Florbela Espanca, perdidamente ..., mármore de Francisco Simões, 2025, Vila Viçosa, Portugal
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Descrição
Florbela Espanca, perdidamente ...
(1894-1930)
Mármore de Francisco Simões (1946-2026), 2025
Inauguração a 30 de março de 2025.
Jardim Florbela Espanca, coordenação do arquiteto Nuno Lopes, Vila Viçosa, Portugal
Florbela da Alma da Conceição Espanca (Vila Viçosa, 8 dez. 1894; Matosinhos, 8 dez. 1930) foi uma poetisa portuguesa, autora de sonetos e contos marcantes da literatura portuguesa, como uma das primeiras feministas de Portugal. A sua poesia é conhecida por um estilo peculiar, com forte teor emocional, na qual o sofrimento, a solidão e o desencanto estão aliados ao desejo de ser feliz. O pai, João Maria Espanca, era casado com Maria do Carmo Toscano, mas que não podia ter filhos, pelo que acordaram um relacionamento com a camponesa Antónia da Conceição Lobo, de que houve dois filhos: Florbela e Apeles que foram levados para morar na casa do pai e foram registados como filhos de Antónia e pai “incógnito”, que só a reconheceu como sua filha depois que ela morreu. Florbela ingressou no Liceu Nacional de Évora, onde permaneceu até 1912 e, em 1913, casou-se com Alberto Moutinho, seu colega da escola. Em 1914, o casal mudou-se para Redondo, na Serra d’Ossa, Alentejo, onde abriram uma escola e Florbela passou a lecionar. Em 1916, a revista Modas & Bordados publicou seu soneto “Crisântemos” e, de volta a Évora, Florbela tornou-se colaboradora do jornal “Notícias de Évora”. Nessa época conheceu outros poetas e participou de um grupo de mulheres escritoras, completando o curso de Letras em 1917 e ingressando no curso de Direito da Universidade de Lisboa. Em 1919, lançou o “Livro de Mágoas”, onde parte de sua inspiração veio de sua vida tumultuada, inquieta e sofrida pelo relacionamento conflituoso com seu pai. Em 1921, divorciou-se de Alberto e passou a viver com um oficial de artilharia, António Guimarães e, em 1923, publicou “Livro de Sóror Saudade”, ano em que se separou do marido, casando-se em 1925 com o médico Mário Laje, em Matosinhos. Em 1927, a sua vida foi marcada pela morte do irmão num acidente, quando pilotava um pequeno avião que sobrevoava o Tejo. O ocorrido levou Florbela a tentar o suicídio, inspirou-lhe o livro “As Máscaras do Destino” e acabaria por a levar ao suicídio com barbitúricos, no dia em que iria completar 36 anos de vida e, às vésperas da publicação de sua obra prima “Charneca em Flor”, em que apresenta uma efusão lírica de sensualidade luminosa e ousada para a época, que foi publicada em janeiro de 1931. Florbela Espanca morreu em Matosinho, distrito do Porto, Portugal, no dia 8 de dezembro de 1930, sendo enterrada no cemitério de Sedim. Em 1964, seus restos mortais foram transportados para o cemitério de Vila Viçosa, cidade onde nasceu.
Francisco Simões Santos (Porto Brandão, Almada, 1946-2026) concluiu, em 1965, o curso da Escola de Artes Decorativas António Arroio, em Lisboa e, entre 1967 e 1968, esteve em Itália e em França, como bolseiro. Radicado na Madeira, em 1969, veio a ocupar o lugar de professor da Escola Secundária da Ribeira Brava em 1972 e, no seguinte ano de 1973, passou a integrar a comissão diretiva do Museu da Quinta das Cruzes. Concluiu o curso de Escultura, em 1974, na então Academia de Música e Belas Artes da Madeira, mas teve de abandonar a Madeira um ano e pouco depois, na sequência da conturbada situação regional após o 25 de Abril de 1974. Veio então a desenvolver uma interessante carreira como artista plástico e ilustrador, tendo começado por assinar alguns trabalhos de pintura como Francisco de Almada e reservando o apelido de Simões para a escultura. Como escultor "O autor considera-se um descendente dos escultores da escola de Mafra e das suas técnicas manuais de dar vida à pedra. Na época da mecanização recusa o facilitismo destes processos, preferindo o moldar cuidado de cada centímetro de pedra por processos manuais. O resultado final é esplendoroso, os brilhos dos mármores são potenciados libertando a sua beleza escondida" (Texto do Metropolitano de Lisboa).
Voltaria ainda à ilha da Madeira em 2019, depois de ter vivido e trabalhado quase 20 anos em Sintra, onde se instalara em 1991, adquirindo no Funchal a Quinta da Alegria, em São Roque, onde instalou o "Centro de Artes Francisco Simões". Logo naquele ano de 2019, a 10 de maio, apresentou os seus trabalhos na Galeria Anjos Teixeira (1908-1997), na Rua João de Deus, Funchal e, a 23 de junho de 2023, ocuparia o átrio da Assembleia Legislativa Regional com uma grande exposição de obras suas e da sua coleção pessoal, organizada no quadro do Forum Económico Internacional do Instituto do Mundo Lusófono, exposição com curadoria de Márcia de Sousa. Em agosto de 2025, no entanto, venderia a quinta da Alegria do Funchal e regressava ao continente, onde faleceu 6 meses depois.