Lagartixa-da-madeira, Bernardes Franco, 2020, ilha da Madeira
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Descrição
Lagartixa.
Lagartixa-da-madeira, Lacerta dugesii (Milne-Edwards, 1829)
Família: Lacertidae
Henri Milne-Edwards (1800-1885) em homenagem a Antoine Louis Dugès (1797-1838)
Fotografia de Bernardes Franco, 2020, ilha da Madeira.
A lagartixa-da-madeira está presente em praticamente todos os tipos de habitats terrestres do arquipélago, desde a costa e junto da água, nas praias de calhau e de areia, o que é uma originalidade nas subespécies congéneres, até às montanhas mais altas, passando por áreas urbanas e rurais. No interior, em zonas arborizadas mais densas, circunscreve-se a clareira ou levadas, onde a luz do sol penetra.
Relativamente aos répteis, existe a Lagartixa-da-Madeira (Teira dugesii) como única espécie endémica. No princípio do séc. XXI, o género da lagartixa é um género monoespecífico e endémico dos arquipélagos da Madeira e das Selvagens. Como subespécies endémicas, existem a osga-das-selvagens (Tarentola boettgeri bischoffi), a lagartixa do Porto Santo (Teira dugesii jogeri), a lagartixa das Selvagens (Teira dugesii selvagensis), a lagartixa das Desertas (Teira dugesii mauli) e a lagartixa da Madeira (Teira digesii dugesii). Esta última foi introduzida nos Açores, em Portugal continental e, provavelmente, na Grã Canária. A lagartixa é um réptil que pode ser considerado um paradigma de réptil insular. Com um tamanho corporal total que pode ultrapassar os 20 cm nos machos adultos, atinge grandes densidades populacionais em locais soalheiros com abundância de comida e de abrigos. Esta particularidade, ou seja, a alta densidade, faz parte de uma estratégia de sobrevivência em meio insular. Em mais nenhuma parte do continente é observada tal densidade de répteis. Habita uma grande variedade de habitats, desde os 0 aos 1861 m, com diferentes níveis de exposição solar e com diferentes substratos. É omnívora, oportunista e antropófila, ou seja, come “tudo o que aparece”: uma estratégia de sobrevivência em meio insular. Apresenta um grande polimorfismo na morfologia e na coloração inter-ilhas e intra-ilhas. Ainda outro aspeto curioso da espécie, que não é observado em répteis continentais, é o da polinização. Efetivamente, são várias as espécies de plantas que são polinizadas também por lagartixas. Note-se que no continente o “papel” da polinização é essencialmente desempenhado pelos insetos.