Cesteiro Vindimo do Estreito de Câmara de Lobos, 1980 (c.), Estreito de Câmara de Lobos, ilha da Madeira.
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Descrição
Cesteiro Vindimo do Estreito de Câmara de Lobos.
Fotografia de 1980 (c.).
Arquivo e Biblioteca Pública da Madeira.
Estreito de Câmara de Lobos, ilha da Madeira.
A obra de vime é classificada em três categorias: a obra leve, a obra média e o mobiliário. Os cestos de vários formatos para uso doméstico e os cestos utilizados nas tarefas agrícolas, como este “cesto vindimo”, inserem-se na segunda categoria. Estes cestos, de fabrico artesanal, eram confecionados muitas vezes pelos próprios agricultores, que possuíam plantações de vime, aproveitando depois a matéria-prima na confeção de cestos utilitários. Como a própria designação indica, são utilizados, durante a vindima, para transportar as uvas até o lagar. São confecionados com o vime cru, com casca, tornando-se mais resistentes. A vindima destacava-se como o momento mais importante da faina vitivinícola. De finais de agosto a princípio de outubro, o meio rural animava-se com esta azáfama, atraindo forasteiros e assalariados sazonais. Esta faina agrícola tinha lugar nos inúmeros vinhedos espalhados pela ilha, tendo como centro os lagares. Velhos, adultos e crianças, munidos de facas, podões e navalhas, cortavam os cachos e enchiam os “cestos vindimos”, transportando-os, às costas, até o lagar.
O trabalho de verga, na Madeira, geralmente designado por obra de vime, é comum em toda a Europa e noutros locais do mundo, parecendo ter vindo do Oriente e ter sido introduzido em tempos muito remotos nas culturas do Mediterrâneo através do Egito. Estes trabalhos são obtidos, prioritariamente, a partir dos ramos do vimeiro, arbusto que se cultiva na Madeira até uma altitude de cerca de 800 m, em locais húmidos e com abundância de água, quase sempre perto de ribeiras. O vimeiro cultivado na Madeira parece ser o cruzamento da espécie do género Salix alba L. (choupo) com o Salix fragilis L. (chorão), só existindo indivíduos femininos, mas que se multiplicam de estaca com uma extrema facilidade.
A sua cultura esteve espalhada um pouco por toda a ilha, principalmente nos terrenos húmidos, leitos das ribeiras, lameiros e próximos das levadas, como acima referido. A poda do vimeiro executa-se desde janeiro até março, sendo então as longas hastes reunidas em feixes em seguida à colheita. O descasque pode ser quase imediato e feito a quente, por escaldão, mas ficando ligeiramente acastanhado e sendo utilizado em determinadas obras que não exigem o emprego de vime branco. Caso contrário, o seu tratamento exige mergulhar as pontas das hastes do vimeiro nas ribeiras, ou em tanques, onde fica cerca de mês e meio a três meses, para rebentar ou refilar o caule, após o que pode ser descascado, havendo cuidados especiais em que receba luz e o arejamento necessário, após o que se deve cortar a parte que esteve mergulhada na água. Após esta operação, o vime é seco ao sol durante cerca de dois meses e depois novamente humedecido para poder ser trabalhado.
É a haste mole, flexível, comprida, delgada e resistente do vimeiro que constitui a matéria-prima para a produção dos diversos artefactos que constituem a obra de vimes. Em termos formais e funcionais, esta obra pode dividir-se em várias categorias, que vão desde obras mais ou menos leves, como cestos para flores e para pequenos objetos, até outra cestaria para uso doméstico e mais utilitário, mas também para utilização em tarefas agrícolas, como os “cestos vindimos”, para recolha da uva, tal como na construção civil e, depois, com um outro trabalho mais cuidado, em mobiliário diverso, com especial destaque para cadeiras, mesas, etc., a partir dos meados do século XIX, muito especialmente para exportação.