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Arquipelago de Origem:
Lunda e Leste
Data da Peça:
1966-00-00
Data de Publicação:
08/04/2026
Autor:
Escultor Ovambo
Chegada ao Arquipélago:
2026-04-08
Proprietário da Peça:
Museu Nacional de Etnologia
Proprietário da Imagem:
Museu Nacional de Etnologia
Autor da Imagem:
Museu Nacional de Etnologia/António Bento
Boneca kwanyama okana dos Ovambo, sudoeste de Angola, 1966 (c.), Museu Nacional de Etnologia, Lisboa, Portugal.

Categorias
    Descrição
    Boneca kwanyama okana do sudoeste de Angola
    Montagem a partir de uma semente de duplo bojo com panos vários a partir do estrangulamento, botões, missangas, etc.
    Grupo cultural ovambo do sudoeste de Angola, 1966 (c.)
    Bonecas kwanyama okana (ovambo) que formam um grupo muito homogéneo de 18 bonecas, em termos de materiais constituintes: definidas por uma semente de duplo bojo; o seu estrangulamento apresenta uma saia, e um número variável de saiotes. Em 1966, na sua segunda missão, em que pela segunda e última vez coleta bonecas deste tipo, António Carreira (Cabo Verde, Fogo, 1905-1988) anexa a seguinte informação: “Estas bonecas são usadas por raparigas solteiras, e por casadas até ao nascimento do primeiro filho. O fruto empregado chama-se Dunga, da árvore Mulunga” (ficha de inventário da boneca MNE: AG.853).
    Recolha António Carreira, em Angola, 1966 (c.).
    Secção A brincar e já a sério. Bonecas do sudoeste angolano.
    Montagem O museu, muitas coisas, 2015 (c.).
    Museu Nacional de Etnologia, Restelo, Lisboa, Portugal.

    A coleção da exposição permanente do Museu Nacional de Etnologia O museu, muitas coisas, integra o núcleo «A Brincar e Já a Sério. Bonecas do Sudoeste de Angola». Trata-se de uma coleção constituída por oitenta e três bonecas diferentes (18 kwanyama okana; 2 kwanyama corpo; 19 Carolo de milho; 42 Tronco; 2 Mwila barro) resultantes de diversos grupos culturais e que foi estudada em fevereiro de 2015 por Inês Ponte. As bonecas desta região começaram a ser recolhidas, numa fase inicial, por missionários, administradores, exploradores, aventureiros e, posteriormente, por etnógrafos treinados e antropólogos. São assinaladas por uma esfera feminina, infantil e ritual, sendo que algumas são amuletos de fecundidade, usadas por mulheres e raparigas em busca da concretização da maternidade, e outras são brinquedos de menina, relacionando-se, de certa forma, com as congéneres e míticas Akua-Ba do Golfo da Guiné. Refira-se que a «designação dada a cada tipo de boneca tomou como critério inicial a sua imediata identificação, tendo sido posteriormente enriquecida com a informação adquirida sobre elas».
    O Museu Nacional de Etnologia foi criado pelo grupo de trabalho de Jorge Dias (1907-1973) e Margot Dias (1908-2001), Fernando Galhano (1904-1995), Ernesto Veiga de Oliveira (1910-1990) e Benjamim Enes Pereira (1928-2020), primeiro, na Universidade do Porto e no Centro de Estudos de Etnologia Peninsular, fundado em 1945 por António Mendes Corrêa (1888-1960), passando depois à Universidade de Coimbra, onde Jorge Dias leciona entre 1952 e 1956, e neste último ano, a Lisboa, onde se fixa, passando a lecionar no Instituto Superior de Estudos Ultramarinos e na Faculdade de Letras. Foi este grupo, a partir de 1962, que foi responsável pela montagem, primeiro, do Museu de Etnologia do Ultramar, mas a partir de 1965, Museu Nacional de Etnologia, construído, depois, em 1976, por coincidência, na Avenida da Ilha da Madeira, com projeto do arquiteto António Saragga Seabra (). O acervo do museu é vasto e diversificado, contando com cerca de 42.000 peças representativas de 80 países dos cinco continentes, com especial destaque para culturas africanas, asiáticas e ameríndias, bem como para a cultura tradicional portuguesa.