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Arquipelago de Origem:
Planalto de Mueda
Data da Peça:
2005-00-00
Data de Publicação:
17/05/2026
Autor:
Escultor Makonde
Chegada ao Arquipélago:
2026-05-17
Proprietário da Peça:
Museu da Presidência
Proprietário da Imagem:
Museu da Presidência
Autor da Imagem:
Museu da Presidência
Família, escultura makonde de Moçambique, 2005, Museu da Presidência da República, Belém, Lisboa, Portugal.

Categorias
    Descrição
    Família.
    Madeira de ébano esculpida e engraxada dalbergia melanoxylon, ou mpingo, dita pau-preto ou jacarandá-africano.
    Escultor Makonde do Planalto Maconde, Moçambique
    Oferta do presidente de Moçambique, Armando Guebuza (1943-) a Jorge Sampaio (1939-2021), em 2005.
    Museu da Presidência da República, Belém, Lisboa, Portugal.

    A utilização da madeira dita pau-preto parece ser uma introdução colonial das missões católicas do Norte de Moçambique, dada a dificuldade do trabalho desta madeira particularmente dura e, daí, também a sua fragilidade. Assim, se desde os séculos XVI e XVII fosse utilizada para mobiliário, pelo menos em África e pelos Makondes, ao que tenhamos conhecimento, não o era para a escultura. A qualidade final obtida e o valor comercial desta madeira, entretanto, ditaram novas regras ao mercado, de tal forma que este tipo de árvore já se encontra extinta em vários países africanos e é já muito rara na Tanzânia e em Moçambique. Estas árvores já começam a ser cultivadas, mas ainda sem conseguir suprir a demanda, principalmente porque a árvore leva de 70 a cem anos para amadurecer.
    Na coleção do Museu da Presidência da República existem muitos e variados presentes de Estado provenientes de países da CPLP, como uma escultura oferecida pelo Presidente de Moçambique, Armando Guebuza, ao presidente Jorge Sampaio, em outubro de 2005, a «Família», escultura em pau-preto representativa da arte maconde. Os Macondes (ou Makondes) são um povo da África oriental que habita o sudeste da Tanzânia e o nordeste de Moçambique, no Planalto de Mueda, região do Cabo Delgado. Permaneceram isolados e afastados da subjugação de outros povos até à década de 1920, com a chegada dos portugueses. A forte coesão de grupo, a capacidade de resistência e a sensibilidade estética são apontadas como suas principais características, aparecendo desde sempre ligados à atividade escultórica. Na década de 1960, os Macondes foram fundamentais na organização da resistência contra o colonialismo português e a venda das suas esculturas foi uma importante fonte de financiamento da FRELIMO (Frente de Libertação de Moçambique). A madeira utilizada pelos macondes nas suas esculturas é o pau-preto, proveniente da árvore Dalbergia melanoxylon (jacarandá-africano) também conhecida como Mpingo, caracterizada pela cor escura e dureza (utilizada no fabrico de instrumentos como clarinetes, oboés, teclas de piano, etc.). A peça «Família» pertence a um dos géneros da arte maconde: Ujamaa que significa união e representa o sentido de comunidade. Num «tronco familiar», são esculpidos corpos e caras de feições macondes que se entrelaçam uns nos outros simbolizando o desejo de participação num ideário comum e de pertença a um grupo. Com a independência de Moçambique, em 1975, a arte maconde tornou-se num dos principais símbolos da identidade moçambicana.