Adorno de cintura dos kabaro bijagós, 1950 (c.), Guiné-Bissau, Museu Nacional de Etnologia, Lisboa, Portugal.
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Adorno de cintura
Adorno de cintura usado nos rituais de iniciação, ou de passagem de idade para a vida adulta. Antes da saída dos novos iniciados kamabi da mata, os jovens kabaro são submetidos aos ensaios de aperfeiçoamento das coreografias de dança e fazem a primeira apresentação pública no palco etikapungnhana para a saída dos kamabi de fanado (retiro iniciático). Depois, sempre que se organizam eventos e, sob a orientação dos kamabi, os kabaro são convidados a dançar e a animar a comunidade, inclusivamente, no sentido de promoção física pessoal, pois numa sociedade fortemente matriarcal, quem escolhe o parceiro é a mulher.
Arquipélago dos Bijagós (Guiné-Bissau).
Fotografia ©DGPC | Catarina Mateus, MUHNAC-ULisboa, 2005.
Museu Nacional de Etnologia, Lisboa, Portugal.
O Museu Nacional de Etnologia foi criado pelo grupo de trabalho de Jorge Dias (1907-1973) e Margot Dias (1908-2001), Fernando Galhano (1904-1995), Ernesto Veiga de Oliveira (1910-1990) e Benjamim Enes Pereira (1928-2020), primeiro, na Universidade do Porto e no Centro de Estudos de Etnologia Peninsular, fundado em 1945 por António Mendes Corrêa (1888-1960), passando depois à Universidade de Coimbra, onde Jorge Dias leciona entre 1952 e 1956, e neste último ano, a Lisboa, onde se fixa, passando a lecionar no Instituto Superior de Estudos Ultramarinos e na Faculdade de Letras. Foi este grupo, a partir de 1962, que foi responsável pela montagem, primeiro, do Museu de Etnologia do Ultramar, mas a partir de 1965, Museu Nacional de Etnologia, construído, depois, em 1976, por coincidência, na Avenida da Ilha da Madeira, com projeto do arquiteto António Saragga Seabra (). O acervo do museu é vasto e diversificado, contando com cerca de 42.000 peças representativas de 80 países dos cinco continentes, com especial destaque para culturas africanas, asiáticas e ameríndias, bem como para a cultura tradicional portuguesa.
O Museu Nacional de Etnologia com o falecimento de Jorge Dias em 1973, passa à direção de Ernesto Veiga de Oliveira e que, a partir desses anos, dirige uma série de campanhas de recolha de material da vida rural portuguesa, levadas a cabo, especialmente, por Benjamim Enes Pereira e, depois, da responsabilidade de estudo e de exposição deste último. Destas campanhas e no quadro das recolhas alargadas de todo o território nacional da vida rural, entrou no Museu Nacional diverso material, tanto da Madeira como dos Açores, tendo sido nesse quadro que nasceu a ideia de montar na Ilha um museu dedicado à etnografia insular e local.