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Arquipelago de Origem:
Estreito de Câmara de Lobos
Data da Peça:
1790-00-00
Data de Publicação:
27/11/2025
Autor:
Vários
Chegada ao Arquipélago:
2025-11-27
Proprietário da Peça:
Paróquia da Graça do Estreito de Câmara de Lobos
Proprietário da Imagem:
Nelson Veríssimo
Autor da Imagem:
Nelson Veríssimo
Capela-mor da igreja de Nossa Senhora da Graça, reposição de 1790 (c.), Estreito de Câmara de Lobos, ilha da Madeira.

Categorias
    Descrição
    Capela-mor da igreja de Nossa Senhora da Graça.
    Reconstrução de António Vila Vicêncio (c. 1720-1796) , 1790 (c.).
    Oficina de Estêvão Teixeira de Nóbrega (1746-1833).
    Fotografia de 2013.
    Matriz do Estreito de Câmara de Lobos, ilha da Madeira.

    Desconhece-se a data da criação da paróquia do Estreito de Câmara de Lobos, mas já existia em 1520, pois, neste ano, a Coroa pagou o vencimento do vigário. Teria sido fundada entre 1518 e 1520. É seu orago Nossa Senhora da Graça, invocação de uma capela existente nesta localidade.
    Em 30 de julho de 1744, na sequência do requerimento do vigário e paroquianos do Estreito de Câmara de Lobos, o Conselho da Fazenda autorizou que se fizesse risco e orçamento da nova igreja, atendendo a que a existente se encontrava arruinada e era de reduzidas dimensões, face ao aumento do número de moradores na freguesia. O mestre das Obras Reais, João Martins de Abreu, e o mestre de pedreiro, Pedro Fernandes Pimenta, apresentaram o respetivo orçamento em 2 de maio de 1747. A obra foi arrematada, em 25 de junho de 1747, por Manuel Rodrigues da Costa, mestre pedreiro, por 7 contos e 579 mil réis. Entretanto, o terramoto, de 31 de março de 1748, provocou sérios danos na igreja e na casa do vigário.
    As obras iniciaram-se em 1749. O primeiro templo foi parcialmente demolido. A edificação da nova igreja, executada sob a direção do mestre das Obras Reais, João Martins de Abreu, e que corresponde à atual, ficou praticamente concluída em 1756, ano da bênção da capela-mor.
    Em 4 de novembro de 1771, de acordo com a vistoria então feita, ainda não se tinha construído o campanário, por impedimento do vigário que «com o fim de, com o legítimo valor do campanário e com as esmolas que pedir, alcançar mandar fazer uma torre junto à mesma igreja para maior segurança dela e também para o resguardo dos sinos, que em campanário estão expostos a muitos inconvenientes, como se tem experimentado em outras muitas paróquias.» Na verdade, nos anos subsequentes, sucederam-se diversas intervenções, em especial para ornato artístico. Entre 1803 e 1814, verificou-se nova intervenção, sendo a Igreja solenemente sagrada em 1814. Na capela-mor, sobressai o retábulo rococó, com um belo sacrário em talha dourada, executado pela oficina de Estêvão Teixeira na segunda metade do século XVIII.
    Em 1937, a torre da igreja foi ampliada, para a instalação de um relógio, inaugurado em 26 de setembro desse ano. Atualmente, a freguesia compreende três paróquias, Nossa Senhora da Graça, Nossa Senhora da Encarnação e Garachico, embora as últimas duas abranjam também território de Câmara de Lobos. A freguesia mantém algumas capelas fundadas por iniciativa particular: Capela das Almas (1766-1767), anexa ao Solar da Quinta da Vargem, Capela de Santa Ana (c. 1768; 1963) e a Capela de Santo António (1780).
    Nelson Veríssimo, “Freguesias da Madeira: Estreito de Câmara de Lobos”, Funchal Notícias.net, 23 de novembro de 2025.
    Cronologia:
    1509: provável instituição da freguesia; 1520: primeira informação de pagamento a um vigário; 1539: informação de ser pároco vigário o padre Sebastião Vaz; 1572, 20 jan.; acrescentamento da côngrua ao padre vigário Gonçalo de Aguiar de mais 9$300 réis à côngrua que já possuía; 1582, 18 jan. e 1591, 15 nov. - remodelação do vencimento do pároco, que passa a ser de 16$000 réis anuais, uma pipa e meia de vinho e um moio e meio de trigo; 1676, 28 dez.: supressão de dois lugares de beneficiados, aplicando-se a verba para um cura da freguesia; 1688, 9 maio: determinação do ordenado do cura coadjutor em 12$000 réis anuais em dinheiro, uma pipa de vinho e um moio de trigo; 1692, 23 set.: mandado do Conselho da Fazenda para as obras da nova igreja, arrematadas por Francisco Rodrigues, por 811$000 réis; 1748, 5 mar.; novo mandado, então para ampliação do terreno para nova igreja, de 194$000 réis para o pagamento de um alqueire e meia quarta de terreno para a nova obra, e mais 551$662 réis para nova casa do vigário, devendo-se desmanchar a anterior; 1760: execução do sacrário para a capela do Santíssimo, pelo mestre entalhador Manuel António de Agrela, a expensas da confraria da Graça; 1764, 15 fev.: arrematação da obra de talha do altar-mor pelo mestre açoriano Julião Francisco Ferreira (act. 1730-1771), no valor de 2:998$000 réis; 1753, 3 fev.: lançamento e bênção da primeira pedra para a reconstrução da igreja, sob projeto de Domingos Rodrigues Martins (c. 1710-1781); 1756, 18 jan.: bênção da nova capela-mor, sendo então para ali transferido o Santíssimo; 1790, maio: novo projeto de reconstrução do capitão engenheiro Vila Vicêncio (c. 1720-1796) arrematado pelo entalhador Estêvão Teixeira de Nóbrega (1746-1833), sendo a obra do novo altar-mor e retábulo arrematada pelo entalhador Manuel António de Agrela, tendo merecido o despacho da Junta da Fazenda de "Sem efeito"; 1791: nova arrematação da reconstrução global da igreja pelo mestre entalhador Estêvão Teixeira de Nóbrega, mas com a colaboração do próprio mestre das obras reais António Vila Vicêncio, que ficou como responsável pelas obras de pedreiro e carpinteiro; 1814: sagração do novo templo pelo bispo de Meliapor, administrador da diocese D. Joaquim de Meneses e Ataíde (Porto, 20 set. 1765-Gibraltar, 5 nov. 1828); 1829, 6 nov.; desacato em que foi roubado o Santíssimo ocasionando processo judicial de que se conhece impresso: Sentença da Relação de Lisboa contra Jacinto Fernandes e mais sete réus, culpados do roubo e desacato na igreja da Graça do Funchal. Morreram seis enforcados e o último foi degolado, 6 de Março de 1830, Lisboa, na tipografia de J. B. Morando (ficha 1999).