Image
Arquipelago de Origem:
Porto
Data da Peça:
1623-00-00
Data de Publicação:
22/04/2021
Autor:
Oficina portuguesa (?)
Chegada ao Arquipélago:
2021-04-22
Proprietário da Peça:
MMIPO
Proprietário da Imagem:
MMIPO
Autor da Imagem:
MMIPO
Cabeça relicário de São João Batista, 1623 (c.), núcleo da Ourivesaria do Museu da Misericórdia do Porto, MMIPO, Portugal.

Categorias
    Descrição
    Cabeça relicário de São João Batista.
    Madeira entalhada e policromada.
    Oficina portuguesa (?), 1623 (c.).
    Relicário com relíquias do Santo, Santo Lenho e Santo Sudário, que pertenceu à capela instituída por Baptista da Costa de Sá, boticário dos hospitais da instituição.
    Museu da Misericórdia do Porto, Rua das Flores, Porto, Portugal.

    A cabeça relicário de São João Batista pertence à capela instituída por volta de 1623, na igreja privativa da Misericórdia do Porto, por Baptista da Costa de Sá, boticário dos hospitais da instituição. No seu testamento, datado de 1635, a Misericórdia é nomeada testamenteira da sua herança e administradora da capela, sendo indicadas todas as disposições testamentárias e os bens que à sua capela deixa vinculados. Salientando-se a parte do texto que refere "a minha capela deixo bem ornada (?) a lâmpada que deixo esteja sempre acesa de dia e de noite (?) pois no retábulo e banco dele está um Santuário de Relíquias com o Santo Lenho e Sudário de Cristo Nosso Senhor, e entre outras, e com particular de São João Baptista (?). Ou ainda a seguinte referência "No Sacrário de São João Baptista está a cabeça do Santo, que tem em si muitas relíquias (?). Neste Sacrário se guarda o Santíssimo Sacramento, em 5ª feira de Endoenças” (?)[1].
    O estudo da peça permitiu-nos constatar a presença de duas reservas com relíquias, sendo a mais visível a que se encontra na testa, sem nenhuma inscrição, mas que presumivelmente será a relíquia mencionada como sendo a de São João Batista. A segunda reserva encontra-se no pescoço, sendo pouco percetível devido à barba de São João, que parcialmente a oculta, possuindo a seguinte inscrição: " LIGNV[M] CRUCIS. S. [ACTUM]. SUDARII. XPI". (Santo Lenho e Santo Sudário de Cristo). Trata-se, assim, de uma cabeça relicário de São João Batista com elevado valor simbólico e de grande raridade, pelo facto de possuir não só uma relíquia do Precursor de Jesus Cristo, como também fragmentos do Santo Lenho - a Cruz de Cristo - e do seu Santo Sudário. É historicamente conhecido o culto das relíquias e do fascínio, fervor religioso e prestígio que lhe estavam associados. Daí ter resultado a sua excessiva multiplicação por toda a Cristandade, sendo que quem detém estes tesouros os considera como sendo verdadeiros [2]. (Texto MMIPO)
    O MMIPO, instalado no conjunto edificado onde funcionou a sede da Santa Casa do Porto desde os meados do XVI até 2013, conjunto que teve uma muito completa reconstrução nos meados do XVIII e foi, entretanto, adaptado a museu e inaugurado a 15 de julho de 2015. Em 2016 foi distinguido com o galardão de Melhor Museu do Ano pela APOM, para além de ter conquistado o prémio de Melhor Site e o de Melhor Incorporação com a aquisição de uma obra de Josefa d'Óbidos (1630-1684), a 28 de janeiro de 2016, na Sotheby’s de Nova Iorque, por 250 mil dólares (228.000 euros), voltando nos anos seguintes a ter outros prémios.
    [1] CUNHA e FREITAS, Eugénio Andrea da, História da Santa Casa da Misericórdia do Porto. III vol. Porto: SCMP, 1995, pp. 251-253;
    [2] ECO, Umberto - A Vertigem das Listas: DIFEL, 2009, pp. 173-177