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Arquipelago de Origem:
Havai
Data da Peça:
1851-00-00
Data de Publicação:
30/08/2026
Autor:
Jonh Tallis
Chegada ao Arquipélago:
2026-08-30
Proprietário da Peça:
Privado
Proprietário da Imagem:
DR
Autor da Imagem:
Privado
Polynesia or the Islands in the Pacific Ocean, com as Sandwich Islands, depois Havai, John Tallis’s Illustrated Atlas, London & New York: John Tallis & co, c. 1851, álbum publicado quando da Exposição Universal de Londres

Categorias
    Descrição
    Polynesia or the Islands in the Pacific Ocean,
    Litografia colorida, 21.5 x 32 cm.
    Mapa com ilustrações de vistas várias, como a de Kalakakooa, Sandwich Islands, depois Havai.
    John Tallis’s Illustrated Atlas (1817-1876), London & New York: John Tallis & co, c. 1851, álbum publicado quando da Exposição Universal de Londres.

    Havai
    Na Madeira, no séc. XIX, o fenómeno emigratório foi uma constante, devido a períodos de fome, à crise económica e a um grande crescimento demográfico. Tratou-se, também, de
    uma emigração alimentada por fortes solicitações do mercado internacional de mão de obra. Dentro deste fenómeno, há a destacar, pela sua especificidade, a emigração para as ilhas do
    Havai, entre 1878 e 1912. Este processo fez-se ao abrigo de uma convenção assinada entre o reino de Portugal e o reino do Havai, em 5 de maio de 1882, pelo ministro e secretário de
    Estado dos Negócios Estrangeiros, António de Serpa Pimentel, e pelo ministro plenipotenciário Henrique A. P. Carter, representante do Rei havaiano Kalakaua. Esta convenção estipulava os procedimentos a seguir na contratação de emigrantes, tendo deixado de vigorar em 4 de março de 1892 por aviso publicado no Diário do Governo n.º 154, de 15 de julho de 1891. Apesar de existir um cônsul honorário, o Governo de Portugal decidiu enviar um cônsul de carreira para acompanhar a aplicação da convenção nas ilhas havaianas. Foi nomeado António de Sousa Canavarro, que apresentou as suas credenciais ao Rei Kalakaua a 6 de setembro de 1882, exercendo o cargo até 1886. Os cônsules posteriores foram depois nomeados cônsules honorários, uma vez que o Havai foi integrado nos EUA em 1896.
    Entre madeirenses, açorianos e continentais, o Havai recebeu mais de 20.000 imigrantes portugueses entre 1878 e 1913. No Consulado Geral de Portugal em Honolulu, no livro de registo de matrículas, que ficou depois na posse da Portuguese Genealogical Society, estão registados 4556 madeirenses, entre homens, mulheres e crianças, chegados a Honolulu. No entanto, sabemos que o livro não está completo. Segundo a lista existente no Harbor Master’s Record Archives do Havai, os navios que transportaram contratados 233 portugueses foram: Priscilla, barca alemã que aportou em Honolulu a 30 de setembro 1878, após 116 dias de viagem, com 80 homens, 40 mulheres e 60 crianças, num total de 180 passageiros (os documentos do consulado de Portugal apontam a chegada aproximada de 120 passageiros); Ravenscrag, navio inglês que chegou a 23 de agosto de 1879, com 123 dias de viagem desde a Madeira, com 133 homens, 110 mulheres e 176 crianças, num total de 419 pessoas; High Flyer, barca inglesa, chegada a 24 de janeiro de 1880, com 99 dias de viagem a partir de Ponta Delgada, nos Açores, com 109 homens, 81 mulheres e 147 crianças, num total de 337 pessoas; a mesma barca inglesa chegada a 2 de maio de 1881, com 130 dias de viagem desde São Miguel, nos Açores, com 173 homens, 66 mulheres e 113 crianças, num total de 352 pessoas; Suffolk, barca inglesa chegada a 25 de agosto de 1881, com 102 dias de viagem desde São Miguel, Açores, com 206 homens, 100 mulheres e 182 crianças, num total de 488 passageiros; Earl Delhausie, barca inglesa chegada a 27 de março de 1882, com 113 dias de viagem desde São Miguel, Açores, com 94 homens, 82 mulheres e 146 crianças, num total de 322 pessoas; Monarch, navio a vapor inglês chegado a 8 de junho de 1882, com 57 dias de viagem desde São Miguel, Açores, com 202 homens, 197 mulheres e 458 crianças, num total de 857 pessoas; Hansa, navio a vapor inglês chegado a 15 de setembro de 1882, com 70 dias de viagem desde São Miguel, Açores, com 307 homens, 286 mulheres e 584 crianças, num total de 1177 pessoas; Abergeldie, navio a vapor inglês chegado a 4 de maio de 1883, com 62 dias de viagem desde São Miguel, Açores (não temos informações sobre o número de passageiros); Hankow, navio a vapor inglês chegado a 9 de julho de 1883, com 66 dias de viagem desde São Miguel e a Madeira, com 427 homens, 317 mulheres e 718 crianças, num total de 1462 pessoas; Bell Rock, navio a vapor inglês chegado a 1 de novembro de 1883 com açorianos, 396 homens, 294 mulheres e 715 crianças, num total de 1405 passageiros; City of Paris, navio a vapor inglês chegado a 13 de junho de 1884, com 74 dias de viagem a partir da Madeira e de São Miguel, com 295 homens, 199 mulheres e 330 crianças, num total de 824 pessoas; Bordeaux, navio a vapor francês chegado a 3 de outubro de 1884, com 72 dias de viagem a partir da Madeira e com 273 homens, 173 mulheres e 262 crianças, num total de 708 pessoas.
    Os madeirenses que com suas famílias partiam para o Havai suportaram tempestades terríveis junto ao cabo Horn, sofrendo doenças – que resultaram, por vezes, na sua morte, falta de alimentos e más condições de acomodação. Houve famílias inteiras emigraram com contratos de três ou cinco anos para trabalharem nos campos de cana sacarina, nos engenhos ou nas plantações de ananases. O Governo havaiano tinha um departamento de imigração, que controlava o número de contratos e de imigrantes que entravam anualmente, olhando às necessidades de mão de obra dos plantadores e às necessidades do reino. Este departamento tutelava os contratos e, enquanto os imigrantes estivessem abrangidos pelo contrato de trabalho, este organismo também exercia fiscalização sobre as condições de trabalho, de alojamento e de alimentação. No caso de o contratado desejar mudar de plantação, o departamento procedia a essa mudança. Por vezes, à chegada, os imigrantes com um contrato firmado para uma certa plantação eram colocados noutra, sob a orientação do departamento. Em 1850, já existia no Havai um núcleo de Portugueses, constituído fundamentalmente por marinheiros dos navios baleeiros contratados nos Açores, na Madeira e na ilha Brava, Cabo Verde, que fugiam das duras condições de vida e de trabalho nesses navios. William Hillebrand, que vivera no Havai em 1871, a fim de fazer pesquisas botânicas, e que em 1876 visitara as ilhas da Madeira e dos Açores; em carta enviada à associação de  produtores da cana de açúcar do Havai (HSPA), Hillebrand afirmava que os ilhéus eram sóbrios, honestos, pacíficos e trabalhadores com grandes capacidades para o trabalho manual. Atendendo ao teor da carta, o departamento autorizou, em novembro de 1876, a contratação e o pagamento das passagens a Portugueses oriundos das ilhas, pagando 75 dólares por homem, 50 dólares por mulher e 25 por cada criança. Além disso, os imigrantes assinavam um contrato de trabalho que estipulava um período de 36 meses, com 26 dias de trabalho mensal e 10 h diárias de trabalho a partir do nascer do sol. Os homens receberiam um salário de 10 dólares por mês, teriam direito a uma ração diária, alojamento, horta, assistência médica e medicamentos gratuitos. As mulheres e as crianças que trabalhassem receberiam igualmente salários. Com a anexação do Havai pelos EUA, em 1898, as ideias de liberdade individual passaram a ter de ser expressas na legislação. Daí a denúncia que houve dos contratos de trabalho, dado a legislação americana considerar as obrigações pessoais expressas naqueles contratos de trabalho inconsistentes com a democracia. Na América, a escravatura fora abolida em 1863 e a contratação e importação de trabalhadores, tal como era feita, tornara-se ilegal a partir de 1885. Todos os contratos assinados antes do desembarque no Havai foram declarados nulos.