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Arquipelago de Origem:
Faial (Madeira)
Data da Peça:
2020-00-00
Data de Publicação:
01/10/2021
Autor:
SRAP/DRA
Chegada ao Arquipélago:
2021-10-01
Proprietário da Peça:
SRAP/DRA
Proprietário da Imagem:
SRAP/DRA
Autor da Imagem:
SRAP/DRA
Anona cherimola, Faial, 2020, ilha da Madeira

Categorias
    Descrição
    Anona
    Nome científico: Annona cherimola Mill.
    Nome vulgar: Graviola ou anona
    Família: Annonaceae
    Porte: Arbusto ou pequena árvore
    Origem: Antilhas
    Fotografia de 2020
    Faial, ilha da Madeira.

    O género Annona possui cerca de uma centena de espécies de árvores e arbustos e um enorme contingente de cultivares (variedades criadas pelo homem para cultivo). A literatura da especialidade informa que deve ser cultivada em locais com uma precipitação anual superior a 1200 mm. É nativa dos vales das terras altas da Cordilheira dos Andes, a altitudes entre os 1.300 e os 2.600 metros, abrangendo territórios do Chile à Colômbia, passando pela Bolívia, Peru e Equador. Os Incas consideravam-na uma verdadeira jóia, chamando-a “cherimoya”, que significava “peito frio”, dado que o fruto seria considerado muito eficaz para tranquilizar e saciar as crianças de tenra idade. De facto, a cultura da anoneira remontará a 2.500 a. C., tempo em que já seria praticada pelos povos pré-incas. Porém, esta só chegou ao continente europeu muitos séculos mais tarde, através dos exploradores ligados à epopeia marítima dos descobrimentos, encontrando-se cultivada na Ilha da Madeira, segundo Carlos Azevedo Menezes (1863-1928) na obra Elucidário Madeirense, desde “remota data”. Enquanto alguns autores referem que a primeira anoneira conhecida na Ilha resultou das sementes de um fruto trazido do Brasil, de acordo com outros, aquelas terão sido provenientes de frutos do Peru, por volta do ano 1600. A mais antiga referência escrita conhecida tem data de 1845, por Jane Wallas Penfolf (1821-1884) que, em “Madeira flowers, fruits, and ferns, a selection of the botanical production of that Island”, escreve «várias tentativas têm sido realizadas para fazer chegar este delicioso fruto a Inglaterra, (…); o importador apresentou-o à mesa real, e foi altamente apreciado pela Rainha». Garantidamente há tempo longínquo na Madeira, a anoneira adaptou-se aqui facilmente, por encontrar condições climáticas próximas das da área geográfica da sua origem, alcançando os 550/600 metros de altitude na costa Sul e os 250/280 metros na costa Norte da Ilha.
    É uma árvore semicaduca, rústica se comparada com outras fruteiras, que atinge alturas entre 3 a 10m. O sistema radicular é superficial e ramificado. As flores são hermafroditas, o fruto é sincárpico (aglomerado de pequenos frutos) e cordiforme, cónico ou irregular, com a epiderme reticulada lisa ou com pequenas protuberâncias e de cor verde-clara e o peso varia entre 100 e 3 000 gr. A polpa é doce a agridoce, branca, sumarenta e cremosa e com elevado valor nutricional e medicinal.
    Os trabalhos de prospeção e melhoramento genético realizados pela Secretaria Regional de Agricultura e Pescas (SRAP), através da Direção Regional de Agricultura (DRA), nas últimas décadas do séc. XX conduziram à seleção de quatro variedades com caraterísticas de elevado interesse agronómico-comercial, identificadas como “Madeira”, “Funchal”, “Perry Vidal” e “Mateus I”, o que contribuiu que o nome Anona da Madeira fosse reconhecido pela União Europeia como Denominação de Origem Protegida (DOP) em 2000, a primeira fruta regional a receber tal grau de proteção internacional. De referir também que as variedades Madeira e Mateus I estão inscritas no Catálogo Nacional de Variedades de Espécies Fruteiras desde janeiro de 2017.