Alargamento do Largo do Chafariz, 1930 (c.), Funchal, ilha da Madeira
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Descrição
Alargamento do Largo do Chafariz
Com a ampliação da Casa Portuguesa, propriedade de Alfredo Guilherme Rodrigues (1862-1942), muito provavelmente, em pessoa no último andar do prédio.
Fotografia Foto Figueiras, 1930 (c.)
Funchal, ilha da Madeira
Exposição Foto Figueiras, Reminiscências de outrora, no Museu de Fotografia da Madeira, Atelier Vicente's, 10 de dezembro de 2023. Esta mostra, com 52 fotografias, pretende desafiar o visitante a realizar um exercício de memória, contrapondo as imagens que identifica ao longo do circuito expositivo com a actualidade. As semelhanças e diferenças que encontrará estarão sempre associadas a vivências, a acções ou a episódios que fizeram parte da História da Madeira. Será possível observar referências a actividades e ofícios que se perderam no tempo, ruas que deram lugar a avenidas, construções que surgiram e outras que desapareceram, margens que se afastaram ou se aproximaram.
A Foto Figueiras, fundada em 1930 por António Gomes Figueira (1901-1980) e Carlos Melim, tal como depois, com António Gomes Figueira (1911-1995), começou por ser uma loja de artigos fotográficos a Foto Figueiras & Melim, mas que, rapidamente, expandiu a sua atividade como estúdio de captação de imagem. Sendo uma referência no panorama regional, dedicou-se à fotografia de paisagem e de estúdio. O facto de estar localizada no Largo das Fontes, próximo do terminal das carreiras de autocarros provenientes das zonas rurais, permitiu que fossem muitos aqueles que aproveitassem para “tirar o retrato”. A 27 de dezembro de 1989, o estúdio encerra ao público e o Governo Regional da Madeira, através do então Photographia – Museu “Vicente's”, adquire o espólio fotográfico do mesmo.
Este chafariz, ao que tenhamos conhecimento, foi o primeiro aparecer no Funchal, na vigência de governador e capitão-general de D. Manuel de Portugal e Castro (1787-1854), que em 21 fev. 1826, determina à Câmara Municipal do Funchal "remover a ermida de S. Sebastião", ou melhor, a vaga reconstrução de 1821 (ABM/ARM, CMF, 1396, fl. 34v.), "visto este edifício não passar dum pardieiro, que com muita indecência está servindo de receptáculo de imundices e obscenidades", pedido renovado a 28 do mesmo mês, alvitrando a transferência para outro local, "mais do serviço de Deus e de Sua Majestade Imperial e Real" (Ibd., GC, 194, fls. 35v-36). Em janeiro seguinte já a ermida estava demolida e em julho de 1827, levantava-se o fontanário, depois dotado do obelisco, em princípio, destinado a comemorar a Constituição.
O chafariz foi constituído por um antigo tanque da cerca do convento de São Francisco, talvez ainda dos finais do séc. XVI e que tinha sido montado no Passeio Público, então transferido para o antigo largo da capela de São Sebastião. Sobre o conjunto foi erguido um elegante obelisco encomendado em Lisboa, ostentando para a via pública as armas nacionais em escudo oval e, do outro, as da cidade do Funchal. A utilização das armas reais sobre escudo oval indicia o início do reinado de D. Maria II (1819-1853), pois que até então essa forma de suporte em Portugal era reservada ao clero, embora em outros países europeus assim não fosse. Conhecemos outro exemplo, nos Açores, na bandeira hoje na Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, que foi enviada de Londres pelo então marquês de Palmela (1781-1850), a 24 abr. 1829, para o comandante do batalhão de Caçadores 5 daquela cidade, em nome de D. Maria II e bordada por “suas próprias e régias mãos: Dom singularíssimo e nunca feito até agora” (Gervásio Lima, Breviário Açoreano, Angra do Heroísmo, Tip. Editora Andrade, 1935, p. 139), como refere a carta que acompanhou a bandeira. Posteriormente, entretanto, voltou-se ao tradicional escudo quadrado ou samnítico, tal como ao de ponta redonda, não se usando o escudo oval, pelo que, provavelmente, pode tratar-se da pilastra do mítico monumento levantado à Constituição de 1822, mas que encomendado em Lisboa, levou algum tempo a ser esculpido e só sendo depois de D. Pedro IV (1798-1834), a 2 de maio de 1826, abdicar do trono de Portugal na sua filha D. Maria. A confirmar-se esta hipótese, pode, inclusivamente, nunca ter ocupado o lugar, pois que o original, parte, por certo, em madeira, foi mandado demolir até às fundações em 1828 pelo governo absolutista de D. Miguel (1801-1866).