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Arquipelago de Origem:
Lisboa (cidade)
Data da Peça:
2024-02-00
Data de Publicação:
18/05/2026
Autor:
Fundação Calouste Gulbenkian
Chegada ao Arquipélago:
2026-05-19
Proprietário da Peça:
Fundação Calouste Gulbenkian
Proprietário da Imagem:
Fundação Calouste Gulbenkian
Autor da Imagem:
Maria Lamas
Jovem mãe da Castanheira, Serra da Estrela, Maria Lamas, 1948 a 1950, capa do catálogo da exposição da Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, fevereiro de 2024, Portugal

Categorias
    Descrição
    Jovem mãe da Castanheira, Serra da Estrela
    Maria Lamas (1893-1983), 1948 a 1950,
    Exposição As Mulheres de Maria Lamas com mais de 60 fotografias de Maria Lamas e  com curadoria de Jorge Calado, inclui ainda objetos pessoais e primeiras edições dos livros da jornalista, investigadora e defensora dos direitos humanos no século XX, mostrando como nos anos 40 uma jornalista em reportagem coligiu a melhor coleção de fotografia de mulheres portuguesas e ela própria se tornou uma das mais notáveis.
    Catálogo com prefácio de Guilherme d’Oliveira Martins, dois textos do curador da exposição, Jorge Calado, um texto de Alexandre Pomar, um texto da historiadora de arte Raquel Henriques da Silva e um testemunho da escritora Alice Vieira, prima de Maria Lamas, Fundação Calouste Gulbenkian,
    Lisboa, fevereiro de 2024, Portugal

    Exposição dentro das Comemorações dos 50 anos do 25 de Abril que pretendem celebrar a conquista da liberdade e a construção da democracia. Entre 2022 e 2026, a Comissão promoveu um conjunto amplo e diverso de iniciativas que conciliam a evocação da memória da resistência e da Revolução com a reflexão sobre o futuro. No final da década de 40, o panorama artístico nacional acompanha a realidade política de ascendente oposição à ditadura do Estado Novo. No contexto do pós-guerra, os movimentos de oposição ao regime tomam novo fôlego, na expectativa de que a mudança na política europeia pudesse favorecer o fim da Ditadura portuguesa, esperança que em breve se veria gorada, com a reafirmação do regime e a sua permanência até à instauração da Democracia em 25 de Abril de 1974. É neste contexto social e político que a escritora, jornalista e ativista feminista Maria Lamas realiza o projeto editorial de «As Mulheres do Meu País».  O seu percurso de ativista e opositora política ao regime consolida-se neste período, com a presidência do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas (1911-1947), as suas participações na Federação Democrática Internacional das Mulheres (1945) e no Movimento de Unidade Democrática, um dos coletivos políticos mais ativos na oposição à Ditadura na década de 40. O projeto de As Mulheres do Meu País foi editado em fascículos, entre maio de 1948 e abril de 1950, e foi uma resposta/protesto da autora pela ordem política de dissolução do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, em 1947, organização histórica à qual presidia desde 1945 e que teve desde a sua criação em 1914 um papel determinante na representação, a nível nacional, das lutas do movimento feminista internacional.
    Maria Lamas, de seu nome completo de registo, Maria da Conceição Vassalo e Silva (Torres Novas, 6 out. 1893-Lisboa, 6 dez. 1983), era a irmã mais velha do general Manuel António Vassalo e Silva (Torres Novas, 8 nov. 1899; Lisboa, 11 ago. 1985), último governador do Estado Português da Índia, passando a usar o apelido Lamas, depois de breve casamento, tendo sido uma das principais ativistas portuguesas dos direitos das mulheres. Diretora e fundadora da revista Modas e Bordados, foi perseguida pela PIDE e tendo estado detida em Caxias em 1949, 1950-1951, depois da publicação das Mulheres do Meu País e, de novo, em 1953,  recolhendo-se então no Funchal em 1954 e 1955, onde escreveu Arquipélago da Madeira, Maravilha Atlântica, editado pelo Eco do Funchal, de Maria Mendonça (1916-1997), também em folhetos, a partir de 1956, tendo seguido em 1960 para Paris, onde se manteve exilada e de onde só regressou a Portugal a 3 de dezembro de 1969, com a Primavera Marcelista.