Image
Arquipelago de Origem:
Fajã da Ovelha
Data da Peça:
2001-02-16
Data de Publicação:
26/01/2026
Autor:
Comissão de Heráldica da Associação dos Arqueólogos Portugueses
Chegada ao Arquipélago:
2026-01-26
Proprietário da Peça:
Freguesia da Fajã da Ovelha
Proprietário da Imagem:
Freguesia da Fajã da Ovelha
Autor da Imagem:
Comissão de Heráldica da Associação dos Arqueólogos Portugueses
Brasão de armas da Fajã da Ovelha, 2001, Calheta, ilha da Madeira,

Categorias
    Descrição
    Brasão de armas da freguesia da Fajã da Ovelha da vila da Calheta.
    Desenho da Comissão de Heráldica da Associação dos Arqueólogos Portugueses de 2001.
    Fajã da Ovelha, Calheta, ilha da Madeira.

    Fajã da Ovelha, indica uma extensão de terreno plano de material geológico desprendido e a criação de gado ovino na localidade. É topónimo documentado, pelo menos, desde 1501 e, nos anos seguintes do primeiro quartel do século XVI, quando das estimativas da produção de açúcar. Pelo Mapa Geral da produção de todas as freguesias da Província da Madeira e Porto Santo, calculada pelos dízimos de 1836, verifica-se que a Fajã da Ovelha produzia vinho, trigo, cevada e centeio. Em julho de 1881, Ellen Taylor escreveu numa carta: «Another day we made a long expedition through the Fajã d’Ovelha on to Ponta do Pargo. It is all charming country, and just now looking very verdant and beautiful.» Esses campos verdejantes e belos, por certo, searas, já não existem. A paisagem é agora marcada por terrenos abandonados e cobertos de matagais, mas que há anos eram cultivados. O Recenseamento agrícola de 2019 apontou 143 explorações. Como culturas principais, são indicadas a batata (semilha) e as hortícolas. Registou ainda frutos subtropicais e vinha, como culturas permanentes, em áreas reduzidas, e 168 hortas familiares. A produção de trigo tinha grande significado económico nesta freguesia. Atesta-o a existência, na década de 30 do século XX, de dois moinhos motorizados (de Pedro Augusto de Gouveia) e seis azenhas movidas a água, todas pertencentes a mulheres: Matilde de França Gouveia, Joana de França Gouveia, Agostinha de Jesus, Maria Guiomar e Inácia Teresa. Hoje existem apenas dois moinhos, um na Raposeira outro na Maloeira, mas ambos inativos. No passado, tal como em outras freguesias, existiam muitas plantações de linho, para fabrico de peças de vestuário e de uso doméstico dos fajã-ovelhenses e venda para o Funchal, atividade que pode ser documentada desde o século XVIII. Em abril de 2013, a Junta de Freguesia procedeu à recuperação de um antigo poço do linho, na Raposeira do Cerrado, como memória arqueológica da ‘curtimenta’, isto é o processo de alagar o linho (curtimento ou maceração). Hoje predomina a agricultura para consumo próprio e venda no mercado regional, de hortícolas e frutícolas. Na Raposeira, cultiva-se, com sucesso, a casta verdelho e podemos encontrar ainda pequenas plantações de cana-de-açúcar. Atividade que, nos últimos anos, se tornou rendível é o alojamento turístico, com diversas unidades na freguesia. Uma pesquisa rápida, na plataforma de reservas Booking.com, indica-nos 47 alojamentos. Mas o número real, deve ser superior.
    Nos ‘Censos de 2021’, a freguesia da Fajã da Ovelha apresentava 812 habitantes, ou seja, 35% do número de moradores em 1864, ano em que tinha 2309. Desde 1970, quando existiam 1625 residentes, verifica-se um acentuado decréscimo populacional. O Recenseamento Eleitoral, de 31-12-2024, registou 1014 eleitores nacionais.
    Heráldica da freguesia: Armas – Escudo de azul, ‘Agnus Dei’ de prata, nimbado de ouro, sustendo com a pata uma vara crucífera de negro, com lábaro de prata carregado de cruz firmada de vermelho; em chefe, duas flores de linho de prata, botoadas do campo. Coroa mural de prata de três torres. Listel branco, com a legenda a negro: “FAJÃ DA OVELHA – CALHETA”. (Diário da República, n.º 40, 3.ª Série, Parte A, 16-02-2001). A representação heráldica privilegiou a produção de linho, outrora abundante, e o ‘Agnus Dei’, porquanto João Baptista, padroeiro da freguesia, chamou a Cristo, o Cordeiro de Deus (Jo 1,29: «Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!»). No pavimento do adro da igreja, datado de 1949, está também representado o cordeiro com uma cruz e o estandarte, elemento bem conhecido da iconografia cristã como símbolo da redenção (1 Pe 18-21) e do Servo Sofredor (2 Is 53,6-8)
    Adaptação do texto de Nelson Veríssimo, “Freguesias da Madeira: Fajã da Ovelha”, Funchal Notícias.net, 25 jan. 2026.