Cabeça de rapariga, cerâmica patinada como bronze de Canto da Maya, 1925 (c.), Museu Nacional Soares dos Reis, Porto, Portugal.
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Descrição
Cabeça de rapariga
Cerâmica patinada como bronze, 44 x 15 x 18 cm
Ernesto do Canto da Maya (1890-1981), 1925 (c.).
Assinatura gravada na base.
Cabeça de rapariga com o rosto ligeiramente voltado para baixo, de cabelo apanhado atrás protegido por um véu muito fino; as linhas do rosto são simplificadas notando-se, em particular, a indefinição da íris. Corte vertical de cada um dos lados da base do pescoço. O suporte é um maciço paralelepipédico que faz parte integrante da obra.
Pertenceu à Coleção Herdeiros de Canto da Maia e foi adquirida num leilão no Palácio do Correio Velho de 11 a 19 dez. 2000 através de Fundos PIDDAC/2000
Museu Nacional Soares dos Reis (344 Esc MNSR), Porto, Portugal.
Ernesto do Canto Faria e Maia ou somente Canto da Maya (Ponta Delgada, Açores, 1890 – ibidem, 1981) desenvolveu a sua formação artística em Lisboa, Paris, Genebra e Madrid, e a carreira mais consagrada e internacional de um escultor português na primeira metade do século, destacando-se entre os percursores do modernismo figurativo com uma original estética decorativista. Entre Paris e Lisboa, cria esculturas – grandes conjuntos, figurinhas de terracota ou gesso, bustos, baixos-relevos, figuras metafóricas dos ciclos da vida ou da feminidade – cuja expressividade anatómica e idealidade poética foi muito premiada, e escolhida para representar a arte francesa (Tóquio e Osaka, 1926), e Portugal, em várias exposições universais (Paris, 1937; Nova Iorque, S. Francisco, 1939) e na Bienal de S. Paulo (1957). Desempenhou também um papel central na exploração da art déco, colaborando em projetos com célebres arquitetos. Uma viragem a meio da carreira leva-o da pioneira reinvenção da escultura figurativa ao academismo nacionalista, em longa campanha oficial de esculturas monumentais destinadas a enaltecer a propaganda patriótica do Estado Novo, que lhe atribui o Grau de Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada (1941). Apesar de diferentes fases e faces, a obra de Canto da Maya continua a atrair sucessivas homenagens e retrospetivas desde a década de 30, em Portugal e França.