proprietário da Peça:
Convento de Santa Clara do Funchal
Proprietário da Imagem:
Rita Rodrigues
Autor da Imagem:
Rita Rodrigues
Descida da Cruz, óleo de Nicolau Ferreira, 1799, igreja do convento de Santa Clara do Funchal, Ilha da Madeira

Categorias
    Descrição
    Descida da Cruz,
    Óleo sobre tela de Nicolau Ferreira (1731-c. 1800), 1799.
    Fotografia de Rita Rodrigues.
    Igreja do convento de Santa Clara do Funchal, Ilha da Madeira.

    Nicolau Ferreira Duarte (1731-c. 1800) Descendente dos Ferreira Duarte, estabelecidos na ilha da Madeira por volta de 1696, Nicolau Ferreira Duarte, pintor, nasceu na freguesia da Sé, no Funchal, a 10 de setembro de 1731. Era filho de Francisco Ferreira Duarte e de Josefa Maria da Encarnação, de Câmara de Lobos, casados na Catedral a 19 de julho de 1727. Eram seus avós paternos Francisco Ferreira Duarte e Maria dos Santos Correia da Silva, casados na Sé a 22 de outubro de 1699. O seu avô, falecido no Funchal em 1736, era natural da freguesia de Nossa Senhora do Alecrim, em Lisboa, sendo filho de António Ferreira Duarte e de Filipa João, naturais e moradores em Lisboa. A sua avó era natural da Sé e filha de Francisco da Silva Fortes, insigne mestre pedreiro, responsável pelas obras da igreja do Bom Jesus, em Ponta Delgada, e de Helena Correia da Silva, naturais e moradores no Estreito de Câmara de Lobos. O pintor era
    ainda neto materno de João Gomes da Silva Faria e M.ª Soeira da Silva Fernandes, naturais do Estreito de Câmara de Lobos.
    Nicolau Ferreira, pintor de óleo, registado, nos vários documentos a ele alusivos, como pintor, mestre desse ofício e ainda oficial de pintor, executou, essencialmente, pintura de cavalete, mas também pintou tetos, frontais, pendões, tarjas e bandeiras, e ainda realizou acrescentamentos, consertos, retoques e restauros em diversos retábulos, como atestam algumas referências arquivísticas: em 1756, recebeu 1$125 réis por consertar quadros do altar do Bom Jesus, na Sé; em 1757, foi registado num distrato de 11$000 réis na Confraria do Bom Jesus, também na Sé; nos anos 1763-1764, arrematou em leilão, por 4$000 réis, tábuas de pinho, juntamente com o seu pai, que pagou 4$978 réis por tabuado de pinho (Alfândega do Funchal); em 1780, foi anotado em registo notarial; entre 1780 e 1788, recebeu 4$000 réis por retocar o retábulo da capela de S. Francisco Xavier, na matriz da Ponta do Sol; entre 1784 e 1789, recebeu 7$450 réis pelo retrato do bispo D. José da Costa Torres; em 1789, recebeu 4$000 réis por retocar o retrato do bispo defunto D. Gaspar Afonso da Costa Brandão; de 1784 a 1796, encomendou materiais de pintura (pano, livros de ouro, tintas, feitio de um frontal) – Confraria do SS.mo (matriz da Ponta do Sol); em 1789, recebeu 50$000 réis por pintar quatro quadros dos altares do corpo da igreja, na Sé; foi anotada a encomenda e parte (?) do pagamento do retrato de D. José da Costa Torres; no ano de 1796, encontra-se a referência a uma tela para a capela de N.ª Sr.ª da Graça, em Porto Santo; em 1800, recebeu 7$000 réis por conta de um painel e mais 10$000 réis pelo resto do painel S. Miguel e as Almas do Purgatório (Sé). Nicolau Ferreira Duarte está documentado nas contas do Seminário (Mosteiro Novo), no ano económico de 1754-1755, data mais recuada em que o encontramos registado como pintor, a acrescentar e a consertar o retábulo de Nossa Senhora do Bom Despacho (3$000 réis) para a boca do camarim e, em 1755-1756, recebendo pagamento pelo feitio de um quadro (4$000 réis). Tendo nascido em 1731, praticava a arte da pintura com apenas 23 anos. Por algumas referências arquivísticas, e uma vez que o último quadro assinado, S. Miguel e as Almas do Purgatório (Sé), data de 1800, cremos que Nicolau Ferreira faleceu com mais de 70 anos. O pintor rubricou algumas das suas obras, assinando como “Nicolao Ferrª.”, “Nîcoláo Ferrª.”, “Nicolaus Frrª.” ou “Niculaus Frrª.”, a que se seguia sempre “fecit”, “o fes” ou “fes em” e a indicação do ano (Rita Rodrigues, DEM 4).