A Cantiga é Uma Arma, mural da dupla Ruído, Frederico Draw e Alma, Casa da Música de Machico, 5 de setembro de 2024, Machico, ilha da Madeira
Categorias
Descrição
A Cantiga é Uma Arma
Homenagem ao padre Martins Júnior (1938-2025)
Mural da dupla Ruído, dos artistas Frederico Draw, Frederico Soares Campos (1988-) e Alma, Rodrigo Guinea Gonçalves (1984-)
Casa da Música de Machico, 5 de setembro de 2024
Machico, ilha da Madeira
Para celebrar o 50.º aniversário do 25 de Abril de 1974, marco histórico da democratização de Portugal, a dupla Ruído, com o apoio do Turismo de Portugal, apresenta o projeto “Murais de Liberdade”, que visa criar uma série de 14 murais em diferentes cidades do país, ao longo do ano de 2024, representando temas marcantes relacionados com a Revolução dos Cravos e com a sua herança histórica. A música desempenhou um papel crucial na luta pela liberdade em Portugal, tanto antes como depois da Revolução do 25 de Abril de 1974. Durante o regime ditatorial do Estado Novo, músicos e compositores encontraram maneiras de usar a sua arte como forma de resistência e protesto. O Padre José Martins Júnior, retratado no mural da Casa da Música de Machico, embora mais conhecido pelo seu papel como sacerdote e ativista social na Madeira, também utilizou a música como forma de resistência, musicando versos que refletiam as dificuldades da população e serviam como forma de protesto e expressão cultural. Após o 25 de Abril, a música continuou a ser uma ferramenta poderosa para a consolidação da democracia e a promoção da liberdade de expressão.
José Martins Júnior (Machico, 16 nov. 1938-idem, 12 jun. 2025) foi ordenado padre a 15 de agosto de 1962 na igreja matriz de Machico, celebrando a sua primeira no mesmo dia. Nomeado a 22 de junho de 1969 como pároco da Ribeira Seca, tornar-se-ia, a partir do 25 de abril de 1974 uma das figuras incontornáveis da política regional. Em 1967, fez uma comissão de dois anos em Moçambique, regressando à Madeira em 1969. Foi então nomeado pároco da recém-criada paróquia da Ribeira Seca e coadjutor da igreja matriz de Machico. Em 1975, presidiu a Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Machico e, em 1976, foi eleito deputado à Assembleia Legislativa Regional, como independente, nas listas da UDP, lugar que acabou por ceder a um operário da construção civil e do que a UDP se veio a arrepender. Em 1977 foi suspenso "a divinis" pelo bispo D. Francisco Santana (1924-1982), em princípio, sem processo canónico formado. Em 1980, recandidatou-se e foi eleito deputado e em 1982 assumiu a presidência da Junta de Freguesia de Machico. Em 1985, a igreja da Ribeira Seca foi tomada de assalto por 70 elementos da Polícia de Segurança Pública, então sob as ordens do comissário coronel Nuno Homem Costa, a pedido do governo e da diocese, já no episcopado do novo bispo do Funchal, D. Teodoro Faria (1930-2025). Nas eleições autárquicas de 1989, foi eleito presidente da Câmara Municipal de Machico, cargo para o qual foi reeleito, cumprindo o segundo mandato até 1998. Em 1995, entretanto, recebeu do presidente da República Dr. Mário Soares (1924-2017) as insígnias de comendador da Ordem de Mérito e em 1997 foi eleito deputado independente, nas listas do PS, à Assembleia Legislativa Regional, onde permaneceu até 2007, quando deu por terminada a atividade política. Em julho de 2009 ainda teve de responder no tribunal da comarca de Santa Cruz, num processo interposto pelo Governo Regional, pela acusação de "exercício ilegal de sacerdócio", mas de que viria a ser absolvido, só se resolvendo o diferendo com o novo bispo do Funchal, D. Nuno Brás da Silva Martins (1963-), que visita oficialmente a paróquia a 14 jul. 2019. O padre Martins Júnior continuou a exercer o sacerdócio "em consonância com o povo de Deus da Ribeira Seca", como costumava afirmar, numa igreja e residência erguidas pela população local, onde haveria de falecer aos 86 anos.