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Arquipelago de Origem:
Curral das Freiras
Data da Peça:
2025-11-00
Data de Publicação:
Autor:
Vários
Chegada ao Arquipélago:
2025-11-29
Proprietário da Peça:
Vários
Proprietário da Imagem:
Anabela Gomes/Funchal Notícias.net
Autor da Imagem:
Anabela Gomes
Curral das Freiras, novembro de 2025, Câmara de Lobos, ilha da Madeira.

Categorias
    Descrição
    Curral das Freiras.
    Fotografia de Anabela Gomes, novembro de 2025.
    Curral das Freiras, Câmara de Lobos, ilha da Madeira.


    A ampla depressão do Curral das Freiras distingue-se pela presença de uma plataforma situada a cerca de 640 metros de altitude e que corresponde ao topo de uma grande massa rochosa deslocada. Sobre os depósitos do deslizamento, desenvolveu-se a povoação. As terras do Curral foram dadas, de sesmaria, a João Ferreira e a sua mulher Branca Dias, por João Gonçalves Zarco (c. 1390-1471). O Curral Grande, como então se denominava, era, sobretudo, lugar de criação de gado. João Ferreira e Branca Dias, em 1447, doaram esta propriedade à sua neta, Branca Teixeira. O segundo capitão do Funchal, João Gonçalves da Câmara (c. 1440-1501), comprou o Curral Grande a Rui Teixeira e à sua mulher, Branca Teixeira, em 11 de setembro de 1480, para dote de duas suas filhas, que professaram depois no convento de Beja e estavam em Santa Clara do Funchal em 1497. O Curral passou, por conseguinte, a ser propriedade do Convento. Lá se refugiaram as freiras clarissas em 1566, quando os corsários saquearam o Funchal.
    Esta freguesia sempre se ressentiu do isolamento. Somente em 1933 teve autorização para a instalação de um posto de telefone público. A inauguração da estrada EN n.º 203, troço da Eira do Cerrado ao Curral, ocorreu em 5 de agosto de 1959. Finalmente, chegou o automóvel ao sítio das Casas Próximas, do Curral das Freiras, num trajeto sinuoso, com dois túneis. Anteriormente, apenas existiam caminhos pedonais. Em 10 de junho de 2004, foi inaugurado novo túnel rodoviário, com uma extensão de 2383 metros de comprimento, entre a Ribeira da Lapa e o Curral das Freiras, que veio permitir acesso mais rápido à freguesia e substituir o troço perigoso da antiga estrada. Ainda hoje, a única via de acesso provoca constrangimentos nas deslocações à sede do concelho (Câmara de Lobos), nas intempéries e derrocadas. Por diversas vezes, há mais de sessenta anos têm sido anunciados projetos de ligação ao Estreito de Câmara de Lobos, Jardim da Serra e Boaventura. O projeto de eletrificação da freguesia data de 1957, mas ficou concluído somente em julho de 1962.
    Desde o século XVI, o Curral tem sofrido violentos incêndios. Na ata da vereação de 16 de outubro de 1546, da Câmara do Funchal, ficou registado um incêndio na Ribeira dos Socorridos, «o qual se ateou de maneira que fez grande dano e não se lhe pôde atalhar nem era possível com poder de homens apagar». Deflagrou por «querer um homem com fogo tirar uma abelheira de um toco de árvore». Nessa reunião camarária, condenou-se também a prática de atear fogo em giestas e feiteiras nas terras, onde se pretendia semear, fixando-se uma coima para os prevaricadores. O último grande incêndio ocorreu em agosto de 2024. Começou nas serras da Ribeira Brava no dia 14, atingiu o Curral das Freiras na noite de 17 e esteve ativo até ao dia 20.
    Nelson Veríssimo, “Freguesias da Madeira: Curral das Freiras”, Funchal Notícias.net, 9 de novembro de 2025.