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Arquipelago de Origem:
Madeira (Região Autónoma)
Data da Peça:
2019-00-00
Data de Publicação:
21/03/2021
Autor:
Arquivo de Gino Romoli, Alda Pereira e Maria Helena Araújo, ABM, Instrumentos Descritivos, 161, Funchal, 2019, ilha da Madeira
Chegada ao Arquipélago:
2021-03-21
Proprietário da Peça:
ABM/ARM
Proprietário da Imagem:
ABM/ARM
Autor da Imagem:
ABM/ARM
Arquivo de Gino Romoli, Alda Pereira e Maria Helena Araújo, ABM, Instrumentos Descritivos, 161, Funchal, 2019, ilha da Madeira

Categorias
    Descrição
    Alda Pereira e Maria Helena Araújo, Arquivo de Gino Romoli,
    ABM, Instrumentos Descritivos, 161, Funchal, 2019

    Gino Romoli (Itália, Borgo Buggiano, província de Pistoia, 22 fev.1906, Funchal, 20 dez. 1982). Filho do diretor bancário Ferdinando Romoli e de Agnesi Natali, deixou o seu país durante a ditadura fascista, estabelecendo-se na Costa Azul, no sul de França, onde começou a trabalhar como empregado de hotel e decorador de salões de festas. Depois dessa experiência, viajou por várias cidades da França e da Europa, observando-se na sua coleção alguns registos fotográficos dos países por onde passou. Deslocou-se pela primeira vez à Madeira vindo de Inglaterra, por volta de maio de 1930. Ter-se-á hospedado no Reid's Carmo Hotel, na rua do Carmo, pois tinha sido solicitado para executar as decorações deste hotel. A 22 de novembro de 1932 desembarcou, pela segunda vez, no porto do Funchal, vindo de Southampton a bordo do navio inglês "Winchester Castle". Recolhas efetuadas pelo investigador Eberhard Axel Wilhelm 2001, “Bordados e Tapeçarias: A Família Germano-Madeirense Muller”, in Xarabanda n.º 13, Funchal, 2000-2001, pp. 21-25, sustentam que em "1936, instalou-se de vez na Madeira, ganhando a vida como decorador, fotógrafo particular e 'barman' no Reid's Carmo Hotel", e, posteriormente, de acordo com outros depoimentos, no Reid's Palace Hotel, à Estrada Monumental, gerido pelo italiano Luigi Gandolfo (que foi diretor do hotel entre 1921 e 1939 e cônsul de Itália no Funchal). Gino Romoli também trabalhou temporariamente no Savoy Hotel, revelando-se um profissional competente, porém a crise do turismo durante a II Guerra Mundial e, em particular, o seu entusiasmo pelas atividades artísticas, tais como a pintura, o desenho e a decoração, fizeram com que abraçasse novos desafios profissionais.
    Assim, na década de cinquenta, Gino Romoli dedicou-se à "tapeçaria e aos bordados nas suas mais variadas expressões", pelo menos entre 1952 e 1975, com bastante êxito, na casa de bordados "Madeira Supérbia", localizada na rua do Carmo, n.º 27 (2º andar) e, a meio tempo, entre 2 de novembro de 1958 e 1966, como empregado no antigo Grémio dos Industriais de Bordados da Madeira, que funcionava no mesmo edifício, na rua do Carmo, n.º 27 (1º e 3º andares), onde deu apoio e serviu de inspiração aos desenhos da tapeçaria madeirense. Como memória da sua atividade, destaca-se a autoria da tapeçaria que se encontra no núcleo museológico do Instituto do Bordado, Tapeçarias e Artesanato da Madeira -IBTM, atual IVBAM, à rua Visconde Anadia, bem como a edição de cerca de 22 bilhetes postais de temática variada (cujos negativos não integram o presente fundo), entre as quais: vistas da ilha, transportes em carro de bois e em rede, flores e jardins, Reid's Palace Hotel e sua zona balnear. Além destes trabalhos, sobejamente conhecidos, Eberhard Axel Wilhelm reforça que Gino Romoli concebeu conteúdos artísticos para prospetos e desdobráveis ligados ao turismo, inclusive rótulos para produtos frutícolas e hortícolas da ilha. Também restaurou quadros de particulares e do palácio de São Lourenço. Graças ao seu talento, a convite do governador civil do Funchal João Inocêncio Camacho de Freitas (1899-1969), Gino Romoli participou no projeto de remodelação da capela tumular do imperador Carlos da Áustria (17 ago. 1887 - 1 abr. 1922), na igreja de Nossa Senhora do Monte, acompanhando a orientação das obras, cuja inauguração, a 10 de janeiro de 1968, contou com a presença da imperatriz Zita (Lucca, 9 maio 1892; 14 mar. 1989) e dos filhos, arquiduque Otto ou Otão de Habsburgo (1912-2011) e arquiduquesa Adelaide (1914-1971), bem como do próprio Gino Romoli e das diversas autoridades religiosas, civis e militares. Nos últimos anos de sua vida, colaborou nas atividades culturais da Câmara Municipal do Funchal e foi professor de italiano no ISAL, uma escola de formação na área de administração e línguas, à rua das Dificuldades. Durante todo esse tempo de efetiva permanência na Ilha da Madeira, Gino Romoli residiu no último andar do prédio "Madeira Supérbia", na rua do Carmo n.º 27A, propriedade de Carolina Vieira de Castro Rocha Machado (1901-1986), filha do banqueiro Henrique Vieira de Castro (1869-1926), edifício onde, outrora, foi o Hotel Mile's e Reid's Carmo Hotel. Gino Romoli faleceu, solteiro, nesta cidade, no dia 20 de dezembro de 1982.