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Arquipelago de Origem:
Beiras e Estremadura
Data da Peça:
1969-00-00
Data de Publicação:
07/04/2026
Autor:
Mestre popular
Chegada ao Arquipélago:
2026-04-07
Proprietário da Peça:
Museu Nacional de Etnologia
Proprietário da Imagem:
Museu Nacional de Etnologia
Autor da Imagem:
Museu Nacional de Etnologia
Adufe de Idanha-a-Nova, 1969, Museu Nacional de Etnologia, Lisboa, Portugal.

Categorias
    Descrição
    Adufe.
    Recolha de Ernesto Veiga Oliveira, em Idanha-a-Nova, 1969.
    A coleção dos instrumentos musicais populares resultou da pesquisa sistemática promovida pela Fundação Calouste Gulbenkian, sob proposta de Jorge Dias (1907-1973) e conduzida no terreno por  Ernesto Veiga de Oliveira (1910-1990) e Benjamim Enes Pereira (1928-2020) entre os anos de 1960 e 1965.
    Museu Nacional de Etnologia (AR 478), Restelo, Lisboa, Portugal.

    O Adufe foi introduzido na Península Ibérica pelas invasões islâmicas, entre os séculos VIII e XII, encontrando-se a sua utilização centrada no centro-leste de Portugal, com especial incidência para a área de Castelo Branco, mas também no Alentejo. É um instrumento musical membrafone, por vezes com sementes no interior para aumentar a sonoridade e é utilizado preferencialmente por mulheres, acompanhando o canto por ocasião de festas e romarias.
    O Adufe ou pandeireta é, assim, um bimembranofone de forma quadrada, associado às tradições folclóricas da zona interior fronteiriça de Portugal, principalmente a Beira Baixa, onde hoje, em Idanha-a-Nova encontrou o estatuto de símbolo do Município. As suas origens perdem-se no tempo havendo representações de possíveis exemplares na Antiguidade pré-Clássica na Mesopotâmia, até chegar à Península Ibérica, possivelmente, no início da Idade Média, assumindo ser um instrumento de uso erudito, mas principalmente popular, feminino e transversal a domínios políticos ou religiosos. Os processos culturais a que a região interior de Portugal, esteve sujeita, fizeram com que se desse uma cristalização de algumas tradições medievais no interior do país, onde se insere o uso do adufe, partilhando com a vizinha Espanha a mancha de distribuição raiana, somando-se as regiões da Galiza, Astúrias e Catalunha.
    O Museu Nacional de Etnologia foi criado pelo grupo de trabalho de Jorge Dias (1907-1973) e Margot Dias (1908-2001), Fernando Galhano (1904-1995), Ernesto Veiga de Oliveira (1910-1990) e Benjamim Enes Pereira (1928-2020), primeiro, na Universidade do Porto e no Centro de Estudos de Etnologia Peninsular, fundado em 1945 por António Mendes Corrêa (1888-1960), passando depois à Universidade de Coimbra, onde Jorge Dias leciona entre 1952 e 1956, e neste último ano, a Lisboa, onde se fixa, passando a lecionar no Instituto Superior de Estudos Ultramarinos e na Faculdade de Letras. Foi este grupo, a partir de 1962, que foi responsável pela montagem, primeiro, do Museu de Etnologia do Ultramar, mas a partir de 1965, Museu Nacional de Etnologia, construído, depois, em 1976, por coincidência, na Avenida da Ilha da Madeira, com projeto do arquiteto António Saragga Seabra (). O acervo do museu é vasto e diversificado, contando com cerca de 42.000 peças representativas de 80 países dos cinco continentes, com especial destaque para culturas africanas, asiáticas e ameríndias, bem como para a cultura tradicional portuguesa.