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Arquipelago de Origem:
Freguesia da Sé (Funchal)
Data da Peça:
2026-07-21
Data de Publicação:
24/07/2026
Autor:
Horácio Bento de Gouveia e outros
Chegada ao Arquipélago:
2026-07-24
Proprietário da Peça:
Museu de Fotografia da Madeira
Proprietário da Imagem:
DN
Autor da Imagem:
DN
Apresentação da reedição dos Canhenhos da Ilha, de Horácio Bento de Gouveia, Museu de Fotografia da Madeira – Atelier Vicente's, 21 de julho de 2026, ilha da Madeira.

Categorias
    Descrição
    Apresentação da reedição dos Canhenhos da Ilha, de Horácio Bento de Gouveia
    (1901-1983)
    Com Medeiros Gaspar, Eduardo Jesus e Horácio Bento de Gouveia (filho)
    Ilustrações de António Aragão (1921-2008)
    Museu de Fotografia da Madeira – Atelier Vicente's, 21 de julho de 2026, ilha da Madeira.

    Horácio Bento de Gouveia (Ponta Delgada, 1901; Funchal, 1983). Professor do Liceu Nacional do Funchal, deixou uma vasta obra inspirada nos usos e costumes regionais sendo uma das figuras incontornáveis da cultura do Estado Novo na Madeira.
    Foi apresentada, a 21 de junho de 2026, a reedição do livro 'Canhenhos da Ilha', de Horácio Bento de Gouveia. Na ocasião, o filho do escritor fez questão de notar que o termo 'canhenhos' designa um livro de lembranças ou de memórias. Conforme evidenciou, a publicação reúne cerca de uma centena de textos originalmente publicados no 'Diário de Notícias', escritos que preservam para a posteridade diversos aspectos da vida na Madeira até à década de 1960. E foi com a leitura de alguns excertos de 'Roteiro Sentimental', um dos textos incluídos no livro, dedicado à cidade do Funchal, que Horácio Bento de Gouveia, filho, procurou cativar o público presente para a leitura da obra agora reeditada. Já o secretário regional de Turismo, Ambiente e Cultura defendeu que a reedição de 'Canhenhos da Ilha' contribui para preservar a memória colectiva da Madeira e aproximar novos leitores de uma obra que retrata, com grande detalhe, a sociedade e a cultura madeirenses de outros tempos. Na apresentação da nova edição, promovida pela Direcção Regional da Cultura, Eduardo Jesus descreveu a obra como "um roteiro de saudade", recuperando a expressão utilizada pelo próprio escritor, e destacou a capacidade de observação de Horácio Bento de Gouveia, que permitiu deixar um retrato fiel da realidade da época. "O facto de ter deixado escrito poupa-nos hoje muito tempo para imaginarmos o que seriam a cidade do Funchal e os valores desse tempo", afirmou, considerando que os textos constituem "quadros fiéis da sociedade, da cultura e do próprio tempo em que viveu", assumindo-se como um "referencial muito autêntico" da história da Madeira. O governante sublinhou ainda que esta edição ganha um valor acrescido pelas ilustrações de António Aragão, outro nome maior da cultura madeirense. Segundo referiu, o artista foi também um observador atento e um criador irreverente, cujo traço continua a suscitar diferentes interpretações. Durante a sessão, Eduardo Jesus fez igualmente um ponto de situação sobre o programa de reedição da obra de Horácio Bento de Gouveia, que prevê a publicação de nove títulos, sete romances e duas obras de crónicas. Depois de 'Lágrimas Correndo Mundo', 'Luísa Marta' e, agora, 'Canhenhos da Ilha', a próxima reedição será 'Águas Mansas'. O secretário reconheceu que houve atrasos em 2024 e 2025 no calendário inicialmente previsto, mas garantiu que o compromisso será cumprido. "Em 2026 saem duas obras e queremos que em 2027 também seja possível lançar outras duas, fazendo com que nesse ano todo o compromisso assumido possa estar devidamente honrado", afirmou. Eduardo Jesus agradeceu ainda à família do escritor a disponibilidade para concretizar o projecto, defendendo que a reedição das obras é essencial para evitar que o legado literário fique limitado aos investigadores e especialistas. "As obras, se não forem reeditadas, analisadas, lidas e divulgadas, acabam por ser esquecidas", alertou, acrescentando que este património deve fazer parte da cultura geral e estar acessível a todos os leitores. Para o governante, a escrita de Horácio Bento de Gouveia permite ao leitor viajar até uma Madeira profundamente diferente da actual. "É quase possível cheirar o ambiente daquela altura", afirmou, salientando a riqueza descritiva do autor e a forma como os seus textos proporcionam uma verdadeira viagem sensorial pela ilha de há cerca de um século (Texto de Marco Livramento).
    António Manuel de Sousa Aragão Mendes Correia (São Vicente, ilha da Madeira, 21 set. 1921; Funchal, 11 ago. 2008). Filho de Henrique Agostinho Aragão Mendes Correia e de Maria José de Sousa, frequentou o Liceu Jaime Moniz, a Escola Superior de Belas Artes e licenciou-se em Ciências Históricas-Filosóficas pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, tendo, em 1960, estagiado como bibliotecário em Itália, onde frequentou então ateliers de restauro. Em 1946, António Aragão ganhara o 2º prémio dos Jogos Florais da Madeira com o poema: "Presentemente", tendo então integrado com outros autores, o grupo de poesia experimental português, tendo a partir da década de 60 também se dedicado à pintura. Desde 1972 e até à década de 80 foi diretor do Arquivo Regional da Madeira, anteriormente designado Arquivo Distrital do Funchal, fazendo também parte da comissão diretiva do Museu da Quinta das Cruzes e sido professor da cadeira de História da Arte na Academia de Música e Belas-Artes da Madeira. Deixou interessante obra pública escultórica na Madeira e no Porto Santo, ilustrou a obra Canhenhos da Ilha, de Horácio Bento Gouveia (1901-1983), 1966 e deixou ainda obra historiográfica, com especial referência para o Funchal.