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Arquipelago de Origem:
Santa Luzia (Funchal)
Data da Peça:
1957-00-00 00:00:00
Data de Publicação:
18/11/2021
Autor:
António Aragão
Chegada ao Arquipélago:
2021-11-18
Proprietário da Peça:
Escola Secundária Francisco Franco
Proprietário da Imagem:
Virgílio Gomes
Autor da Imagem:
Virgílio Gomes
Alegoria às Artes e Ofícios, escultura de António Aragão, 1957 a 1960 (c.), Escola Secundária Francisco Franco, antiga Escola Industrial e Comercial do Funchal, ilha da Madeira

Categorias
    Descrição
    Alegoria às Artes e Ofícios.
    Cantaria rija esculpida, 238 x 906 cm.
    Projecto de António Aragão (1921-2008), 1957 e seguintes.
    Execução dos canteiros da pedreira da Panasqueira, Câmara de Lobos.
    Escola Secundária Francisco Franco, antiga Escola Industrial e Comercial do Funchal.
    Fotografia de Virgílio Pereira Gomes, 8 de novembro de 2021.
    Rua João de Deus, Funchal, ilha da Madeira.

    António Manuel de Sousa Aragão Mendes Correia (São Vicente, ilha da Madeira, 21 set. 1921; Funchal, 11 ago. 2008). Filho de Henrique Agostinho Aragão Mendes Correia e de Maria José de Sousa, frequentou o Liceu Jaime Moniz, a Escola Superior de Belas Artes e licenciou-se em Ciências Históricas-Filosóficas pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, tendo, em 1960, estagiado como bibliotecário em Itália, onde frequentou então ateliers de restauro. Em 1946, António Aragão ganhara o 2º prémio dos Jogos Florais da Madeira com o poema: "Presentemente", tendo então integrado com outros autores, o grupo de poesia experimental português, tendo a partir da década de 60 também se dedicado à pintura. Desde 1972 e até à década de 80 foi diretor do Arquivo Regional da Madeira, anteriormente designado Arquivo Distrital do Funchal, fazendo também parte da comissão diretiva do Museu da Quinta das Cruzes e sido professor da cadeira de História da Arte na Academia de Música e Belas-Artes da Madeira. Deixou interessante obra pública escultórica na Madeira e no Porto Santo, ilustrou a obra Canhenhos da Ilha, de Horácio Bento Gouveia (1901-1983), 1966 e deixou ainda obra historiográfica, com especial referência para o Funchal.
    Na segunda metade da década de 50, Aragão trabalhou num monumental baixo-relevo alusivo às Artes e Ofícios para a Escola Industrial e Comercial do Funchal, com 9 metros de largura, hoje Escola Secundária Francisco Franco, que foi a sua primeira intervenção de arte pública. Fez vários desenhos preparatórios, por certo, tendo o trabalho passado por várias versões e denota o conhecimento de alguns estudos existentes no acervo da coleção dos irmãos Henrique (1883-1961) e Francisco Franco (1885-1955), especialmente no painel central, demasiado contido, enquanto nos dois painéis laterais, alusivos aos trabalhos de cantaria, já se sente a força e liberdade de expressão patentes nos desenhos sobre os usos e costumes insulares, que Aragão começara a desenvolver por estes anos.
    Os negativos do futuro baixo-relevo estavam prontos a 4 de maio de 1957, data em que foram mostrados numa das salas da Escola Industrial e Comercial do Funchal, então ainda em construção, ao ministro das Obras Públicas, Eduardo de Arantes e Oliveira (1907-1982), tendo então Aragão entregue ao Ministro fotografias dos mesmos. Regista o Diário de Notícias, que na tarde desse dia, o Ministro visitou também o Museu das Cruzes, sendo recebido, à entrada do parque, por José Leite Monteiro (1898-1963), da comissão diretiva, que fora governador substituto e, depois, no interior, por Aragão. Na documentação coligida por Jorge Valdemar Guerra sobre as obras da Junta Geral, o Boletim de maio de 1957 regista essa apresentação, tal como o fevereiro do seguinte ano de 1958, regista a adjudicação da execução a um grupo de canteiros da pedreira da Panasqueira, em Câmara de Lobos. A colocação na fachada deve datar de 1959 ou 1960, pois as obras arrastaram-se por esses anos.