Banco de Portugal, Edmundo Tavares, 1940, Funchal, setembro de 2025, ilha da Madeira.
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Descrição
Banco de Portugal.
Projecto do arquitecto Edmundo Tavares (1892-1983), maio de 1934.
Execução do empreiteiro João Pinto Correia.
Inauguração a 9 de dezembro de 1940.
Fotografia de Luís Rocha, 19 de setembro de 2025.
Avenida Arriaga, Funchal, ilha da Madeira.
Face ao novo gosto do Estado Novo, não é de estranhar que o moderno Edmundo Tavares projete um Banco de Portugal de linguagem eclética e historicista de pendor monumental ditada pelo poder político, quando tinha sido o autor do projeto modernista do Mercado Municipal, linguagem de vanguarda que abandona a favor de um crescente “portuguesismo”, identificável nos seus escritos teóricos em colaboração com o major Reis Gomes (1869-1950). que, na linha de Raul Lino (1879-1974) e ao gosto da época, projetam casas ao gosto dito “português suave”.
O Banco de Portugal do Funchal, inaugurado em 1940, situado no gaveto da Av. Arriaga com a Av. Zarco, é um edifício de fachada cenográfica, profusamente ornamentada, com aberturas neobarrocas, duas cariátides de mármore, dois majestosos vasos com flores em cantaria basáltica e imponentes colunas dóricas estriadas que marcam a entrada no ângulo do edifício, sendo este corpo coberto por um altivo telhado piramidal. É construído em betão, mas exteriormente mascarado com cantaria regional cinzenta, renegando o princípio modernista da verdade dos materiais.
Edmundo Tavares (Oeiras, 8 nov. 1892-Lisboa, 9 abr. 1983) Arquiteto e professor, foi discípulo de José Luís Monteiro (1848-1942), fez o curso da Escola de Belas Artes de Lisboa entre 1903 e 1913, expondo na SNBA, em 1915, projetos de Casas de Estilização Portuguesa, tendo sido premiado com várias medalhas de bronze e prata, e no final do curso, com o prémio da mais alta classificação de todos os cursos lecionados naquela escola. Foi quarto premiado, com o escultor Maximiano Alves (1888-1954), no concurso para o monumento ao Marquês de Pombal (1913); para os edifícios dos Paços do Concelho de Guimarães e do Porto (1916); galardoado com o prémio do concurso de pensionistas arquitetos no estrangeiro do legado Valmor em Paris (1919) e Roma (1922); terceiro premiado no concurso para a construção do Liceu Dr. Júlio Henriques, em Coimbra (1930). Foi arquiteto da Câmara de Lisboa desde 1914, passando pelo Funchal, entre 1932 e 1939, e da Figueira da Foz, a partir desse ano de 1939, mas trabalhando, sempre, paralelamente, na atividade liberal, pelo que alguns dos projetos do Funchal se encontram fora das datas de estadia na Madeira.