Crucifixo de bronze Bakongo do leilão Zemanek-Münster de junho de 2019, trabalho de 1890 (c.), Cabinda, Norte de Angola ou República Democrática do Congo
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Descrição
Crucifixo de bronze Bakongo "nkangi kiditu".
Crucifix "nkangi kiditu", 19th century; R. D. Congo, Bakongo · ID: 3045627
Bronze fundido, 28,5 x 13,5 cm.
Escultor Congo ou Bakongo, 1890 (c.)
Cabinda, Norte de Angola ou República Democrática do Congo.
Proveniente da French Missionary Collection (Missionary Society of the Holy Spirit) Abbaye Notre-Dame de Langonnet, Musée Africain, France (since 1894); Gottfried Künzi (1864-1930), Oberdorf / Solothurn Switzerland; fotógrafo René Rickli (1909-2013), Olten, Switzerland.
Fotografia de 16 de maio de 2019.
Leilão Zemanek-Münster, 92th Tribal Art Auction, 29 de junho de 2019, lote 101, vendido por 6.000 euros, Munique, Alemanha.
Bronze, cast in the lost wax casting process (“cire perdue”), the crucifix was donated to French Missionaries of the Missionary Congregation of the Holy Spirit (“Spiritans”) by an African dignitary to decorate their church. From 1894 it was kept in the Abbey of Our Lady in Langonnet, which had been taken over by the Spiritans in 1858. A typical Kongo crucifix, depicting a crucified Christ, two orants sitting above the crossbar, and a kneeling figure below, likely symbolizing the Virgin Mary. Such crucifixes were originally venerated as religious icons (both in Catholic and Syncretic cults), though after the decline of the Christian faith they became emblems of rank used by Kongo chiefs and kings.
Comparing literature: Jill Rosemary Dias (1944-2008), África nas Vésperas do Mundo Moderno, Comissão para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, Lisboa, 1992, Exposição Universal de Sevilha, 1992, p. 280; Felix, Marc L. (ed.), Kongo Kingdom Art, China 2003, p. 205; pub. Schädler, Karl-Ferdinand, Afrika, Maske und Skulptur, Olten 1989, ill. 107
Os Nkangi Kiditu (crucifixo) evidenciam, por um lado, a influência formal que os crucifixos levados pelos portugueses a partir do séc. XVI tiveram na cultura Kongo e, por outro, as diversas reinterpretações que lhes foram sendo dadas ao longo dos séculos. Amuletos e insígnias de poder, os Nkangi Kiditu detêm um papel determinante no culto que esta cultura presta aos seus antepassados. A cruz cristã representa, na tradição Kongo, yowa (os quatro ventos, os quatro pontos cardinais, as quatro forças criadoras do ciclo da vida), como objetos com propriedades mágicas que asseguram aos seus detentores proteção. Existem inúmeros exemplares em bronze, de artífices do Congo em vários museus e coleções particulares, talvez mesmo ainda dos meados do século XVIII, como os exemplares da Sociedade de Geografia de Lisboa ou do Museu Etnográfico de Berlim e depois, do século seguinte, como os do Museu Nacional de Etnologia, Lisboa, pub. António Alves Ferronha, "Textos e principais documentos sobre a colonização e o conhecimento de Angola no século XVI" in Portugal no Mundo, direcção de Luís de Albuquerque, vol. II, As zonas de influência do Ocidente. Origem e desenvolvimento da colonização, Publicações Alfa, Lisboa, 1989, p. 286.