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Arquipelago de Origem:
Chaul
Data da Peça:
1988-00-00 00:00:00
Data de Publicação:
20180202
Autor:
D. João de Castro
Chegada ao Arquipélago:
2017-01-27 00:00:00
Proprietário da Peça:
Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra
Proprietário da Imagem:
Inapa
Autor da Imagem:
Inapa
Chaul, Tábuas dos Roteiros da Índia de D. João de Castro, Lisboa, Inapa, 1988, Portugal

Categorias
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    • Aguarela
Descrição
Chaul
Tábuas dos Roteiros da Índia de D. João de Castro, introdução de Luis de Albuquerque, Lisboa,
Inapa, 1988.
Fac-simile do códice 33 do cofre da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, Portugal.

Em março de 1508, o porto e o mar ao largo de Chaul, a cerca de 350 quilómetros ao norte de Goa e apenas a 60 quilómetros ao sul de Bombaim, foram palco de uma das mais referidas batalhas navais da presença portuguesa no Oriente: a Batalha de Chaul, primeira derrota naval portuguesa na Ásia. Uma pequena frota portuguesa foi surpreendida por uma outra islâmica, comandada por Mir Hussein e armada por Malik Aiyaz, que os portugueses designavam por Meliqueaz, então governador de Diu. Tratava-se de uma unidade fortíssima, composta e armada pela conjugação de esforços do sultanato mameluco do Cairo e de Alexandria, de mercenários rumes, ou seja, turcos, do Samorim de Calecute e ainda mercenários da república de Veneza, entre outros. O comandante português, o jovem D. Lourenço de Almeida, filho do primeiro vice-rei D. Francisco de Almeida (1450-1510), ao bater em retirada, morreu com a destruição do seu navio na barra de Chaul. Em causa estava o domínio dos mares da Índia, até então sob o controlo mercantil muçulmano, suportado pelo império otomano e apoiado pela república de Veneza, que os portugueses recém-chegados ao Índico colocavam em causa, desviando as mercadorias do Oriente que chegavam à Europa para a Rota do Cabo. A retaliação não se fez esperar e, a 3 de fevereiro de 1509, uma armada portuguesa comandada pelo próprio D. Francisco de Almeida desfez a frota do Samorim de Calecute, arrasou a cidade de Dabul e destruiu a armada islâmica ao largo de Diu. Na ida forçou o feudatário de Chaul, vassalo do sultanato de Ahmednagar, a tornar-se vassalo do rei de Portugal, pagando um tributo regular em troca de apoio na luta contra o sultanato de Bijapur, colocado a Sul. Já antes se haviam produzido algumas trocas comerciais, o que levou ao estabelecimento de um feitor, designado por Goa, na foz do Rio Kundalika, cuja navegabilidade permitia trazer do interior produtos de valia comercial. A posição de Chaul na orla marítima, a meio caminho entre as especiarias do Malabar e as riquezas de Cambaia, tornava o seu controlo militar estratégico para o futuro Estado Português da Índia. No entanto, só em 1516, com o vice-rei se solicitou e obteve autorização do sultão Nizam ul-Mulk de Ahmednagar, o Niza Maluco para os portugueses, para a construção de uma feitoria e, cinco anos depois, para a construção de um forte. Em 1524, tendo uma nova armada turca colocado cerco ao porto de Chaul, o forte estava operacional, obrigando a armada a retirar. Com a morte daquele sultão, em 1557, os portugueses perceberam de imediato que a paz terminara e, como medida preventiva urgente, propuseram a ocupação e a fortificação de Korlai, depois, genericamente, o Morro de Chaul, o morro fronteiro onde, aliás, haviam erguido uma tranqueira-bateria durante um cerco da década de 1520. O novo sultão recusou e iniciou, ele próprio, a fortificação, mas a pronta intervenção do vice-rei interrompeu pontualmente a construção. O morro veio a ser conquistado, entretanto, em 1594, numa outra conjuntura.
Com a submissão do reino hindu de Vijayanagar ao domínio muçulmano e a aliança que os reinos muçulmanos estabeleceram entre si para expulsar da Índia os portugueses, Chaul, tal como Goa, sofreram pesados cercos entre os meados de 1570 e inícios do ano seguinte. Durante esses meses, combates e permanentes bombardeamentos deixaram a cidade quase arrasada, pelo que celebrado o tratado de paz, tudo foi reconstruído, devendo os trabalhos estar concluídos em 1582. Sucessivamente, as muralhas e defesas de Chaul foram reconstruídas, especialmente em 1613, mas o desenvolvimento da feitoria de Baçaim, hoje Vasai-Virar, 50 quilómetros a norte de Bombaim e, depois capital dos Estados do Norte, relegou Chaul para um segundo plano. Com o declínio do Estado Português da Índia e a constituição do Império Maratha, nos inícios do XVIII, Chaul e Baçaim foram cercadas, em março de 1739 e, com a queda da última cidade, em 1740, pelo tratado de paz de 18 de setembro desse ano, Chaul foi entregue, mas não voltou a ser especialmente ocupada, mantendo-se como uma ruína.