Tenente João dos Reis Gomes, Vicente Gomes da Silva, 1900 (c.), Funchal, ilha da Madeira
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Descrição
Tenente João dos Reis Gomes
(1869-1950)
Vicente Gomes da Silva (pai) (1827-1906) ou (filho) 1857-1933), 1900 (c.).
Museu de Fotografia da Madeira, Atelier Vicente's, Funchal, ilha da Madeira.
A exposição “Na pena de Reis Gomes, a Ilha em Festa”, que resulta de uma parceria entre a Direcção Regional dos Arquivos, das Bibliotecas e do Livro, através do Centro de Estudos de História do Atlântico – Alberto Vieira, e o Conservatório – Escola das Artes da Madeira Eng.º Luiz Peter Clode será aberta ao público esta quarta-feira, dia 25 de Março, às 17 horas, no CEHA-AV. A mostra é dedicada à obra do escritor madeirense João dos Reis Gomes, propondo uma abordagem à literatura através da escuta enquanto categoria estética e cultural. O governante com as pastas do Turismo, Ambiente e Cultura, Eduardo Jesus, marcam presença no evento. Partindo de uma perspectiva interdisciplinar que cruza literatura e música, a exposição convida o público a explorar como o som – nas suas múltiplas formas, desde a música ao ruído, da fala ao silêncio – estrutura a narrativa literária e reflecte práticas sociais e religiosas profundamente enraizadas na cultura popular madeirense. Com destaque para os contos «A Romaria do Monte» e «S. João da Ribeira», integrados na obra “De Bom Humor”, a mostra evidencia a forma como João dos Reis Gomes constrói autênticas paisagens sonoras, sendo o leitor desafiado não apenas a ver, mas também a escutar a vivência das festas populares da Madeira. Entre cantares ao desafio, filarmónicas, foguetes e vozes coletivas, o som emerge como elemento central de integração social, memória e emoção.
João dos Reis Gomes (Fx. 5 jan. 1869-Id. 21 jan. 1950), oficial de Artilharia e escritor, interessou-se, sobretudo, pelo teatro, de que recolheu um importante acervo fotográfico e bibliográfico na sua Quinta Esmeraldo, a São Martinho, onde faleceu, infelizmente, parcialmente perdido com o seu falecimento, dado se encontrar no andar térreo e a propriedade ter ficado muitos anos inabitada. Frequentou as Escolas do Exército e Politécnica e foi oficial de Artilharia, onde foi promovido a major em 1916. Foi comandante da bateria de Guarnição da Madeira e Inspetor do Material de Guerra, reformando-se com esse posto. Licenciado em Engenharia Industrial, lecionou as disciplinas de Ciências, de 1900 a 1928 no Liceu do Funchal e, de 1928 a 1939, na Escola Industrial e Comercia de António Augusto de Aguiar, da qual foi diretor. Jornalista e escritor, foi fundador e redator efetivo do Heraldo da Madeira, distinguindo-se pelas suas críticas teatrais e sendo um profundo conhecedor dos assuntos desse meio, foi um dramaturgo de mérito, além de novelista, contista, crítico e filósofo de arte. Sócio correspondente da Academia de Ciências de Lisboa (classe de Letras) e oficial e comendador da Ordem de Santiago do Mérito Científico, Literário e Artístico, teve também reconhecimento fora do país, sendo membro de honra da Federação das Academias de Letras do Brasil e oficial da Academia de França.