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Arquipelago de Origem:
Freguesia da Sé (Funchal)
Data da Peça:
1826-00-00
Data de Publicação:
09/04/2021
Autor:
Projeto de Vicente de Paula Teixeira de Nóbrega (?)
Chegada ao Arquipélago:
2021-04-09
Proprietário da Peça:
Câmara Municipal do Funchal
Proprietário da Imagem:
Rui Carita
Autor da Imagem:
Rui Carita
Armas reais da pilastra do chafariz do Funchal, 1826 (c.), Largo do Chafariz, Funchal, ilha da Madeira

Categorias
    Descrição
    Armas reais da pilastra do chafariz do Funchal.
    Reposição com antiga bacia da cerca de São Francisco, 1550 (c.) e pilastra do Monumento à Constituição de 1820 (?), 1826 (c.).
    Antigo Largo de S. Sebastião.
    Fotografia de 18 de maio de 2013.
    Largo do Chafariz, Funchal, ilha da Madeira.

    Este chafariz, ao que tenhamos conhecimento, foi o primeiro aparecer no Funchal, na vigência de governador e capitão-general de D. Manuel de Portugal e Castro (1787-1854), que em 21 fev. 1826, determina à Câmara Municipal do Funchal "remover a ermida de S. Sebastião", ou melhor, a vaga reconstrução de 1821 (ABM/ARM, CMF, 1396, fl. 34v.), "visto este edifício não passar dum pardieiro, que com muita indecência está servindo de receptáculo de imundices e obscenidades", pedido renovado a 28 do mesmo mês, alvitrando a transferência para outro local, "mais do serviço de Deus e de Sua Majestade Imperial e Real" (Ibd., GC, 194, fls. 35v-36). Em janeiro seguinte já a ermida estava demolida e em julho de 1827, levantava-se o fontanário, depois dotado do obelisco, em princípio, destinado a comemorar a Constituição.
    O chafariz foi constituído por um antigo tanque da cerca do convento de São Francisco, talvez ainda dos finais do séc. XVI e que tinha sido montado no Passeio Público, então transferido para o antigo largo da capela de São Sebastião. Sobre o conjunto foi erguido um elegante obelisco encomendado em Lisboa, ostentando para a via pública as armas nacionais em escudo oval e, do outro, as da cidade do Funchal. A utilização das armas reais sobre escudo oval indicia o início do reinado de D. Maria II (1819-1853), pois que até então essa forma de suporte em Portugal era reservada ao clero, embora em outros países europeus assim não fosse. Conhecemos outro exemplo, nos Açores, na bandeira hoje na Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, que foi enviada de Londres pelo então marquês de Palmela (1781-1850), a 24 abr. 1829, para o comandante do batalhão de Caçadores 5 daquela cidade, em nome de D. Maria II e bordada por “suas próprias e régias mãos: Dom singularíssimo e nunca feito até agora” (Gervásio Lima, Breviário Açoreano, Angra do Heroísmo, Tip. Editora Andrade, 1935, p. 139), como refere a carta que acompanhou a bandeira. Posteriormente, entretanto, voltou-se ao tradicional escudo quadrado ou samnítico, tal como ao de ponta redonda, não se usando o escudo oval, pelo que, provavelmente, pode tratar-se da pilastra do mítico monumento levantado à Constituição de 1822, projeto de Vicente de Paula Teixeira de Nóbrega (1785-1855), então o mestre das obras camarárias, mas que encomendado em Lisboa, levou algum tempo a ser esculpido e só sendo depois de D. Pedro IV (1798-1834), a 2 de maio de 1826, abdicar do trono de Portugal na sua filha D. Maria. A confirmar-se esta hipótese, pode, inclusivamente, nunca ter ocupado o lugar, pois que o original, parte, por certo, em madeira, foi mandado demolir até às fundações em 1828 pelo governo absolutista de D. Miguel (1801-1866).