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Arquipelago de Origem:
Damão
Data da Peça:
1958-03-00
Data de Publicação:
11/12/2020
Autor:
Padre capelão Jorge de Faria e Castro
Chegada ao Arquipélago:
2020-12-12
Proprietário da Peça:
Tiago Henriques
Proprietário da Imagem:
Tiago Henriques
Autor da Imagem:
Tiago Henriques
Cerimónia religiosa chegada da imagem de Nossa Senhora do Monte a Damão, março de 1958, antigo Estado Português da Índia

Categorias
    Descrição
    Cerimónia religiosa na chegada da imagem de Nossa Senhora do Monte a Damão,
    Damão, março de 1958.
    Fotografia de Tiago Henriques, expedicionário da Companhia de Damão.
    Capela de Nossa Senhora do Mar, Damão Pequeno, antigo Estado Português da Índia.
    Nani Daman, território de Dadra and Nagar Haveli and Daman and Diu, Índia

    Esta imagem para ser entregue aos militares madeirenses na Índia deveu-se à iniciativa do padre Jorge de Faria e Castro (1888-1971), ativo jornalista e publicista, que fora um dos padres madeirenses a frequentar, em 1915, o Curso de Oficiais Milicianos e, depois, a combater na Grande Guerra, tal como o primeiro padre madeirense a tirar a carta de condução, que conseguiu reunir fundos para a execução de uma imagem de Nossa Senhora do Monte para ser oferecida em nome da população madeirense aos militares em serviço em Damão. A pequena imagem deve ter sido executada em Braga, provavelmente na Casa Domingos A. T. Fanzeres, para a qual trabalharam, entre outros, José Ferreira Thedim (1892-1971), que, com o irmão, Guilherme Ferreira Thedim (1900-1981), em 1920, esculpira a primeira imagem de Nossa Senhora de Fátima, em madeira, que viria a ser colocada na Capelinha das Aparições, casa de imaginária religiosa que trabalhou para muitas das igrejas da Madeira. A Imagem veio a ser consagrada na igreja matriz do Monte a 13 de outubro desse ano de 1957, tendo oficiado a missa o pároco José Marques Jardim (1880-1960) e procedido à consagração o cónego Manuel Francisco Camacho (1877-1970), vigário capitular da Diocese.
    A imagem sairia da igreja do Monte em procissão, tendo o Governador Civil e o Governador Militar levado o andor nos primeiros lugares, sendo acompanhados pelas diversas confrarias do Monte, respetivas bandeiras, incluindo, os Carreiros do Monte e, a partir do Largo da Fonte, em procissão automóvel até ao Largo do Município. Nesse largo, de novo com cerimónia religiosa, foi entregue ao Comando Militar e ao Batalhão Independente 19, que receberam a missão de a fazer chegar ao então Estado Português da Índia. Por essa data ou pouco tempo depois, dado que a comunicação social é omissa neste aspeto, perto da entrada da igreja foi colocado um painel de azulejos aludindo ao acontecimento: Com a presença das Ex. mas Autoridades do Distrito procedeu-se à coroação da nova Imagem de N.ª S.ª do Monte, oferecida pela população deste Arquipélago à “Companhia Independente de Caçadores da Madeira”, em serviço na índia Portuguesa. 13 de Outubro de 1957.
    Devem ter ocorrido problemas com o transporte, pois somente a 2 de fevereiro do seguinte ano de 1958 a Imagem embarcaria no paquete Quanza com destino à Índia. Como se registou em várias fotografias, de novo a Nossa Senhora do Monte foi transportada em procissão até ao navio, em andor montado numa viatura militar e acompanhada pelas autoridades locais, seguindo, entretanto, o padre Jorge de Faria e Castro com a mesma, como capelão militar. Esta companhia regressaria nos finais de 1959, mas a Imagem seria entregue na pequena capela de Nossa Senhora do Mar, na fortaleza de Damão Pequeno, por certo por pedido local, onde ainda se encontra. Com a mesma igualmente ali se encontra uma imagem do Santo Condestável D. Nuno Álvares Pereira, padroeiro da Infantaria portuguesa, com a legenda “S. Nuno”, que, pela inscrição ali existente também teria pertencido a esta companhia, embora não tenhamos informação de quando para ali foi, registando uma lápide junto das mesmas: As imagens de Nossa Senhora do Monte e do Santo Condestável que se encontram nesta capela são oferta da população do Arquipélago da Madeira aos soldados madeirenses que constituindo a Comp. de Caçadores da Madeira nos anos de 1957-1958-1959 permaneceram nesta Nobre Cidade de Damão em defesa da Soberania Nacional. Logicamente, as duas últimas palavras foram borradas com tinta após a invasão da União Indiana, sendo notável como ainda ali se encontra. A imagem da Virgem já não ostenta as pequenas coroas de prata com que foi da ilha da Madeira, podendo já ter sido entregue sem as mesmas ou, com as alterações da invasão de 1961, terem desaparecido.

    Bibliografia:  BOTELHO, TCor. J. e VICENTE, SAJ R. (2008), Regimento de Guarnição nº 3, das origens à actualidade, 1864-2008, Uma viagem ao passado pelas Unidades da Madeira, Funchal; CLODE, L. P. (1983), Registo Bio-Bibliográfico de Madeirenses, Sécs. XIX e XX, Funchal, Caixa Económica do Funchal; “Com grande solenidade litúrgica foi ontem entregue ao Comando Militar da Madeira a Imagem de Nossa Senhora do Monte, que partirá brevemente para a Índia Portuguesa”, in Diário de Notícias, nº 26.962, Funchal, 14 de outubro de 1957, primeira página; NASCIMENTO, R. M. (2003-2019), Campanhas das Forças Armadas Portuguesas no Ultramar Português, coletânea executada por altura da inauguração do Monumento do Combatente Madeirense no Ultramar Português, Zona Militar da Madeira (policopiado), p. 91; PEREIRA, B. F. (2017), Crepúsculo do Colonialismo, A Diplomacia do Estado Novo (1949-1961), Lisboa, D. Quixote;