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Arquipelago de Origem:
Paris
Data da Peça:
1913-00-00
Data de Publicação:
10/06/2024
Autor:
Francisco Franco
Chegada ao Arquipélago:
2024-06-10
Proprietário da Peça:
Museu Henrique e Francisco Franco
Proprietário da Imagem:
Rui Carita
Autor da Imagem:
Rui Carita
Apontamento sobre provável dívida de Santa-Rita, Paris, 1913, Museu Henrique e Francisco Franco, Funchal, ilha da Madeira.

Categorias
    Descrição
    Apontamento sobre provável dívida de Santa-Rita.
    Guilherme Augusto Santa-Rita (1889-1918).
    Verso de desenho a lápis de Francisco Franco (1885-1955), Paris, 1913 (c.)
    Fotografia de 12 de fevereiro de 2008.
    Museu Henrique e Francisco Franco, Funchal, ilha da Madeira.

    Conjunto de desenhos de Francisco Franco, nem todos assinados, oferecidos pelos herdeiros em 1987, 4 dos quais com músicos de café (?), por certo, realizados em Paris, na sua segunda estadia. Faziam parte de um conjunto de que o Autor nunca se desfez, representando uma fase muito especial da sua vida. No verso existe uma conta e uma indicação de Santa Rita, parecendo haver uma dívida qualquer e, no espólio de Francisco Franco, igualmente existia um desenho de Santa Rita, datado de 1910.
    Guilherme Augusto Cau da Costa de Santa Rita ou Guilherme de Santa-Rita, mais tarde, apenas, Santa-Rita Pintor (Lisboa, 31 out. 1889-Idem, 29 abr. 1918) foi um pintor português, figura mítica da primeira geração de pintores modernistas portugueses. Nunca expôs em Portugal, mas esteve vários anos em Paris garantindo, com Amadeo de Souza-Cardoso (1887-1918), a primeira ligação efetiva às vanguardas históricas do início do século XX. Possuía uma muito especial relação com os irmãos Henrique (1883-1961) e Francisco Franco (1885-1955), havendo apontamentos na documentação do último a seu respeito, provavelmente pontuais empréstimos e tendo Francisco mantido no seu atelier, até falecer, um seu desenho de modelo vivo (1910), tal como uma caricatura do mesmo em Paris, em 1913.  Santa-Rita morreu prematuramente, antes mesmo de completar 29 anos de idade, vitimado por tuberculose pulmonar, deixando ordem expressa para que todos os seus trabalhos fossem queimados, pelo que da sua obra da maturidade resta pouco mais que uma única pintura e um conjunto de reproduções rudimentares, a preto e branco, nas revistas Orpheu (1915) e Portugal Futurista (1917). De personalidade paradoxal, Santa-Rita era, segundo Mário de Sá-Carneiro (1890-1916), que se inspirou nele para um personagem de A confissão de Lúcio, 1914, "um tipo fantástico", "ultramonárquico", "intolerável" e "insuportavelmente vaidoso".
    Francisco Franco (Funchal, 9 out. 1885 - Lisboa, 15 fev. 1955). Escultor e um dos principais nomes modernistas portugueses da primeira geração. Após frequência da Academia Real de Belas-Artes de Lisboa, para onde seguira da Madeira com 15 anos, em 1900, como bolseiro do legado Visconde de Valmor, partiu para Paris (1909-11), onde ainda regressou como bolseiro entre 1919 e 1921. Nos anos 1920 desenvolveu algumas das suas obras mais significativas, progressivamente abertas a uma modernizada atualização, abandonando as referências iniciais a Rodin e Bourdelle, são destes anos o Retrato de Manuel Jardim (1921), Busto de Polaca (1921) e Torso de Mulher (1922), para além do Semeador (1924, fundido depois em 1936). No regresso a Portugal, Francisco Franco realizou a estátua de João Gonçalves Zarco (1918 a 1927), exposta em Lisboa em 1928, para o monumento a ser erguido no Funchal (1934), que definiu um novo cânone, nas décadas seguintes utilizado nas representações oficiais do Estado Novo, inspirado nas figuras quatrocentistas de Nuno Gonçalves e numa certa monumentalidade heroica. Esta obra marcou ainda o início de um novo ciclo da carreira do escultor, em que a linguagem inovadora do experiencialismo parisiense deu lugar a um sentido oficial, celebrativo de heróis e mitos nacionais. O Cristo-Rei, esboçado pelo artista e postumamente erguido em Almada (1959), fecha um período onde também se referenciam as representações de Oliveira Salazar, a estátua da Rainha D. Leonor (1935, Caldas da Rainha), a representação equestre do rei D. João IV (1943, Vila Viçosa), as estátuas régias de D. Dinis e D. João III (1943 e 1948, Universidade de Coimbra), a Dor, na Panteão Nacional e nos túmulos de D. Carlos e do Príncipe Luís Filipe e o busto de D. Manuel II, tendo ficado por esboços em gesso as estátuas de D. João II e de D. Manuel I.
    Apresentou-se em várias exposições, com destaque para a Exposição de Arte Livre (1911), Exposição dos Cinco Independentes (1923), I Salão dos Independentes (1930), I Exposição de Arte Moderna (SPN/SNI, 1935), Exposição Universal de Paris (1937) e I Exposição de Arte Sacra (1945). Participou em diversos salões da Sociedade Nacional de Belas-Artes (1ª medalha, 1930; 2ª medalha, 1929). Era membro da Academia Nacional de Belas-Artes. No estrangeiro, participou no Salon d'Automne (1921 e 1923), galeria Weyhe, Nova Iorque (1925), exposição de Boston, USA, com Picasso, Louvencen e Mayol (1927, onde vende 6 desenhos), Exposição Ibero-Americana de Sevilha (1929), Exposição de Vincennes (1931) e na Exposição Universal de Paris (1937), na Bienal de Veneza (1950), Bienal de São Paulo (1953), entre outras. Nos anos 1940-50, Francisco Franco e a família doaram muitos dos seus trabalhos ao Museu José Malhoa, instituição que assim reúne um núcleo de incontornável importância, dedicado à estatuária portuguesa deste período e, mais tarde, por doação e aquisição, o espólio dos irmãos Franco veio a constituir o Museu Henrique e Francisco Franco do Funchal. O Museu veio a ser instalado no antigo Dispensário Materno-Infantil de 1940, obra do eng. Raúl Andrade de Araújo (1918-1957) e construído por José Nascimento de Sousa, em julho de 1945, inaugurado a 21 de agosto de 1987, com projeto de Rui Carita e, remodelado a partir de 1996 por Francisco Clode de Sousa.