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Arquipelago de Origem:
Nampula
Data da Peça:
1985-00-00
Data de Publicação:
03/10/2020
Autor:
Não identificado
Chegada ao Arquipélago:
2020-10-03
Proprietário da Peça:
Arquivos pessoais
Proprietário da Imagem:
Arquivos pessoais/D. Manuel Vieira Pinto
Autor da Imagem:
Arquivos pessoais
D. Manuel Vieira Pinto nos arredores de Nampula, 1985 (c.), Moçambique

Categorias
    Descrição
    D. Manuel Vieira Pinto
    (1923-2020)
    Arredores de Nampula, 1985 (c.)
    Arquivos pessoais, Porto, Portugal
    Nampula, Moçambique.

    Manuel da Silva Vieira Pinto (Aboim, Amarante, 9 dez. 1923; Porto, 1 maio 2020). Ordenado em 7 de agosto de 1949, na Sé Catedral do Porto, teve ordenação episcopal a 29 jun. 1967, na igreja da Trindade, chegando a Nampula a 24 de setembro de 1967, em plena Guerra Colonial. Em 1972 aceitou a administração apostólica da diocese da Beira, tendo sido nomeado arcebispo de Nampula em 6 jun. 1984, lugar que resignou em 2000, retirando-se para o Porto, onde passou a residir.
    Na sua diocese de Nampula escreveu diversas cartas pastorais e uma razoável quantidade de reflexões sociopolíticas baseadas nos acontecimentos que então se desenrolavam em Moçambique, e de que se destacam «Caminhos de novas estruturas missio-pastorais», «Na hora da viragem» e «Das missões à Igreja local», chegando a aceitar a administração apostólica da dioceses da Beira, face à saída intempestiva de Ferreira Cabral. Em março de 1974, D. Manuel Vieira Pinto, aprovara um documento assinado pelos missionários da sua diocese a trabalharem no Norte de Moçambique (34 padres, 19 irmãos e 41 irmãs), sob o título "Imperativo de Consciência", que não agradou ao governo de Marcelo Caetano. O documento da discórdia defendia uma "resposta corajosa aos problemas graves do povo moçambicano" e destinava-se inicialmente a ser apresentado exclusivamente na Conferência Episcopal de Moçambique, mas acabaria por chegar ao domínio público.
    Pelos temas abordados relacionados com a orientação política ultramarina e das condições sociais de Moçambique, gerou-se uma hostilização popular para com os padres combonianos mentores do documento, então perseguidos e agredidos, sendo exigida também a sua expulsão do país. Nem mesmo a intervenção do Núncio Apostólico, evitou a ordem de expulsão, chegando os padres a serem insultados e agredidos. D. Manuel Vieira Pinto recebeu ordens para se deslocar para Lourenço Marques, posteriormente foi transferido pela Direcção-Geral de Segurança (D.G.S) para a Namaacha, ali ficando retido pela polícia com o falso pretexto de ser uma medida necessária para proteção da sua integridade física, ficou impedido de contactar com alguém e de receber visitas. Por ordem do governo o bispo abandonou depois Moçambique, sem, no entanto, deixar "lavrado" o seu descontentamento, pelo que deixou uma declaração comprovada pelo seu advogado da sua diocese em que redigiu: "Fica bem claro que saio de Moçambique por ordem do Governo e contra a minha vontade". Na chegada ao aeroporto de Lisboa foi impedido de dialogar com os jornalistas dos meios de comunicação nacional e estrangeiro e até mesmo com os seus familiares, ficando hospedado no Cartaxo, na residência do seu amigo de longa data, João Ribeiro da Costa, sempre vigiado por elementos da PIDE até ao 25 de Abril de 1974, a partir do que regressou a Moçambique.
    Nos primeiros dias após o 25 de Abril de 1974, o General António Spínola (1910-1996) convidou-o a integrar o Conselho de Estado, o que recusou e, regressado a Moçambique, foi eleito Presidente da Conferência Episcopal de Moçambique (CEM), em 1 de janeiro de 1975. No Moçambique pós-independência, continuou a bater-se pela dignidade, pelos direitos e pelas liberdades do povo moçambicano. Nesse contexto, teve várias entrevistas com dirigentes do país, incluindo os Presidentes Samora Machel (1933-1986) e Joaquim Chissano (1939-). Lutou assim por todos os meios ao seu alcance pelo fim da guerra entre a Frelimo e a Renamo, cujas atrocidades denunciou publicamente. Em maio de 1984, numa entrevista com o Presidente Samora Machel, falou-lhe abertamente da guerra civil fratricida e propôs-lhe o início urgente de negociações políticas com a Resistência. Ainda que discretamente, teve um importante papel no processo de mediação e das negociações para a paz em Moçambique. Mesmo depois de realizado o processo eleitoral em Moçambique, encontrou-se com Afonso Diakhama (1953-2018) a fim de garantir a aceitação dos resultados eleitorais por parte da Renamo, com o sentido de preservar a paz a todo o custo.
    Por ocasião da Homenagem Nacional que lhe foi promovida no Porto, a 31 de outubro de 1992, nas comemorações dos 25 anos da sua ordenação episcopal, seria agraciado com a Ordem da Liberdade pelo Presidente da República Dr. Mário Soares (1924-2007). Em 21 de Novembro de 1992, a Câmara Municipal de Amarante atribuiu-lhe a Medalha de Ouro do Município e, de dezembro de 1992 até janeiro de 1998 ainda exerceu as funções de Administrador Apostólico de Pemba (antiga Porto Amélia), em Moçambique. No ano de 1995 e seguintes, tem uma ação destacada na instalação da Universidade Católica em Moçambique, a cuja direção pertencerá. Passou a arcebispo resignatário da Arquidiocese de Nampula, com o título de Arcebispo Emérito, desde 16 de novembro de 2000.