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Arquipelago de Origem:
São Miguel (Açores)
Data da Peça:
1525-00-00
Data de Publicação:
28/04/2026
Autor:
Oficina portuguesa
Chegada ao Arquipélago:
2026-04-28
Proprietário da Peça:
Museu Carlos Machado
Proprietário da Imagem:
Museu Carlos Machado
Autor da Imagem:
Museu Carlos Machado
Sala dos Mártires de Lisboa, óleos sobre madeira de oficina portuguesa, 1525 (c.), Núcleo de Arte Sacra do Museu Carlos Machado, Ponta Delgada, ilha de São Miguel, Açores.

Categorias
    Descrição
    Sala dos Mártires de Lisboa.
    Óleos sobre madeira de oficina portuguesa, 1525 (c.).
    Núcleo de Arte Sacra do Museu Carlos Machado.
    Igreja do colégio jesuíta de Todos os Santos, Ponta Delgada, ilha de São Miguel, Açores.

    A pintura portuguesa do início do século XVI foi essencialmente religiosa, na tradição do que se vinha fazendo desde os meados da centúria anterior. Portugal, ao contrário do que acontecia noutros centros europeus, não deu importância de maior à temática laica, nomeadamente à mitologia clássica. Seria necessário esperar algumas décadas para que este fenómeno, com grande representatividade na Itália, na Flandres e nos Países Baixos, se estendesse até este canto ocidental da Península Ibérica e, mesmo assim, sem o vigor que atingiu naquelas latitudes. Na época manuelina a arte da pintura em Portugal desenvolveu-se fundamentalmente para fazer face à procura que nascia das numerosas remodelações que se faziam nos templos paroquiais, catedralícios e monásticos, de Norte a Sul, aumentando as áreas destinadas ao culto e, naturalmente, obrigando a uma melhoria do seu mobiliário e decoração. O retrato civil, as cenas do quotidiano e as alegorias foram esquecidas, e mesmo os feitos de armas dos Portugueses ou as suas navegações em paragens distantes apenas eram cantadas em tapeçarias. Reflecte-se assim uma faceta claramente medievalizante da nossa arte, pese embora a utilização de uma gramática estética que, em grande parte, temos de considerar já renascentista. O quadro que apresentamos nesta capa é um bom exemplo desta situação. É, como acima se indica, uma alusão aos mártires lisboetas Máxima, Júlio e Veríssimo, mas enquadrados por uma paisagem quinhentista. De facto, a cena passa-se no Terreiro do Paço, em Lisboa, vendo-se uma embarcação desse tempo e o paço real de D. Manuel I, com a sua grande varanda virada à praça e o corpo central enobrecido por um maior volume e uma elevação dos telhados. Os trajes são também comuns dos nobres e dignitários da corte portuguesa.
    Obrigados pelas encomendas a fazer pintura essencialmente religiosa, os artistas nacionais usavam estes subterfúgios, para, como os seus colegas de além-fronteiras, poderem executar obras de notória modernidade (texto de Pedro Dias pub. in Marcos da Arte Portuguesa, Pub. Alfa, Lisboa, 1986, n.º 54).
    O colégio jesuíta de Ponta Delgada, da evocação de Todos os Santos, foi fundado em janeiro de 1591 por três religiosos do colégio de Angra, em terrenos cedidos por João Lopes Henriques, vindo tomar posse do mesmo terreno o padre Fernão Guerreiro, natural de Almodôvar, no Alentejo. As obras, como residência dos padres do colégio de Angra, começaram precariamente em 1 de novembro de 1592 e estariam sumariamente acabadas a 28 de fevereiro do seguinte ano de 1593. Todo o conjunto foi remodelado a partir de 1625, com obras iniciadas a 13 de setembro, vindo a instituir-se como Colégio, com reitor, em 1636. As obras, no seu conjunto, arrastar-se-iam nessa fase até 1666. Entretanto, por volta de 1657, começam as obras da nova igreja, que nunca chegaria a completar-se, devendo a fachada principal datar de 1723, aproximadamente. Pub. in Igreja do Colégio dos Jesuítas de Ponta Delgada, Núcleo de Arte Sacra do Museu Carlos Machado, catálogo com textos de Nestor de Sousa (1931-2017), António Manuel Oliveira e Margarida Teves Oliveira, Presidência do Governo Regional dos Açores, Direção Regional da Cultura, São Miguel, Açores, 2006.