Retábulo da confraria de Nossa Senhora da Conceição e do Corpo Santo de Santa Cruz, 1770 (c.) e seguintes, igreja matriz do Salvador de Santa Cruz, ilha da Madeira.
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Descrição
Retábulo da confraria de Nossa Senhora da Conceição e do Corpo Santo.
Campanha de obras de 1770 (c.) e seguintes.
Capela lateral de Nossa Senhora da Conceição.
Fotografia de 2025.
Igreja matriz do Salvador de Santa Cruz, ilha da Madeira.
A confraria do Corpo Santo de Santa Cruz parece nunca ter tido altar próprio, mas também nenhuma documentação chegou até nós a seu respeito. Segundo a tradição teria funcionado nesta capela, hoje de Nossa Senhora da Conceição, mas que teve outras devoções e confrarias ali a funcionarem, devendo o arco exterior datar de data muito perto da de construção geral da igreja. O retábulo teve várias campanhas de obras e, salvo melhor opinião, a nau pintada no tímpano, de 1770 (c.), parece ser o elemento mais antigo que chegou até no retábulo.
Em 1508, o pedreiro mestre Fernão Mouseiro e o pedreiro segundo Godinho foram pagos por haverem construído a capela-mor da matriz de Santa Cruz, devendo ter feito outras obras. A torre e a cúpula da capela-mor parecem indiciar um projeto enviado de Lisboa ou de Coimbra por Diogo Boitaca. As obras da matriz estavam praticamente prontas em 1511, quando o serviço religioso ali começou a funcionar e foram pagas ao fidalgo João de Freitas (c. 1470-c. 1533) em 1533, altura em que o templo estaria totalmente pronto e o mesmo teve autorização de ser sepultado na capela-mor. Entretanto, já havia também obtido a elevação de Santa Cruz a vila, através de foral e carta régia datados de 25 de junho de 1515.
O fidalgo João de Freitas veio para Santa Cruz com o pai Gonçalo de Freitas, que fora monteiro-mor do infante D. Fernando (1433-1470) e cujo pai fora tesoureiro do infante D. João (1440-1442), mestre da Ordem de Santiago. João de Freitas passara para o serviço do duque de Viseu D. Diogo (1451-1484), filho da infanta D. Beatriz (1429-1506) e do infante D. Fernando, na sequência do assassinato do duque, em Setúbal, a 28 de agosto de 1484, mas pouco depois, com o pai, viriam para a área de Santa Cruz. Protegidos da infanta D. Beatriz, seria João de Freitas, com a subida ao trono de D. Manuel (1469-1521), almoxarife das alfândegas de Santa Cruz e do Funchal, e encarregado das obras da nova matriz do Salvador, em Santa Cruz, por 1500, pedindo depois para ser sepultado na capela-mor, autorização que foi concedida a 19 de setembro de 1533.