Image
Arquipelago de Origem:
Lisboa (cidade)
Data da Peça:
1919-12-20
Data de Publicação:
07/12/2023
Autor:
Júlio da Costa Pinto
Chegada ao Arquipélago:
2023-12-07
Proprietário da Peça:
Arquivo Municipal Alfredo Pimenta
Proprietário da Imagem:
Arquivo Municipal Alfredo Pimenta
Autor da Imagem:
Arquivo Municipal Alfredo Pimenta
Carta de Júlio da Costa Pinto para Alfredo Pimenta, Forte de Monsanto, 20 de dezembro de 1919, Lisboa, Portugal.

Categorias
    Descrição
    Carta de Júlio da Costa Pinto para Alfredo Pimenta, 1919.
    (Torres Novas, 1883, Lisboa, 1969) e (1882-1950)
    Forte de Monsanto, 20 de dezembro de 1919.
    Arquivo Municipal Alfredo Pimenta (AMAP-10-29-13-4-95_m0001), Guimarães, Portugal

    Júlio da Costa Pinto (Torres Novas, 1883, Lisboa, 24 jul. 1969), neto de uma filha natural do infante D. Miguel (1802-1866), filho do depois major Manuel Pinto da Costa e de Delfina de Jesus Costa, tendo sido aluno do Colégio Militar (190/1895), onde foi companheiro do infante D. Luís Filipe (1887-1908), foi depois herói em África, na campanha dos Dembos, onde foi condecorado com a Ordem da Torre e Espada. Revolucionário monárquico várias vezes preso e deportado, como em 1917, quando se exila em Madrid e em 1919, na sequência da Revolta de Santarém e do Movimento de Monsanto, quando foi deportado com outros monárquicos para o Lazareto do Funchal, de onde alguns haveriam de fugir. Regressaria a Lisboa em 1922, ingressando na firma Vacum Oil, companhia que o homenageou em 1942. Veio a ser, pouco depois, integrado de novo no Exército com o posto de capitão e, a partir de 1945, foi secretário particular e testamenteiro da rainha D. Amélia (1865-1951) nos seus últimos anos de vida. Foi depois ainda encarregado de educação dos filhos de Duarte Nuno de Bragança (1907-1976) e dos seus netos Rui e Hélder Carita, todos seus herdeiros. A sua documentação, parte herdada de D. Amélia e de D. Manuel II (1889-1932), foi depositada na Biblioteca dos marqueses da Anadia e, a respeitante à sua terra natal adotiva, Santarém, na Biblioteca Bramcamp Freire.
    A 8 de maio de 1919 chegavam ao Funchal os prisioneiros políticos monárquicos da Monarquia do Norte e da Revolta de Monsanto, a bordo vapor África, da Empresa Nacional de Navegação, o qual fora arvorado em transporte de guerra. Os deportados, em número de 289, vinham acompanhados de uma força de Marinha, desembarcando 3 dias depois e sendo instalados no Lazareto de Gonçalo Aires. Entre os prisioneiros vinham o antigo ministro João de Azevedo Coutinho (1865-1944), o ex-coronel João de Almeida (1873-1953), o conde de Sucena (José Rodrigues de Sucena, 1850-1925) , o conde de Arrochela (José Pinto de Lencastre Ferrão, ), Júlio da Costa Pinto e João Moreira de Almeida, tendo ficado no Funchal uma força de 30 praças da armada e um sargento para guardar o Lazareto, e vindo juntar-se a essa força, também para o mesmo fim, um destacamento de infantaria, comandado por um alferes. Por determinação do capitão do porto, foi proibida a passagem e a permanência de quaisquer embarcações na zona marítima limitada pela fortaleza de Santiago e o cabo Garajau.
    Não obstante estas precauções, no dia 3 de junho deu-se pelo desaparecimento de 8 prisioneiros, entre os quais o conde de Sucena, sabendo-se depois que tinham chegado a Las Palmas na lancha rápida Glafiberta, pertencente ao sportsman Humberto dos Passos Freitas (1893-1926) como refere o Elucidário, que foi quem preparou a evasão. Sobre o modo como se deu a fuga, o Diário de Notícias publicou o seguinte: “Numa bela tarde, quase todos os presos políticos internados no Lazareto do Funchal saíram do edifício com o pretexto de arejar e juntaram-se na nesga da praia que lhe fica imediatamente inferior. Os guardas limitaram-se a vigia-los das janelas do Lazareto. Durante momentos cantaram, retoiçaram, deram vivas, e quando a algazarra atingia o seu auge e os guardas estavam distraídos com o pagode, aproximou-se da praia um bote destacado da Glafiberta e recolheu sem pressa, os 8 presos”. A lancha Glafiberta foi depois rebocada pelo Milano, da Casa Blandy, seguindo para as Desertas e daí para as Canárias. Dos restantes prisioneiros, 7 foram postos em liberdade em virtude de um telegrama recebido do ministro da guerra em 13 de maio, tendo todos os demais saído para Lisboa em diferentes paquetes que tocaram no Funchal entre junho e agosto, tendo os últimos seguido no vapor Moçambique e alguns, como Júlio da Costa Pinto, voltado à penitenciária do Forte de Monsanto.