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Arquipelago de Origem:
Macau
Data da Peça:
1750-00-00
Data de Publicação:
24/04/2021
Autor:
Oficina chinesa
Chegada ao Arquipélago:
2021-04-24
Proprietário da Peça:
Manuel Castilho Antiguidades
Proprietário da Imagem:
Manuel Castilho Antiguidades
Autor da Imagem:
Manuel Castilho Antiguidades
Casula dominicana bordada de Manuel Castilho, oficina de Macau (atr.), 1750 (c.), China

Categorias
    Descrição
    Casula dominicana bordada (costas).
    Seda vermelha bordada a fio de seda, 110 x 74 cm.
    Oficina de Macau, 1750 (c.).
    China.
    Pub. Oriente e Ocidente 2: Por mares nunca dantes navegados, Lisboa, Manuel Castilho Antiguidades, 2008, 33, pp. 140-141.
    Coleção Manuel Castilho Antiguidades, Rua D. Pedro V, Bairro Alto, Lisboa, Portugal.

    Casula de forma habitual de seda vermelha bordada a fio de seda, demarcada por debruado dourado. A decoração da seda é executada num bordado bastante relevado em fio de seda de diversas cores com um padrão de ramos floridos entre os quais pairam pássaros e borboletas. Numa cartela está representado S. Pedro de Verona, Mártir, figura emblemática da Ordem dos Dominicanos. Como é habitual vem acompanhado dos atributos associados à sua iconografia: o cutelo com que foi morto sobre a cabeça, o punhal que lhe foi cravado no peito pelo seu assassino, Carino de Bálsamo e a palma no braço esquerdo significando o seu martírio. S. Pedro de Verona viveu no século XIII e foi assassinado devido às inimizades que criou na sua qualidade de inquisidor. Nas outras cartelas está bordada a insígnia dos Dominicanos e a palma de mártir com uma espada. Pela quantidade de paramentaria que ainda se encontra em instituições religiosas em Portugal pode estimar-se o elevado número de encomendas na China e em Macau para as igrejas portuguesas, sobretudo nos séculos XVII e XVIII [1]
    A documentação conservada em registos eclesiásticos atesta o apreço dado na época à paramentaria sino-portuguesa. É de mencionar o importante espólio de vestes litúrgicas chinesas da Irmandade de Santa Cruz em Braga. Um conjunto de seis cartas de Francisco Carvalho Aranha o benemérito da Confraria, residente em Macau por longos anos, permite reconstruir a origem e o trajeto seguido por esse conjunto de paramentos bordados, de Macau até Braga, por volta de 1630 [2]. Muito informativa é também a carta de padre Francisco de Cordes datada de 14 de janeiro de 1734 dirigida ao Reverendo Simão Esteves do Colégio Jesuíta de Santo Antão em Lisboa “Não serve esta mais do que acompanhar a encomenda de duas dalmáticas, capas de asperges e véu de ombros que estimarei vai a gosto de Vossa Reverência…” [3] ficamos a saber que os ditos paramentos foram o resultado de uma encomenda a um prelado radicado em Macau. Acrescenta que as mandou fazer segundo lembrança por terem desaparecido os moldes que Sua Reverência havia mandado. Mais adiante refere que as mandou fazer a “um china” e que enviou outros paramentos para Goa para serem vendidos ao preço de custo por os não ter conseguido vender em Macau. Escreve ainda que se não forem vendidos em Goa irão para Lisboa, pedindo ao Reverendo Simão Esteves, que os tente aí vender. Ficamos a saber que os paramentos eram feitos por artesãos chineses independentes, que por vezes resultavam de encomendas específicas, mas que Francisco Cordes (e não seria o único) geria um pequeno negócio de paramentaria que tentava colocar no mercado, neste caso com alguma dificuldade.
    1 Ferreira, Maria João Pacheco – As Alfaias Bordadas Sino-portuguesas (séculos XVI a XVIII) – Universidade Lusíada Editora, 1972
    2 Os Construtores do Oriente Português, Comissão Nacional para a Comemoração dos Descobrimentos Portugueses, 1998, nº 83, p. 317
    3 Transcrito em: Maria João Pacheco Ferreira – As Alfaias Bordadas Sino-portuguesas (séculos XVI a XVIII) – Universidade Lusíada Editora, 1972, Anexos, documento 13, p. 259.