Autoridades religiosas na procissão de São Tiago Menor ou Procissão do Voto do Funchal, 1 de maio de 1960, Rua Fernão Ornelas e Ponte do Mercado dos Lavradores, Funchal, ilha da Madeira.
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Descrição
Autoridades religiosas na procissão de São Tiago Menor ou Procissão do Voto do Funchal.
Em primeiro plano e levando o Santo Lenho, o cónego Jaime de Gouveia Barreto (1887-1963), ladeado pelo padre Rafael Maria Andrade (1935-2021) e pelo diácono Aires dos Passos Vieira; atrás, D. frei David de Sousa (1911-2006), bispo do Funchal.
Película em gelatina e sais de prata, 6,1 x 7 cm
Fotografia Perestrellos Photographos, muito provavelmente, Raul Martins Perestrello (1915-1998), 1 de maio de 1960.
Museu de Fotografia da Madeira-Atelier Vicente's, PER 12025, em depósito na DRABM
Rua Fernão Ornelas e Ponte do Mercado dos Lavradores, Funchal, ilha da Madeira.
Dom Frei David de Sousa, O.F.M., (São João de Alpendurada, 25 out. 1911; Lisboa, 5 fev. 2006). Filho de Manuel de Sousa e de Maria de Jesus de Sousa, entrou no Colégio Seráfico de Santo António, em Tui, na Galiza, em 1931, professando como religioso da Ordem dos Frades Menores (Franciscanos), em 7 set. 1931, sendo ordenado sacerdote em 18 jul. 1937. Licenciou-se, entretanto em Teologia e foi laureado em Sagrada Escritura, desempenhando vários cargos eclesiásticos, entre os quais o de Provincial da Ordem Franciscana e Promotor da Fé na Causa da beatificação do Padre Cruz. Foi eleito bispo do Funchal em 25 set. 1957, pelo Papa Pio XII, entrando na sua diocese a 4 dez. 1957. Em 15 set. 1965 veio a ser nomeado arcebispo de Évora pelo papa Paulo VI, entrando solenemente na arquidiocese em 23 jan. 1966. Neste cargo desempenhou um importante papel na reestruturação das paróquias no âmbito da pastoral vocacional e devido a vários problemas de saúde, solicitou a sua resignação ao Papa João Paulo II, em 26 out. 1981, retirando-se então para o Seminário Franciscano da Luz, em Lisboa, onde faleceu em 5 de fevereiro de 2006.
Jaime de Gouveia Barreto (Porto Moniz, 13 maio 1887; Funchal, 12 jul. 1963). Nomeado alferes capelão, partiu para França a 23 maio 1918, regressando em jul. 1919. Foi coadjutor do padre Ernesto Schmitz (1845-1922), vindo a ser nomeado diretor do museu do Seminário com a saída daquele naturalista para Jerusalém, sendo vice-reitor do seminário desde 1919 e reitor efetivo desde 1936, ano em que foi elevado a cónego.
Cronologia do Voto: Séc. 15, finais - execução do Santiago Maior nas oficinas de Dieric Bouts (1415-1475) para uma das capelas da sé do Funchal, levado depois em procissão para a nova capela de São Tiago Menor (hoje no Museu Diocesano de Arte Sacra do Funchal); 1521, 7 mar. - grande surto de peste no Funchal, que chega a levar ao abandono parcial da cidade; 11 jun. - auto do voto da cidade em que saiu por sortes como padroeiro Santiago Menor; 1523, 24 jan. - renovação voto da cidade a Santiago Menor, acrescentando-se os bem aventurados São Sebastião e São Roque, habituais padroeiros contra as epidemias, como padroeiros secundários; 21 jul. - procissão da Sé para o cabo do calhau e lançamento da 1ª pedra da futura igreja; c. 1530 - tríptico de Santiago Menor e São Filipe, celebrados no mesmo dia 1 de maio, com os retratos de Simão Gonçalves da Câmara (1460-1530) e família, da oficina flamenga de Pieter Coeck Van Aelst (1502-1556), hoje no Museu de Arte Sacra; ; 1532, 26 maio - carta de D. João III (1502-1557) estabelecendo a coutada do Caniço a partir desta igreja, dada como limite do Funchal; 1538, 2 jan. - terramoto no Funchal ajudando à proliferação dos casos de peste; 1º Maio - renovação do voto e procissão da Sé para a Igreja de Santiago e entrega das varas ao Santo (tradição que ainda se mantém); c. 1540 - execução no Japão de um pequeno cofre (nambam), propriedade da confraria do Santíssimo (hoje no Museu de Arte Sacra); 1567 - execução da predela para o tríptico de Santiago por uma oficina portuguesa; idem. - representação na planta do Funchal de Mateus Fernandes III (c. 1520-1597); c. 1590 - tábua do Anjo da Guarda da oficina de Diogo Teixeira (c. 1540-1612); Séc. 17, inícios - execução de uma Piedade numa oficina "moralesca"; 1632, 22 jun. - renovação camarária do Voto; 25 jul. - sagração das obras de ampliação da primitiva igreja em dia de Santiago Maior pelo bispo D. Jerónimo Fernando (c. 1590-1650); Séc. 17, finais / 18, inícios - execução por uma oficina de Lisboa das 4 grandes telas do Triunfo da Eucaristia; 1748, 31 mar. - terramoto no Funchal que arruína gravemente a antiga igreja; 1751 - reconstrução da igreja de Santiago segundo traça do mestre das obras reais Domingos Rodrigues Martins (c. 1710-1781); 1754, 30 jan. - determinação camarária da demolição da nova igreja para ampliação; c. 1760 - contrato camarário com o pintor João António Vila Vicenzo (ou Vilavicêncio, c. 1720-1796) para as novas obras; 1768 - conclusão dos trabalhos da nova igreja; 1789 - transladação da imagem de São Tiago da Sé para a nova igreja em Santa Maria Maior; 1803, 20 jan. - transferência da capela camarária de São Sebastião das imagens de Nossa Senhora e de São Sebastião, também padroeiro da cidade (hoje no Paço Episcopal e no Núcleo Museológico da Praça de Colombo); 9 out. - aluvião no Funchal que destruiu irremediavelmente a velha matriz de Nossa Senhora do Calhau, passando a servir de matriz a igreja camarária de São Tiago, como se lê, de forma, talvez abusiva, na fachada: "Hic lapis indicat liberalitatem senatus et populi hance cclesiam Fidelissimo Principi Regenti offerentium in locum parochiae per inundationem aquarum destructae. Anno Domini MDCCCIII"; ; 1804, 21 jul. - rescrito apostólico do papa Pio VII colocando a Madeira sob a proteção da Virgem; c. 1810 - execução da tela do camarim do altar-mor por um dos seguidores da oficina de Nicolau Ferreira Duarte (1731-c. 1800); 1854 - execução do órgão, atribuído ao brigadeiro Vicente Serafim Bettencourt Severino; 1940 - recolha das pinturas flamengas (Santiago e tríptico com os doadores para restauro, hoje no Museu de Arte Sacra); 1946, 1 maio - presença na procissão do voto desse ano de D. Teodósio de Gouveia, cardeal de Lourenço Marques (São Jorge, ilha da Madeira, 13 maio 1889; Lourenço Marques (hoje, Maputo), 6 fev. 1962); 1950 (c.) - execução das imagens dos altares laterais, nas oficinas de Braga; 2003, 11 out. - colocação de 2 placas na fachada alusivas à passagem da sede da freguesia para esta igreja pelo padre Rafael Maria Andrade (1935-2021); 2007 - colocação de um largo lambrim de azulejos ao gosto do XVIII na capela-mor em homenagem ao padre Rafael Maria Andrade; 2009, 1 maio - colocação de uma placa na fachada em homenagem a São Tiago Menor por um grupo de devotos.